Cadeira 18 – Laurentino Gomes

Patrono

Joaquim de Almeida Faria Sobrinho (1847-1893)

Joaquim de Almeida Faria Sobrinho nasceu em 13 de agosto de 1847, na Fazenda Rio Verde (município da Lapa, então Vila do Príncipe). Era filho do padre Inácio de Almeida Faria e Sousa. Após o estudo das primeiras letras, transferiu-se para Sorocaba e em seguida Minas Gerais, onde ingressou no Colégio Baependi. Retornando a São Paulo concluiu o curso fundamental no Atheneu Paulistano. Matriculou-se, então, na Faculdade de Direito, formando-se em 1868. Face ao brilho de seu desempenho, recebeu o título de sócio benemérito do Núcleo Jurídico de São Paulo. Regressou ao Paraná um ano após, sendo nomeado promotor público da capital. Atraído pela política, elegeu-se deputado provincial por várias legislaturas. Político, jurista e professor, lecionou história, geografia, francês, filosofia e retórica, no antigo Liceu Paranaense. Aos 38 anos de idade, na condição de vice-presidente da Província do Paraná, assumiu interinamente o governo por um ano, sendo depois disso nomeado para o mesmo cargo por ato do Imperador, em 1886.

Desapegado a cargos e honrarias, recusou convite do gabinete Cotegipe para a presidência da Província de Alagoas, preferindo a sua cátedra e a companhia dos livros que muito o fascinavam. Como administrador demonstrou larga visão dos problemas da Província, estimulando os movimentos de imigração, a fundação de colônias e a disseminação de escolas. Desde o início da sua maturação política, mostrou-se insubmisso à crueza da legislação criminal da época, e, dada a versatilidade que revela no estudo de todos os campos do direito, mobilizou seus contemporâneos para a codificação do Direito privado brasileiro. Esse movimento se alastrou pelo país, em ondas que se avolumaram no curso dos anos, e de cuja vitória final não compartilhou em vida, pois tais anseios só se concretizaram nos pródromos do século XX.

Orador fluente e culto, arrebatava os auditórios nas preleções literárias, ou nas alocuções jurídicas. Combateu veementemente a pena de morte, considerando-a iníqua e bárbara. Mal havia completado 46 anos quando faleceu em Paranaguá, no dia 11 de setembro de 1893. Passou à História como Presidente Faria. (TV)

Fundador

Hyppolyto Pacheco Alves d’Araújo (1869-1946)

Nasceu na antiga Vila do Príncipe, atualmente Lapa, em 12 de janeiro de 1869, com ligações de parentesco, do lado materno, com o Barão dos Campos Gerais por ele biografado. Afilhado do Conselheiro Dr. Jesuíno Marcondes de Oliveira e Sá, também Patrono desta Academia, após o curso primário fez os preparatórios no Rio, concluindo o curso de Humanidades no antigo Instituto Paranaense. Matriculou-se na tradicional Faculdade de Direito de São Paulo, onde recebeu o grau de bacharel na mesma turma de Afrânio de Melo Franco e Otávio do Amaral, em 1888.

Nos primeiros tempos de formado dedicou-se à advocacia, chegando a participar do grupo que fundaria a Faculdade Livre de Direito do Rio, em 1891, primeiramente instalada numa das dependências do Mosteiro de São Bento. Espírito superior e culto, a diplomacia o seduziu e, em 1896, nomeado adido de legação em Londres, começou sua vida itinerante no exterior. Um ano depois, indicado para secretariar a Missão Especial que o Brasil enviara à Inglaterra, por ocasião do sexagésimo aniversário do reinado da Rainha Vitória, recebeu a condecoração comemorativa de tão magna data. A convite do Barão do Rio Branco, deixou Londres em 1898 para aceitar o cargo de Secretário da Missão Especial que conquistaria para o Brasil a grande vitória do Amapá. Serviu na Suíça, em Paris, em Montevidéu. A seguir, foi nomeado secretário da embaixada especial que foi ao Chile representar o nosso país no Centenário da Independência Chilena. Em 1912, foi elevado a Conselheiro e encarregado de negócios do Brasil na Alemanha. Em plena 1a Guerra Mundial, foi promovido a Ministro. Andou por Noruega, Dinamarca, Pequim, Madri, até que, em 1928, alcançou o alto posto de sua carreira, o de Embaixador do Brasil em Tóquio. Em 1931 pediu para ficar em disponibilidade, aposentando-se pouco mais tarde. Fixou residência no Rio onde faleceu em maio de 1946.

