Cadeira 12 – Ernani Costa Straube

Patrono

Ubaldino do Amaral Fontoura (1842-1920)

Nasceu em Passo dos Marianos, município da Lapa, em 27 de agosto de 1842, filho de Francisco das Chagas Fontoura e Gertrudes de Almeida Pilar, naturais de Cruz Alta (RS). Ainda cedo, a família mudou-se para Sorocaba (SP), onde fez seu curso fundamental. Matriculou-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, colando grau em 1867. Dois anos após, casou-se, em Sorocaba, com Rosa Cândida de Oliveira. Advogou intensamente. Ingressou na Maçonaria, da qual foi exponencial figura. Primeiro paranaense a aderir ao movimento republicano, então incipiente. Elegeu-se duas vezes senador pelo Paraná, após a Proclamação da República. Incluído entre os republicanos históricos, exerceu enorme influência nos governos de Prudente de Morais e Campos Salles. Prefeito do Distrito Federal, presidente do Banco do Brasil. Ministro plenipotenciário, foi árbitro do Brasil nas questões fronteiriças com a Bolívia e Peru.

Nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal, foi também o primeiro paranaense a alcançar tais culminâncias. Viu-se, porém, obrigado a renunciar ao cargo dois anos depois, uma vez que sua prole, dez filhos, indicava que seus vencimentos não lhe eram bastante. Retornou, então, à advocacia, patrocinando, por algum tempo, a causa do Estado do Paraná na célebre questão do Contestado.

Foi candidato à presidência da República, apoiado por Prudente de Morais, nas eleições de 1902, sucessão de Campos Salles. Ganhou, todavia, Rodrigues Alves. Destacou-se como conferencista e colaborador da imprensa, apoiou com verba do Senado a iniciativa de Rocha Pombo, malograda, porém, de fundar a Universidade do Paraná, o que só aconteceria em 1912. O ponto alto de sua luminosa carreira deu-se em 1907, quando foi designado para representar o Brasil na Corte Permanente de Arbitragem, em Haia, ao lado de Rui Barbosa, Clóvis Bevilácqua e Conselheiro Laffayette. Faleceu no Rio de Janeiro, na madrugada de 22 de janeiro de 1920. (TV)

Fundador

Euclides da Mota Bandeira e Silva (1877-1947)

Nasceu em Curitiba no dia 22 de novembro de 1876. Aluno inteligente, em 1890 recebeu o reconhecimento público e expresso do professor José Cleto da Silva, em nome da Superintendência do Ensino Público, por ter sido aprovado com distinção. Pelo interesse e dedicação aos estudos, mais pelo caráter combativo que demonstrava, habilitou-se, o futuro jornalista, a cursar a Escola Militar. Serviu, na ocasião, diante das circunstâncias, às tropas governistas do Marechal Floriano, durante a Revolução Federalista de 1893. Ao participar, porém, de movimento de sedição, em 1895 — gênio bravo e bravio —, foi excluído da Escola, o que implicou no seu retorno para Curitiba. Iniciava, assim, quase naturalmente, uma vida inteira dedicada ao jornalismo. Foi dos mais admirados escritores paranaenses. Forma apuradíssima, fez literatura de qualidade e nele, mais do que o jornalista integral, destacava-se o grande poeta: O Sapo, expressivo e esmerado poema, ainda hoje é lembrado com regularidade. Suas obras, todavia, em prosa ou em verso, não mereceram reedições. Infelizmente, são encontráveis apenas em raras bibliotecas.

Juntamente com Emiliano Perneta, fundou o Centro de Letras do Paraná. Ficou conhecido, informalmente, como Príncipe do Jornalismo Paranaense, com merecimento, título legado mais tarde a Raul Rodrigues Gomes, seu discípulo no antigo Diário da Tarde, reconhecida escola de letras comandada por Bandeira. Participante do movimento simbolista, teve em Silveira Netto o grande mentor. Faziase presente em todas as revistas literárias, de arte e de gênero, que na medida surgiam: Clube Curitibano — talvez a mais importante pela popularidade e tempo de duração — Pallium, O Sapo, Fanal, Electra, Azul, Turris Ebúrnea e Stellario.

