Cadeira 16 – Paulo Sérgio da Graça Torres Pereira

Patrono

Brasílio Itiberê da Cunha (1846-1913)

Nascido em Paranaguá, em 1° de agosto de 1846, foi musicista e escritor. Irmão de Monsenhor Celso, iniciou sua carreira de diplomata em 1870, como adido da Legação em Berlim. Também em Berlim encerrou a carreira, anos depois, nas funções de enviado extraordinário e ministro plenipotenciário.

Grande divulgador de nossa terra e de nossa cultura. Foi tamanho seu prestígio que chegou a reunir em sua casa berlinense, numa só noite, três virtuoses do piano, Liszt, Rubinstein e Sgambati ocasião em que o autor de Rapsódias Húngaras executou a serenata Sertaneja, do biografado. Verdadeiro precursor da música genuinamente brasileira, pianista e compositor, residindo por muitos anos nos diversos países para onde era nomeado, Brasílio aproveitou o seu nomadismo para dar ao intercâmbio artístico os resultados mais proveitosos. Não se limitou a ser músico. Suas monografias sobre assuntos econômicos, comerciais e industriais contam-se às dezenas. E a sua obra, em dois volumes, Economia Social e Expansão Econômica, registra toda essa magnífica atuação no Congresso Mundial de Expansão Econômica reunido em Bruxelas. Escreveu para a revista alemã Der Musik longo trabalho sobre A Música, as Artes e a Literatura no Brasil. Participou de uma viagem ao Egito, até as últimas cataratas do Nilo, acompanhando o célebre Gordon Pacha. Seu irmão João Itiberê da Cunha, musicista, poeta e crítico musical, quando do centenário de nascimento de Brasílio, assim se exprimiria: o prestígio cultural de Brasílio adquirira enorme poderio, não apenas para ele, mas especialmente para os músicos e os escritores da sua pátria, que ele tornava conhecidos e apreciados. Esqueciam-se, esses singulares concorrentes, de acrescentar que, a par da música, não havia diplomata mais operoso, mais patriota e que tivesse prestado mais assinalados serviços ao seu país.

Em 11 de agosto de 1913, em Berlim, após uma indisposição durante a grande parada militar de verão, em Tempelhov, morreu na mesa de operações, em seguida a uma trepanação. Seus despojos foram transportados por um navio de guerra alemão de volta ao Brasil. (WB)

Fundador

Paulo Ildephonso d’Assumpção (1868-1928)

Nascido em Curitiba, em 15 de fevereiro de 1868, filho do Coronel Manoel Eufrásio d’Assumpção, comandante por muitos anos da Polícia Militar do Estado, então Regimento de Segurança, e Germina Veloso d’Assumpção. Depois de aprender as primeiras letras com sua mãe, fez o curso secundário no Instituto Paranaense, aí revelando seus dotes de desenhista. Partiu para o Rio de Janeiro em 1886, resolvido a estudar Engenharia. Mas em contato com a Escola de Belas Artes, abandonou sua carreira inicial para se dedicar inteiramente às artes. Aluno dos irmãos Bernardelli, Rodolfo e Henrique, e também de Rodolfo de Amoedo, fez o curso de Escultura, durante o qual conheceu Cândida Klier, carioca, filha de alemães, com quem casou era a única mulher a freqüentar, então, a Escola de Belas Artes. Diretor do Arquivo Público e da Repartição de Estatística do Estado, sua maior glória foi a de ser o fundador e primeiro diretor da Escola de Aprendizes Artífices. Ali criou um processo de tratamento da erva-mate e inventou uma jangada de tubos ocos, movida a hélice aérea.

Professor de desenho do Ginásio Paranaense, sua inclinação para a música influenciou a vinda para Curitiba de várias companhias de teatro e até a de músicos famosos que aqui se radicaram. Daí a sua permanente presença nos jornais curitibanos, analisando a atuação de instrumentistas, declamadoras e cantores que encantavam as platéias curitibanas. Oficial de gabinete de três presidentes do Estado do Paraná, jornalista fluente, autor da nossa bandeira, legalizada pela Constituição de 1893, e do escudo da Universidade do Paraná, tomou parte na Revolução Federalista, ingressando como praça no Batalhão 23 de Novembro, combatendo em Paranaguá o que lhe conferiu o posto de capitão honorário. Membro do Centro de Letras e da antiga Academia de Letras do Paraná nesta fez o elogio do seu Patrono, Brasílio Itiberê, em sessão de 13 de maio de 1924 incursionou ainda na área teatral, com os dramas A Taça do Amor (1917) e Bennot. Faleceu em Curitiba a 28 de fevereiro de 1928. (WB)

1º Ocupante

Benedito Nicolau dos Santos (1879-1956)

Curitibano, nascido em 10 de setembro de 1879, após realizar seus estudos primários e secundários em colégios locais, freqüentou o Conservatório Livre de Darbili, no Rio de Janeiro. Dotado de excepcional inteligência e criatividade, logo se identificou com a parte teórica da música, agindo como verdadeiro reformador da grafia musical, por meio dos trabalhos Pauta Sintética e Pauta Sinfônica. Sua obra culminou com o lançamento do livro Sonometria e Música, em quatro volumes, publicados entre 1933 e 1936, obra-prima da sua genialidade musical, única no gênero no país, ainda que parte dela continue inédita.

