Cadeira 11 – João Manuel Simões

Patrono

Alfredo Caetano Munhoz (1845-1921)

Nascido em Curitiba, em 4 de fevereiro de 1845, ingressou aos 12 anos de idade no Colégio Kople, em Petrópolis (RJ), onde cursou Humanidades. Voltou ao Paraná e, em 1863, foi nomeado colaborador da Tesouraria da Fazenda. Escalou, rapidamente, vários postos da administração pública, como os de segundo escriturário, chefe de seção e contador, até alcançar o patamar da carreira, como inspetor da Tesouraria da Fazenda, com apenas 33 anos de idade. Nessas funções foi comissionado para servir, como inspetor fazendário em Cuiabá, Mato Grosso, onde permaneceu por um ano, retornando ao fim desse período às suas funções em Curitiba. Por sua brilhante atuação como funcionário, recebeu a comenda da Ordem da Rosa e o título de Comendador, em outubro de 1880. Nove anos depois, seus colegas da tesourarias e coletoria de Curitiba, da alfândega de Paranaguá e da mesa de rendas de Antonina, ofereceram-lhe, em reconhecimento às qualidades de administrador e amigo, seu retrato a óleo.

Jornalista, fundador de periódicos, na sua revista Colmeia já defendia, àquela época, a tese do feminismo. No seu jornal A Luz, órgão do Centro Espírita de Curitiba, aparecido a 15 de janeiro de 1890, traduziu os trabalhos de cientistas alemães, ingleses, franceses, italianos e espanhóis. A permuta de A Luz com os jornais espíritas proporcionoulhe intercâmbio intelectual com os sábios mais em evidência na Alemanha e na França. Já sexagenário, perdeu a esposa que o acompanhara por 40 anos, casando-se depois com Anália de Oliveira. Retirou-se, então, para Porto Amazonas, onde viveu 11 anos. Nesse período entregou-se ao estudo da Botânica e da História Natural.

Doente e atendendo aos rogos insistentes dos familiares, retornou a Curitiba em busca de maiores recursos médicos. Mas já era tarde. Faleceu no primeiro dia de fevereiro de 1921, aos 76 anos de idade, recusando o conforto católico. (WB)

Fundador

Alcides Munhoz (1873-1930)

Curitibano de 2 de agosto de 1873, ainda pequeno e já órfão de mãe, foi levado para São Paulo por seu pai, Caetano Alberto Munhoz, que o apresentou ao então Padre Alberto (mais tarde Dom Alberto José Gonçalves), que o matriculou no Seminário Episcopal. A sua passagem pelos bancos escolares desse estabelecimento religioso marcou profundamente sua crença em Deus. Essa formação católica, de início radical, no começo do século XX, encontrou barreiras no ateísmo e anticlericalismo então em moda. A resposta a essa animosidade contra Deus foi traduzida no seu livro de estréia, Scalpellum, uma crítica aos versos heréticos de Euclides Bandeira. Sua vida dividiu-se entre compromissos de funcionário estadual e jogos de inteligência.

Orador do Clube Católico Paranaense, fundado em 1902, defendeu seus princípios cristãos pela tribuna e pela imprensa. Escreveu romances e travou polêmicas com Vicente de Carvalho e com Osório Duque Estrada. Enfrentou adversários do porte do erudito sergipano Sílvio Romero, enfeixando suas controvérsias nos opúsculos Sílvio Romero e o Alemanismo no Sul do Brasil, em 1907, e A Teutofobia do Sr. Sílvio Romero, em 1910, trabalhos que chegaram a merecer não só a transição nos mais destacados órgãos da imprensa paulista e carioca como, até mesmo, tradução e publicação em periódicos alemães que circulavam em Nova York. Amando a sua terra, autêntico propagandista do potencial socioeconômico do Paraná, escreveu, em francês escorreito, Lê Paranápour lÈtranger, em 1907. Incentivador do plantio do trigo, lançou dois opúsculos, O Pão Brasileiro e O Paraná e o Trigo.

Por sua capacidade administrativa chegou a ocupar o posto de secretário-geral do Estado, por sete anos, no governo de Caetano Munhoz da Rocha, período em que esteve investido de extraordinária soma de poderes. Destacou-se também como autor teatral, embora tenha enfrentado um meio hostil e acanhado, o que não impediu que algumas de suas peças fossem encenadas por Jaime Costa e Procópio Ferreira. Faleceu em Curitiba aos 57 anos, em 13 de junho de 1930. (WB)

1º Ocupante

Laertes de Macedo Munhoz (1900-1967)

Nasceu em Curitiba no dia 19 de julho de 1900. Era filho de Alcides Munhoz e de Ifigênia de Macedo Munhoz. Depois de cumprido o curso fundamental, matriculou-se na Faculdade de Direito, onde colou grau. Nomeado, em seguida, para o Ministério Público, exerceu a Promotoria em diversas comarcas. Dado o brilho de sua cultura, não tardou a ser convocado para as altas funções de advogado-geral do Estado. Ocupou, inclusive, o mais elevado cargo da carreira, o de procurador-geral.