Tem publicados: Heréticos, 1901; A Mulher e o Romanismo, 1901; Ditirambos, 1901; Velhas Páginas, 1903; Versos Piegas, 1903; Ouropéis, 1906; Colcha de Retalhos, revista teatral escrita com Generoso Borges, José Gelbecke e Serafim França em 1906, representada no Teatro Guaíra; Troças e Troços, 1909; O Monstro — novela; Respingos Históricos, 1939; Prediletos, 1940 e Crônicas Locais, 1941.

Euclides Bandeira exerceu papel decisivo e influente na literatura paranaense. Sua atuação merece ser apreciada com respeito e profundidade, face à época e aos fatores circunstanciais. Faleceu em Curitiba no dia 26 de agosto de 1947. É um dos fundadores da Academia Paranaense de Letras. (VHJ)

1º Ocupante

José de Sá Nunes (1893-1954)

Nasceu na Bahia em 7 de junho de 1893. Aos 27 anos de idade ligou-se ao Paraná, ao ingressar na magistratura como juiz de direito substituto da Comarca de Castro. Militava na advocacia. Foi também promotor público de União da Vitória. Nessas funções, tomou conhecimento da publicação, em 1921, de editais de um concurso em Curitiba para provimento da cadeira de português no antigo Ginásio Paranaense. Inscreveu-se, concorrendo com os notáveis e célebres Pe. Eurípedes Olímpio de Oliveira e Sousa e Fernando Moreira. Nesse memorável concurso o candidato baiano saiu vitorioso, fixando, desde então, resistência em Curitiba. Abandonou de vez a magistratura e entrou para o quadro de professores do Ginásio Paranaense. Dois anos depois seria nomeado catedrático da Escola Normal Secundária de Curitiba, da qual também foi diretor.

Polemista e conferencista católico, sua bibliografia filológica é extensa. Em 1939, o governo de São Paulo o contratou para lecionar a disciplina de filologia portuguesa na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. No Rio, fundou, com Cláudio de Sousa, o PEN Clube do Brasil. Foi colaborador da Revista da Língua Portuguesa, do jornal Correio da Manhã. Representando o Brasil, compareceu ao 4° Congresso Internacional de Lingüistas, na Universidade de Copenhague, ao lado de luminares como Ramiz Galvão, João Oiticica, Antenor Nascentes e Laudelino Freire. Foi quando a Academia Brasileira de Letras lhe fez convite para colaborar nos trabalhos pertinentes ao acordo ortográfico firmado com a Academia das Ciências de Lisboa, surgindo desse trabalho o Vocabulário Ortográfico da ABL.

Discípulo dileto de Carneiro Ribeiro e admirador de Rui Barbosa, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística o convocou para uma função técnica, a feitura dos topônimos, como O Topônimo Goiás, que denota conhecimento de história, geografia e até lingüística indígena e pode ser classificado entre os mais completos e criteriosos que têm aparecido. Redator da nossa Constituição Federal de 1946, foi combatido, incompreendido e até perseguido. Ao escrever suas obras didáticas, ao elaborar os seus anteprojetos de ortografia, ao pesquisar incansavelmente sobre topônimos indígenas ou ao se deter na investigação dos arcaísmos, manteve sempre a dignidade de mestre, longe de grupelhos literários. Morreu prematuramente, aos 61 anos de idade, no Rio de Janeiro, em 1954. (WB)

2º Ocupante

Faris Antônio Salomão Michaele (1911-1977)

Nasceu em Mococa (SP) em 3 de setembro de 1912. Era filho de Antônio Salomão e Rosa Jorge Michaele, ele poliglota (falava português, espanhol, italiano, árabe, russo e grego antigo). O filho seguiu-lhe o exemplo, dominando vários idiomas. No Colégio Regente Feijó, em Ponta Grossa, cidade em que se criou, fundou o Grêmio Literário Visconde Taunay, bem como a biblioteca e o jornal O Fanal.