A Academia Paranaense de Letras, num gesto de reconhecimento ao seu valor, incluiu o nome de Hippolyto como Fundador da Cadeira n°18, antes ocupada por Lacerda Pinto o qual nobremente concedeu-lhe o lugar, ficando como seu sucessor e primeiro ocupante. (WB)

1º Ocupante

Manoel de Lacerda Pinto (1893-1974)

Filho de Manoel Rodrigues Pereira Pinto e Rita de Lacerda Pinto, nasceu em 4 de dezembro de 1893, na cidade da Lapa. Jurista e político, poeta e prosador. Pertencente à elite cultural do Paraná, foi um dos fundadores do Círculo de Estudos Bandeirantes. Teve importante atuação nos episódios que antecederam a criação da primeira Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, juntamente com José Farani Mansur Guérios, Bento Munhoz da Rocha Neto, Pe. Jesus Ballarin Carrera, Sá Nunes, Brito Pereira, Pedro Macedo e Loureiro Fernandes. Na condição de deputado federal, participou da Assembléia Nacional Constituinte de 1934.

Ao regressar a Curitiba, advogou junto ao escritório do notável jurista Marcelino Nogueira. Exerceu, a seguir, interinamente, a procuradoria geral da República. Em 1937, foi nomeado pelo interventor Manoel Ribas para as funções de procurador-geral do Estado, depois Secretário de Estado do Interior e Justiça. Em 1941, foi nomeado desembargador do Tribunal de Justiça, onde exerceu a presidência, inclusive a do Tribunal Regional Eleitoral. Aposentou-se em 1963, após meritório desempenho no exercício das funções jurisdicionais. Dedicou-se ao magistério. Foi um dos fundadores da Universidade Católica. Lecionou na Universidade Federal do Paraná e no antigo Instituto de Educação. Voltado à atividade literária, participou intensamente dos movimentos de vanguarda e na administração de entidades culturais, notadamente no Círculo de Estudos Bandeirantes e Centro de Letras. Prosador e poeta, manteve permanente colaboração nos jornais O Dia e Gazeta do Povo, através da qual deixou marcas da erudição e do talento. Publicou um livro de poesias, Fonte Rústica, recebido favoravelmente pela crítica especializada. Faleceu em Curitiba no dia 15 de fevereiro de 1974. É considerado fundador da APL. (VHJ)

2º Ocupante

Francisco da Cunha Pereira Filho (1926-2009)

Nasceu em Curitiba no dia 7 de dezembro de 1926, filho do desembargador Francisco Cunha Pereira e de Julinda Ferreira da Cunha Pereira. Fez o curso fundamental no Grupo Escolar Barão do Rio Branco e Colégio Santa Maria. Formou-se em Direito em 1949, Turma Rui Barbosa, após intensa militância acadêmica, em que se elegeu conselheiro da União Paranaense dos Estudantes e primeiro presidente do Diretório Central dos Estudantes e, como tal, primeiro representante dos estudantes junto ao Conselho Universitário.

Destacou-se nos estudos. Na solenidade de graduação na Universidade Federal do Paraná, foi contemplado com o Prêmio Brigadeiro Franco. Tornou-se um dos fundadores da Campanha Nacional de Educandários Gratuitos, no Paraná. O Ginásio João Cândido (nome de seu avô materno, médico, professor e ex-presidente do Estado) foi a primeira unidade implantada, que já formou milhares de alunos. Lecionou na Universidade, como catedrático interino, as cadeiras de Ciências das Finanças, Direito Internacional Privado e Previdência Social, no curso de Legislação Sindical, e Prática Jurídica Civil e Comercial na Escola Técnica São José. Advogado militante, tomou parte em vários processos de larga repercussão no Estado, notadamente no Tribunal do Júri.

