A ESTRADA DA GRACIOSA

A estrada da Graciosa representa um dos mais ricos e pitorescos cenários históricos do Estado do Paraná. É uma área protegida desde 1884, de interesse turístico nacional e inserida nos últimos remanescentes da floresta atlântica.

A região foi habitada por povos pré-colombianos que abriram trilhas na Serra e deixaram acúmulos de sambaquis, registrando seus hábitos e herança cultural.

Pelas vertentes da serra foram traçadas as mais importantes trilhas de ligação da serra com o litoral, sejam: 1) o caminho de Itupava que tinha o menor percurso, cerca de 9 a 10 léguas e cuja origem remonta à sua abertura durante a perseguição de uma anta, morta, afinal, em Porto de Cima. A trilha virou picada, mas só dava passagem para pedestre à cata do ouro dos ribeirões; 2) o caminho do Arraial, era o de menor frequência. Corria entre dois ribeirões, que o tornavam intransitável na época das chuvas. Era visto como o pior deles; 3) o da Graciosa, talvez o melhor, embora no tempo do governo de São Paulo não passasse de um caminho estreito e grosseiramente calçado nos trechos da serra, embora constasse que foi depois melhorado com algumas modificações, que incluíam seu alargamento. Mas, no juízo de Júlio Moreira, seu historiador, nem por isso deixou de ser, entre os outros da América, o que enfrentou as mais dificuldades para poder vingar. Leia mais ›

O MÁGICO DA PALAVRA

Os maiores momentos de sedução de minha infância, nos domingos à tarde no circo dos Irmãos Queirollo, na Praça Carlos Gomes, eram as faces brancas da maquiagem, a vestimenta negra (o fraque), a destreza das mãos e a cartola do mágico. Elas dançavam em retas e curvas, para cima e para baixo, enquanto os dedos puxavam do grande e brilhante chapéu de veludo preto a variedade colorida de lenços, flores, bonecas e até mesmo coelhinhos agitados agarrados pelas orelhas. Eu me perguntava: “Como é isso? Tanta coisa não cabe no chapéu”.

Essas imagens vêm à lembrança com a leitura do terceiro volume da Poesia Reunida, de João Manuel Simões, publicadas no decênio 1980-1990. Poemas de um heterônimo crí(p)tico, Poemas da infância, Canto plural ou tentação de Ícaro, Lira de Dom Quixote Flauta Mágica, formam a constelação de palavras com o mundo intermediário do autor, pleno de figuras, lugares e tempos. Na imaginária e fluída percepção da Comédia – que Erich Auerbach (1892-1957) concebe como “um poema didático enciclopédico, Simões antevê a existência de uma Santíssima Trindade Poética apresentando “Virgílio: foi esse o Pai. / E Dante o Filho. / Entretanto, / depois deles sobressaiPessoa, O Espírito Santo.” Leia mais ›

VISÃO DO PARAÍSO

No segundo quartel do século XIX, os agentes do serviço de emigração do Estado fizeram difundir entre os camponeses do Leste da Europa, a lenda de que o paraíso terrestre estava situado no Sul do Brasil e nele corria o leite e o mel. E essas terras estavam no Paraná, mas eram mantidas ocultas porque a Virgem Maria a conservava coberta com uma densa névoa.

Um dia, porém, a mãe de Deus ficou compadecida com as condições de pobreza e abandono em que vivia a gente daqueles confins do continente europeu e dispersou a névoa e ofereceu a terra a quem as quisesse cultivar. Leia mais ›

DESAPLANAR: UM NOVO ESTÁGIO DE NARRATIVA VISUAL

Nick Sousanis foi primeiro aluno da prestigiosa Universidade Colúmbia e, a concluír seu curso, apresentou em 2014 sua tese de doutoramento em Educação, sob formato de quadrinho, abordando nossos condicionamentos mentais e o processo de aprendizagem em que questiona a primazia da palavra escrita sobre o visual, e defende a simbiose do texto-imagem. Deu ao trabalho a denominação heterodoxica de:”Unflattening. A Visual-Verbal Inquiry into Learning in Many Dimension”. A tradução que lhe atribui é a de “Uma invetigação verbo-visual sobre o aprendizado em várias dimensões”.  Unflattening não tem no dicionário inglês, nem com o sentido que se quer imprimir. Tampouco em português, onde a palavra assume o lugar de neologismo.  Aliás, Sousanis confessa que não quis usar palavras para definir “unflattening”. Se serviu de metáforas, para que possam ser compreendidas de forma diferente, dependendo de quem faz a leitura. Leia mais ›

O ESPÍRITO, FUNDAMENTO DA REALIDADE

Constitui grave engano histórico este da separação estanque entre matéria e espírito, pois a própria física quântica reconhece que há entre os dois um íntimo intercâmbio, como aquele da precedência de nosso pensamento moldando as reações dos átomos. Ainda mais, que não há diferença entre matéria e energia, esta uma forma primitiva da matéria, segundo as concepções  de EINSTEIN. Da mesma forma, as estruturas biológicas são exemplos notáveis de como a matéria pode se organizar em sua variedade, instintiva e inteligentemente, promovendo as reações peculiares dos seres vivos, seus genes e  seu DNA. Leia mais ›

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