Cadeira 1 – Dante Mendonça

Patrono

Antônio Vieira dos Santos (1784-1854)

Nasceu na cidade do Porto, Portugal, dia 12 de dezembro de 1784. Era filho de Jerônimo Vieira dos Santos e Ana Joaquina dos Santos. Passou a infância na Freguesia de Santo Ildefonso, ficando órfão de mãe em tenra idade. Ao completar treze anos, veio com seu irmão João para o Brasil.

No Rio de Janeiro, trabalhou algum tempo no comércio. Em novembro de 1798, sem motivo aparente a não ser buscar novos horizontes, embarcou rumo a Paranaguá, sendo admitido, pela experiência que detinha, como caixeiro de loja comercial – função na qual chegou a viajar para a Bahia. Contraiu núpcias em 20 de agosto de 1804.

Paralelamente à atividade comercial, exerceu vários cargos públicos nas milicias e governanças: almotacé, tesoureiro, alferes, procurador, secretário de Junta e comandante. Era um pesquisador de idéias definidas. Participou dos mais importantes acontecimentos políticos na época, inclusive no exercicio de vereança.

Em 1825, começou a beneficiar erva-mate em Morretes. Apreciava as representações teatrais e a leitura. Costumava receber obras literárias e jornais de Lisboa. Na noite de 20 de maio de 1843 foi vitima de um desafeto que, nas sombras da noite, deu-lhe violenta pancada na fronte. O fato provocou-lhe a cegueira do olho direito. Tal deficiência, no entanto, não lhe diminuiu o gosto pela pesquisa e pela escrita.

De sua paciente investigação nos arquivos e alfarrábios, produziu importantes retrospectivas históricas. Dai ser justamente cognominado o “Pai da História Paranaense”. Da sua bibliografia destacamos: Memória Histórica, Cronológica, Topográfica e Descritiva da Cidade de Paranaguá e Seu Município (1850); Memória Histórica de Morretes (1851); Árvores genealógica das famílias Freire e França (1852), além de contribuições ao folclore e outras obras ainda inéditas. Memorialista inato, são muitos os aspectos da sua eficiência intelectual para a compreensão do passado paranaense. Faleceu em Morretes no dia 4 de julho de 1854. (TV)

Fundador

José Francisco da Rocha Pombo (1857-1933)

Nasceu em Morretes no dia 4 de dezembro de 1857. Escritor, jornalista, poeta, historiador, professor e político. Figura exemplar da historiografia brasileira e um dos idealizadores da Universidade Federal do Paraná.

Ao escrever História do Brasil, uma coletânea admirável de narrativa e análise, fez-se famoso e imortal. Com História da América conquistou justos lauréis. Notável vocação para o jornalismo, para a poesia e a pesquisa histórica. Já adulto, buscou centros maiores a começar por Curitiba, fazendo-se jornalista.

Fundou em 1879 o jornal O Povo. Depois, no interior, na cidade de Castro, lançou o jornal Eco dos Campos. Implantou, paralelamente, um colégio para sustentar-se e ensinar as gerações de seu tempo. Formou-se mais tarde pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Premido por dificuldades, foi obrigado a mudar-se para Ponta Grossa, onde escreveu e publicou ensaios literários e novelas. Era escritor revelado, mas sem a repercussão merecida. Ingressou na política elegendo-se deputado à Assembléia Provincial em 1886, pelo Partido Liberal. Tentou outros jornais: Diário Popular e O Paraná, sem êxito. Em 1892 dirigiu o Diário do Comércio, do qual se tornaria proprietário. Desiludido com os acontecimentos políticos em conseqüência do insucesso da Revolução Federalista da qual fora um dos arautos, transferiu-se para o Rio de Janeiro em 1897, dedicando-se ao campo da história ao mesmo tempo em que trabalhava na imprensa e no magistério. Com a recompensa recebida pela publicação de sua História da América, em 1900, iniciou a publicação da História do Brasil, obra em 10 volumes publicada de 1906 a 1917 e considerada, com justiça, dos mais completos e cuidados textos no gênero, o que lhe valeu uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Não tomou posse por ter-lhe sobrevindo a morte, em 26 de junho de 1933.

Publicou ainda: O Paraná no Centenário (1900); No hospício (1905); Nossa Pátria (1917); Dicionário de Sinônimos da Língua Portuguesa (1914); História de São Paulo (1919); História do Paraná (1929) e Para a História, crônica da invasão de Curitiba pelos maragatos, obra publicada apenas em 1980. (TV)

1º Ocupante

Valfrido Pilotto (1903-2006)

Filho de Egídio Pilotto e Luísa Selmer Pilotto, nasceu em Dorizon, Paraná, no dia 23 de abril de 1903. Ensaísta consagrado, foi das mais expressivas inteligências contemporâneas. Jornalista, poeta e historiador, soube usar a retórica com mestria. Filósofo dos acontecimentos, observador arguto. Um polígrafo. No serviço público, fez carreira na Polícia Civil.