Foi eleito e reeleito, sucessivamente, conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil, Secional do Paraná. Exerceu a presidência do Instituto dos Advogados do Paraná, em 1969. Acumulou durante sua carreira as funções de jornalista e advogado. Assumiu a direção do jornal Gazeta do Povo em 1962. Na TV Paranaense, emprestou modernidade e dinamismo ao jornalismo regional. Graças à visão empresarial, tornou-se líder de várias campanhas de proteção do Estado, escrevendo editoriais históricos, entre os quais aqueles em que pugnou pela defesa da integridade do território paranaense, constantemente ameaçado por movimentos de caráter separatista. Foi dele a iniciativa pela cobrança de royalties, devidos pela União ao Paraná, em razão da desapropriação de terras paranaenses para a construção da unsina de Itaipu, enfim bem sucedida.

Em todos os seus atos manteve a tônica da preservação da tradição e da história, o que conferiu bem a medida do seu interesse pela cultura. Tomou posse na APL no dia 17 de novembro de 1998, saudado pelo acadêmico Lauro Grein Filho. Faleceu em Curitiba em 18 de março de 2009. (TV)

3º Ocupante

Laurentino Gomes (1956)

Laurentino Gomes nasceu em Maringá, em 17 de fevereiro de 1956, filho de João Ignácio Gomes e Maria Ascenção Gomes. Cursou o ensino primário no Grupo Escolar de Água Boa, município de Paiçandu. A seguir, durante três anos, foi seminarista da ordem religiosa Pia Sociedade de São Paulo. Em 1969, completou o curso de Admissão no Grupo Escolar Pérola Byington, em Pérola do Oeste. Com o retorno da família a Maringá, foi aluno do ginasial dos colégios Brasilio Itiberê e Byington Junior, e do Instituto Estadual de Educação, onde completou o ensino secundário. É jornalista formado pela UFPR, em Curitiba, turma 1976.

Iniciou como repórter dos jornais Correio de Notícias e O Estado do Paraná, trabalhando depois na sucursal de O Estado de S. Paulo e da Agência Estado. Foi correspondente da revista Veja em Curitiba e chefe das sucursais da revista em Belém, Recife e Brasília. Transferiu-se para São Paulo em 1988, voltando ao Grupo Estado como editor de O Estado de São Paulo e do Jornal da Tarde. Foi editor-executivo da revista Veja e exerceu diversos cargos de direção no Grupo Abril.

Trabalhou em Portugal em 1999, como consultor editorial da revista Visão, de Lisboa. Fez pós-graduação em Administração pela Universidade de São Paulo (USP), com cursos de especialização nas universidades de Cambridge, na Inglaterra, e Vanderbilt, nos Estados Unidos. Em razão do livro 1808, foi apontado pela revista Época, em 2008, como um dos cem brasileiros mais influentes do ano. É membro titular do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e membro honorário das Academias de Letras das cidades de Maringá e Sorocaba.

Livros publicados: 1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. São Paulo: Planeta do Brasil, 2007; Lisboa: Livros D’Hoje, 2008; 1808, edição juvenil ilustrada. São Paulo: Planeta do Brasil, 2008; Lisboa: Leya, 2008; 1822: como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010; Porto (Portugal): Porto Editora, 2010; 1822, edição juvenil ilustrada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011. Ganhou dois Prêmios Esso de Jornalismo e sete Prêmios Abril de Jornalismo, estes pela revista Veja. Como escritor, recebeu dois Prêmios Jabuti em 2008; ganhou também o prêmio de Melhor Ensaio da Academia Brasileira de Letras, no mesmo ano. Foi condecorado com o Diploma de Colaborador Emérito do Exército Brasileiro (2009); Medalha do Mérito Tamandaré, da Marinha do Brasil (2010); e Ordem Estadual do Mérito do Piauí (2010). Tomou posse na APL em 15 de setembro de 2010, na Unicuritiba, saudado por Eduardo Rocha Virmond (AF).