Diplomou-se pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná. Instalou ainda em Ponta Grossa o American Reading Room para o ensino do inglês, assim como o Centro Cultural Brasil-Estados Unidos. Aposentou-se como professor do Colégio Regente Feijó. Foi dos fundadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, onde lecionou antropologia, língua tupi, literatura hispano-americana, etnografia, além do português, francês e castelhano. Tornou-se presidente perpétuo do Centro Cultural Euclides da Cunha e diretor da revista Tapejara. Foi um dos fundadores da Faculdade de Direito de Ponta Grossa, na qual regeu a disciplina de Introdução à Ciência do Direito. Foi brilhante pela sua cultura e pelas qualidades didáticas. Escritor de alto mérito, a sua obra, Ensaios Contemporâneos, mereceu enormes elogios da crítica especializada. O seu livro Titãs de Bronze reuniu poesias em quatro línguas. Em Breve Introdução à Antropologia Física mostrou-se profundo conhecedor da matéria.

Suas obras Arabismos entre os Africanos da Bahia, Em Abono de Euclides da Cunha e Ameríndios e Africanos revelam, entre outras, notável polivalência na abrangência de temas complexos. O seu Manual de Conversação da Língua Tupi oferece bem a idéia de suas qualidades de professor da disciplina, pela coordenação que soube imprimir às vinte lições em que divide a gramática. Seu nome ultrapassou o âmbito provinciano e está ligado a grandes entidades culturais das Américas e do Velho Mundo, notadamente no campo da antropologia. Exerceu atividade cultural intensa. Faleceu em Ponta Grossa no dia 21 de maio de 1977. Ao ingressar na APL, em 25 de março de 1968, foi saudado pelo acadêmico Osvaldo Pilotto. (TV)

3º Ocupante

Ernani Costa Straube (1929)

Nascido em Curitiba, em 28 de Janeiro de 1929. Filho do notável mestre Guido Straube e de Myriam Costa Straube. Fez o curso primário na Escola Seiler, em Curitiba, completando os estudos do primeiro e segundo graus no Colégio Estadual do Paraná. Em 1951, recebeu o diploma de farmacêutico pela Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Paraná e, em 1954, matriculou-se na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da PUC.

Dedicou-se exclusivamente ao ensino, ao magistério, seguindo a tradição paterna. Na vida profissional, desempenhou, entre outros cargos, o de monitor da cadeira de Farmácia-Química do Curso de Farmácia da Universidade, o de farmacêutico-chefe da Cooperativa dos Ferroviários Catarinenses, em Mafra (SC), e também o de oficial farmacêutico do Serviço de Saúde do Exército. Na área educacional, atuou como professor do Colégio Estadual Caetano Munhoz da Rocha, em Rio Negro, do Colégio Estadual Pedro Macedo, do Colégio Estadual do Paraná e da Escola Técnica Federal do Paraná. Exerceu os cargos de diretor do Colégio Estadual do Paraná, da Escola Superior de Polícia Civil, Chefe do Grupo Auxiliar de Planejamento do Departamento de Polícia Civil, Coordenador Pró-Memória da Associação Franciscana de Ensino Bom Jesus de Curitiba e presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, nas gestões 1970/71 e 2009/11. Em maio de 2011 foi eleito para mais um mandato na entidade.

Também exerceu o cargo de secretário do Centro de Letras do Paraná. É associado do Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá, do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro e do Colégio Brasileiro de Genealogia do Rio de Janeiro. Patrono da Cadeira no 13 da Academia Paranocatarinense de Letras – Rio Negro/Mafra. Possui diversas condecorações conferidas por decreto do Governador do Estado, pela Polícia Militar do Paraná, pelo Corpo de Bombeiros do Paraná e pela União dos Escoteiros do Brasil.

Estudioso da Heráldica e Medalhística, publicou, em 1966, Manuel da Fonseca Lima e Silva — Barão de Suruhí. Pela Imprensa Oficial do Estado, lançou, em 1987, Símbolos do Paraná: Evolução Histórica. Em 1990, publicou O Prédio do Gymnásio (1903-1990); em 1993, Do Liceo de Coritiba ao Colégio Estadual do Paraná (1846-1993); em 2002, Símbolos – Brasil, Paraná e Curitiba – Histórico e Legislação; em 2003, Polícia Civil – 150 anos; em 2006, Biblioteca Pública do Paraná – Sua História. Em 1992, publicou sua obra de exaltação filial: Guido Straube: Perfil de Um Professor. Em preparo, Administração de Portugal – 1185 a 2011 e do Brasil – 1822 a 2011 e O Navio Pirata de Cotinga – 1718. Foi empossado na APL no dia 26 de abril de 1995, saudado pelo acadêmico Metry Bacila. (WB)