Bacharelou-se em Direito em 1932 e foi Secretário de Estado dos Negócios da Segurança Pública, interino. Iniciou-se em 1935 com Humilde, prosseguiu com Paranistas e não parou mais de escrever e publicar, sendo autor de mais de 50 títulos. Em 1926, teve na Gazeta do Povo sua primeira publicação e, nesse mesmo periódico, manteve durante décadas coluna semanal. Os anos, porém, fizeram que o ardoroso polemista da década de vinte, trinta e quarenta arrefecesse o ardor da luta pelas grandes causas e enveredasse pela filosofia circunstancial, mística na maioria das vezes, como provam seus esplêndidos e marcantes ensaios sobre Tolstoi. Daí o porquê de o autor de Histórias e Historiógrafos e do Diário do Tempo Ruim ter muito cedo, sem desvinculação do território natal, transposto as configurações regionais, passando para o domínio nacional. Pensavam assim Pedro Calmon, Deolindo Amorim e Andrade Muricy, que o tinham em alta conta.

Pertenceu à geração e ao grupo que pretendeu transpor a experiência futurista para o Paraná, assinando-se Oto Di La Nave e ameaçando publicar Tripanossomos lapis-lazulis da crença. Como os demais companheiros Correia Júnior, Alceu Chichorro e Laertes Munhoz – comportavam-se da mesma forma, parecia que o movimento tendia a fortalecer-se. Mas deu em nada porque logo, com força estrutural, em âmbito maior, veio o Modernismo, ao qual se integraram de corpo e alma, no início, para depois se entibiarem alguns – caso de Valfrido -, reassumindo gêneros conservadores, mas bosquejando ecléticas texturas.

Alguns de seus livros: Assis Cintra e a Tragédia do Quilômetro 65 – Refutação; Páginas de Casa; Profanações e Registros Muito Pensados; Construamos com a Verdade a História do Paraná; Tinguianas; Rocha Pombo; De um Dia e de Sempre; Contra o Entreguismo Histórico; Querência; Paraná em Ritmo Veloz; Quando o Paraná se Levantou Como Uma Nação; Jornadas do Redizer; Mensagem à Juventude; A Estirpe Apostolar de Dario Vellozo. Foi conhecedor profundo da língua portuguesa. Exerceu a presidência do Centro de Letras do Paraná e da Academia Paranaense de Letras, da qual foi um dos fundadores. Faleceu no dia 10 de março de 2006, em Matinhos, com 102 anos. Faria 103 no imediato 23 de abril. (VHJ)

2º Ocupante

Dante Mendonça

Dante José Mendonça nasceu no Hospital das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, a congregação da Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus, em Nova Trento, Santa Catarina, em 4 de março de 1951. É filho de Lauro Manoel Mendonça e de Cremilda Tripadalli. Casado com Maria Luiza (Maí) Nascimento Mendonça, é pai de Luiza e Pedro.

Estudou no Colégio Agrícola de Camboriú e nos colégios Camões e Bom Jesus, em Curitiba. Depois de servir ao Exército em Curitiba, iniciou sua vida profissional nos jornais O Estado do Paraná e Tribuna do Paraná. Trabalhou, posteriormente, na Gazeta do Povo, Voz do Paraná e Correio de Notícias, atuando como editor e diretor de arte de vários jornais ao longo de seus 40 anos de carreira como jornalista.

Durante as décadas de 70 e 80 esteve ligado ao teatro, no qual foi ator, cenógrafo e diretor premiado do Grupo de Teatro Margem, junto com Manoel Carlos Karam. Na mesma época em foi um dos primeiros funcionários da Fundação Cultural de Curitiba, onde era diretor de arte. Atuou, ainda, na televisão, fazendo um quadro diário de humor em telejornal. Em 1976 fundou a Banda Polaca, o maior bloco carnavalesco de Curitiba, e em 1981 presidiu a Comissão de Carnaval de Curitiba.

Como cartunista, entre diversas exposições individuais e coletivas, participou da mostra especial de cartunistas brasileiros e estrangeiros no Salão Carioca de Humor, no Rio de Janeiro; ganhou página no livro “O Paraná e a Caricatura”, de Newton Carneiro, e consta da “Enciclopédia Brasileira de Humor”.

Em 2000 passou a assinar coluna no Estado do Paraná e Tribuna do Paraná. É autor das seguintes obras: ”Álbum de Figurinhas & figurões” (1989, coletânea de suas charges de primeira página); “Botecário” – Dicionário Internacional de boteco (2001); “Piadas de Sacanear Atleticano” – para alegria de coxa-branca – e “Piadas de Sacanear Coxa-Branca” – para alegria de atleticano (2003); “Piadas de Sacanear Vascaíno” – para alegria de flamenguista – e “Piadas de Sacanear Flamenguista” – para alegria de vascaíno – com Luís Pimentel (2003); “A Banda Polaca” – Humor do imigrante no Brasil Meridional (2004); “Curitiba: Melhores Defeitos, Piores Qualidades” (2009); “Serra Abaixo, Serra Acima: o Paraná de trás pra frente” (2010).

Eleito para a Academia Paranaense de Letras, em julho de 2010, tomou posse em 29 de novembro do mesmo ano, no Teatro Paiol, sendo saudado por Ernani Buchmann. (EB)