Professor, funcionário da Fazenda Federal, musicista de renome, compositor, poeta, prosador, revistógrafo, conferencista, foi um dos fundadores do Círculo de Estudos Bandeirantes, além de membro do Centro de Letras do Paraná. Injustiçado, não compreendido por seus contemporâneos, representou um marco glorioso dentro do panorama cultural e artístico paranaenses. Em suas obras, destacam-se comédias como Erros do Coração, Lição de Amiga, O Homem de Saias (1932) e O Voto Feminino (1928), estas duas últimas encenadas pela Sociedade Teatral Renascença.

Colaborou na imprensa curitibana, inclusive sob o pseudônimo de Jack-Lino, com deliciosos contos estampados nas páginas do Correio dos Ferroviários. Compositor, contam-se às centenas suas barcarolas, mazurcas, marchas, xotes, tangos e polcas, com letras de renomados poetas conterrâneos. Suas operetas, O Marumbi, A Vovozinha (libreto de Emiliano Perneta), A Pequena Cantora (libreto de Leôncio Correia) e Rosa Vermelha (libreto de José Gelbecke), fizeram sucesso em suas apresentações em palcos curitibanos. Aos 77 anos de idade, faleceu em Curitiba, em 9 de julho de 1956, deixando viúva Dona Maria Luísa e dez filhos. O Centro de Letras reverenciou sua memória na oração de seu filho, também centrista e acadêmico, Benedito Nicolau dos Santos Filho, legítimo sucessor da obra intelectual do pai. (WB)

2º Ocupante

Bento João d’Albuquerque Mossurunga (1879-1970)

Nascido em Castro em 6 de maio de 1879, revelou desde cedo sua vocação para a música, passando a dominar a violinha sertaneja e o violão. Com 16 anos de idade mudou-se para Curitiba, onde trabalhou no comércio e passou a cursar o Conservatório de Belas Artes. Tornouse membro do Grêmio Musical Carlos Gomes, tocando piano no café-concerto de Ricciardella o restaurante, pensão e café Guarani, na Rua XV, local onde se reuniam artistas e intelectuais.

Compôs o Hino do Paraná em 1903 e, no ano seguinte, a Marcha Militar 19 de Dezembro, além da mazurca Ingrata. Com a valsa Bela Morena, Mossurunga deu uma guinada em sua vida de rapaz pobre. Inspirada numa jovem curitibana, a valsa foi enviada para a revista carioca O Malho. Aprovada e publicada a partitura, seus amigos, entusiasmados, se cotizaram, conseguindo duzentos mil réis para comprar-lhe a passagem de Paranaguá para o Rio de Janeiro. Mossurunga viajou com reduzida bagagem: a malinha de mão e a caixa de violino. Chegou à Cidade Maravilhosa em 9 de setembro de 1905. Ao passear pelo centro da cidade, surpreendeu-se ao ouvir os últimos acordes de Bela Morena, executada pela orquestra de um tradicional café-concerto do Largo do Rocio, hoje Praça Tiradentes. Apresentou-se como o autor da música, sendo recebido entre vivas e abraços.

No Rio matriculou-se no Instituto Nacional de Música, diplomando-se em 1909, com distinção, no curso de violino. Conviveu com grandes figuras do meio musical, como Francisco Braga e Villa Lobos. Voltou para Curitiba em 1930. Fundou a Orquestra Estudantil de Concerto e organizou a Sociedade Orquestral Paranaense. Compôs muito com letras de autores paranaenses, como Correia Júnior, José Cadilhe, Heitor Stockler, José Gelbecke e Ciro Silva. Em 31 de março de 1947, Moysés Lupion estabeleceu que o Hino do Paraná, letra de Domingos Nascimento, seria o Hino Oficial do Paraná. Faleceu em Curitiba em 23 de outubro de 1970, aos 91 anos de idade. Foi a alma inspiradora do sentimento musical paranista. (WB)

3º Ocupante

Benedito Nicolau dos Santos Filho (1914-1987)

Nascido em Curitiba em 9 de maio de 1914, fez o primário no Colégio Bom Jesus e, em Paranaguá, no Nossa Senhora do Carmo, o secundário no Ginásio Paranaense de Curitiba e o curso de Direito na Universidade do Paraná, nela colando grau aos 23 anos de idade. Lecionou em vários educandários e, como professor universitário, a cadeira de português do Curso de Jornalismo nas Faculdades de Filosofia da Universidade Federal e da Universidade Católica. Membro do Centro de Letras do Paraná, foi presidente no biênio 1972 — 1974 e vice-presidente nos dois anos seguintes. Secretário-geral do Conselho Diretor do Círculo de Estudos Bandeirantes e sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, católico fervoroso, participava da missa das 17 horas na Igreja Nossa Senhora do Rosário, quando acolitava o Padre Afonso de Santa Cruz.