Na juventude foi destacado futurista, movimento que fez tremer as bases literárias conservadoras do Paraná. Orador inspirado, culto e eloqüente, destacou-se no júri e na arena política, consagrando-se dos maiores tribunos de seu tempo. Foi o orador oficial dos congressos do Ministério Público, inclusive no ato de lançamento da pedra fundamental do monumento a Rui Barbosa. Presidiu, por vários anos, o Instituto dos Advogados do Brasil, no Paraná. Professor catedrático da Faculdade de Direito do Paraná, suas aulas de Direito Penal tornaram-se famosas, não só pela objetividade didática, mas igualmente pela cultura abrangente de verdadeiro mestre.

Sua atuação no campo jurídico pode ser medida pela vasta bibliografia, de cuja relação destacaremos: Homicídio Consensual; O Estatuto do Funcionário Público; Erro de Direito e Erro de Fato; Das Penas Acessórias; Da Qualidade Subjetiva no Código Penal Brasileiro; Da Ética Profissional do Jornalista e Proteção dos Direitos Internacionais do Homem. Na área literária, publicou: Discurso de Paraninfo; Aspectos da Vida Literária de Alcides Munhoz; Elogio de Hugo Simas e Ulisses Vieira; A Vida Literária de Joaquim Nabuco, e Discursos e Perfis.

Elegeu-se deputado em 1935, mandato interrompido pelo Estado Novo. No ano seguinte ingressou na Academia Paranaense de Letras. Voltou à Assembléia Legislativa em 1947, pela União Democrática Nacional, da qual foi dos mais brilhantes líderes. Ainda foi presidente da Assembléia Legislativa e secretário de Estado dos Negócios do Interior e Justiça. Reelegeu-se mais uma vez, em 1950, para novo mandato estadual. Faleceu em Curitiba no dia 21 de dezembro de 1967. (TV)

2º Ocupante

João Manuel Simões (1939)

Nasceu em Mortágua, Viseu, Portugal, em 18 de março de 1939. Filho de pai beirão, Antônio Simões, e mãe belenense, do Pará, Irene dos Anjos Ferreira Simões. Fez as primeiras letras em Mortágua mesmo e o liceu em Coimbra. Vindo para o Brasil e fixando-se em Curitiba, bacharelou-se em Direito pela Universidade Federal do Paraná. É poeta e prosador. Entretanto, na crítica literária ou na crônica, no ensaio ou no conto, sua obra também é das mais expressivas, ainda que na poesia sua obra constitua-se de rara representatividade contemporânea. Eclético na temática, mostra-se integrado aos limites da perfeição e ao espírito paranaense que desde 1955 o abriga. Copiosa bibliografia prova ser dos mais férteis poetas de todos os tempos. Tem sido importante também sua presença na crônica regular, porque é através dessa visão mundana que o leitor concebe acessibilidade à obra erudita, exuberante no conteúdo do poeta.

Seu indiscutível talento permite que realize uma literatura profusa, tanto na prosa quanto no verso. Tem publicados incontáveis títulos, entre os quais Eu, Sem Mim; A Margem da Leitura e da Reflexão; A Palavra e o Mundo; Introdução à Crítica Estilística; Os Labirintos do Verbo; Réquiem Para 7 Quedas; Odes, Elegias e Outros Poemas; Sonetos Escolhidos; Ficção Possível; Micropoética; Sonetos de um Tempo Incerto; Moderato Cantabile; Rudopoema ou Peregrinatio ad Loqua Iníqua; O Túnel Circular; Poemas de um Heterônimo Crí(p)tico; Lira de Don Quixote e Reflexões Sobre Liberdade. E ainda: Suma Poética; Rapsódia Européia; Canto em Mi(m); Inscrições Para os Muros de Babilônia; Armorial do Verbo; Sonetos do Tempo Onívoro; Clareza e Mistério da Criação Literária; A Tangente e o Círculo; A Palavra e o Mundo; O Túnel Circular e A Álgebra do Canto.

Também são diversos os ensaios e as homenagens que prestou a grandes autores e a personagens da História, em: Guernica e Outros Quadros Escolhidos de Picasso; Alguns Poemas para Drummond em Seus Oitentanos; Ode ao Alferes Joaquim José da Silva Xavier; Vergílio Ferreira, um Novo Eça?; Kafka, Fenomenologia do Invisível e Outros Ensaios; Virgílio e Camões: Duas Presenças Vivas; Ernani Reichman; Bento, Humanista e Homem de Cultura; Presença de Balzac; Camus Notas à Margem de A Peste; Evocação do Bruxo do Cosme Velho; De Tasso a Erasmo e Alguns Estudos Breves Sobre Dalton Trevisan. Recentemente publicou Os Criadores e Suas Obras, de crítica literária, e Palestras e Ensaios. Em 2011, veio à lume o volume contendo Pensamentos. Sua Suma Poética recebeu o Prêmio Fernando Chinaglia, da União Brasileira de Escritores. Foi eleito para a Academia em 1990, tomando posse em 1971, saudado por Vasco José Taborda, no Centro de Letras do Paraná. (VHJ)