Casou em 1940 com Anunciata, que lhe deu quatro filhos. Estudioso do nosso folclore, interessado na arte musical, legou uma bibliografia interessante: Discurso de Paraninfo (1956); O Mundo que Sonhamos e a Família (discurso de paraninfo, 1958); Fascinação das Manchetes (tese, 1966); Mensagem Jubilar (1966); Três Histórias Diferentes (contos, 1969); Lendas e Tradições do Paraná (1972); Hipólito José da Costa Arquiteto de Idéias (ensaio, 1973); Aspectos da História do Teatro na Cultura Paranaense (1979); Mitos e Heróis do Folclore Paranaense (1979). A publicar, deixou uma dezena de obras, abordando seu tema preferido — o folclore — como Heróis e Mitos Indígenas do Folclore Paranaense, O Folclore no País Verde dos Pinheirais e O Folclore dos Chafarizes e Aguadas de Curitiba Antiga.

Também contista, foi farta sua colaboração em jornais e revistas paranaenses, às vezes acobertado sob o pseudônimo Jacklino das Araucárias. Tomou posse na Academia em 1975, recepcionado por Dario Nogueira dos Santos. Seu final de vida foi doloroso, acometido de um acidente vascular cerebral. Morreu em Curitiba em 21 de junho de 1987. (WB)

4º Ocupante

Alceo Ariosto Bocchino (1918-2013)

Nasceu em Curitiba, dia 30 de novembro de 1918, filho de Pedro Bocchino e Albina Reffo Bocchino. Asseveram os entendidos que ele tem, possivelmente, o melhor currículo da música erudita brasileira. Começou como pianista. Na revista Referência (Artes no Paraná II), consta que, em janeiro de 1937, aparece ao lado de João Poeck, num concerto, no qual executaram peças originais: Prelúdio e Fuga, em mi menor, do seu parceiro; e a Sonata em Ré Maior, de Mozart. Sua condição de regente também se encontra registrada nos documentos da época. O programa é de 25 de outubro de 1935 e refere-se à apresentação, em Curitiba, da ópera Tosca, de Puccini. Compositor, em 1950 a Sociedade de Cultura Artística Brasílio Itiberê promoveu um festival de obras da sua autoria, tendo por intérprete a cantora Cristina Maristany, o violoncelista Iberê Gomes Grosso e o próprio, ao piano.

Ele tinha seis anos quando foi a São Paulo aperfeiçoar-se nos estudos musicais com Camargo Guarnieri (composição) e Dinorah de Camargo (piano). Depois, ensinou no Conservatório de Santos e trabalhou em emissoras paulistas. Residiu no Rio de Janeiro a partir de 1946. Tornou-se dos maestros mais conceituados do cenário musical brasileiro. Além da orientação de Camargo Guarnieri, recebeu a influência dos mestres Villa-Lobos e Francisco Mignone. Assistente do maestro Eleazar de Carvalho na Orquestra Sinfônica Brasileira. Posteriormente, presidente da Comissão Artística, dirigindo a mesma orquestra na qualidade de titular. Foi dos seus fundadores, ao lado de outros virtuoses.

Nos anos 60 e 70 participou de diversos cursos pelo exterior, onde regeu orquestras como a Sinfônica de Bilbao, a Filarmônica de Lisboa e a Orquestra Sinfônica de Sófia. Em 1974 viajou com a Orquestra Sinfônica Brasileira pela Europa. Apresentou-se também em Buenos Aires e Montevidéu com ampla aceitação pública. Realizou importantes concertos, como o Festival Beethoven, a convite de Eleazar de Carvalho. Regente da Orquestra Sinfônica da UFPR, é um ícone da nossa cultura musical. Tomou posse na APL no dia 23 de novembro de 1994, saudado pelo acadêmico Noel Nascimento. Faleceu no Rio de Janeiro no dia 8 de abril de 2013. (TV)

5º Ocupante

Paulo Sérgio da Graça Torres Pereira

Violinista, maestro e professor de renome internacional diplomou-se em violino pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná, BR. Fez Bacharelado em Educação Musical (BSMED) pela Tennessee Technological University, USA, Mestrado em Música (MMUS) pela Andrews University, USA e Doutorado em Artes Musicais (DMA) pela Michigan State University, USA. Fez cursos de extensão nas seguintes universidades: Virginia Commonwealth University USA, Indiana University em Bloomington USA, Western Michigan University em Lausanne SUÍÇA, University of Michigan, USA, University of Oxford, UK e MIT- Massachusetts Institute of Technology, USA.

Realizou mais de 2500 concertos como spalla, solista e regente de inúmeras orquestras profissionais nas Américas e na Europa. Participou do corpo docente de várias universidades norte-americanas e de festivais internacionais de música.

“O maestro é membro do “American String Teacher’s Association”, “Conductor’s Guild”, “American Symphony Orchestra League”, “The Britannica Society”, “National Geographic Society”e das seguintes sociedades internacionais de honra ao mérito: “American Biographical Institute”, International Biographical Center”, “Kappa Delta Pi “, “Phi Kappa Lambda”, “Phi Beta Delta” e “Phi Kappa Phi”.