Cadeira 19 – Carlos Alberto Sanches

Patrono

José Gonçalves de Moraes (1849-1909)

Nasceu em Morretes em 15 de janeiro de 1849. Aos sete anos de idade perdeu o pai, Américo, ficando com sua mãe, Escolástica, a dura tarefa de educar o filho. Começou cedo a trabalhar e já aos 18 anos de idade foi nomeado professor público em sua cidade natal. Tornou-se mais tarde sócio de uma casa comercial com um de seus irmãos. Foi também tabelião, professor, deputado provincial por duas legislaturas, vereador, inspetor escolar em Curitiba, gerente da Caixa Econômica Federal, diretor da Secretaria de Obras Públicas no governo de Santos Andrade. Casou com Francisca e desta união nasceu o filho, Aguilar Moraes, também poeta e prosador. Desde pequeno, revelou inclinação para a poesia e, em 1874, lançou seu único livro, Semprevivas. Interessado pela cultura de seu povo, fundou o Internato Moraes. Inaugurou o primeiro prelo da cidade de Morretes, sendo compositor e impressor do primeiro jornal morretense. Com alguns companheiros criou diversas sociedades literárias e sociais, como Amor ao Estudo, Clube Alfa e Filodramática Morretense. Interessante que a sua veia humorística, alegre, jovial, não combinava com a sua aparência física, homem de estatura mediana, esmarrido, barba rala, de aspecto grave, sorriso parcimonioso, sobrecasaca preta, chapéu côco e nasóculos, embora conversador agradável, ainda que comedido ao falar.

Abolicionista fervoroso, poeta, cronista, tradutor e jornalista, dono de sólida cultura alicerçada num humanismo impregnado de latinidade, lendo, traduzindo e falando com esmero o latim. Colaborador de jornais e revistas, organizou os quatro primeiros números do Almanaque Paranaense. Sua pretensão era a de reunir seus versos no livro Curitibanas, conforme costumava revelar aos amigos na livraria da Impressora Paranaense, na Rua XV. Chegou a escrever a novela realista Maria Clara, datada de 1889, inédita, cujos originais andariam à época em mãos de Raul Gomes. Adoecendo em 1904, retirou-se do ambiente literário curitibano, retornando a Morretes, onde faleceu na terça-feira, 21 de setembro de 1909. (WB)

Fundador

José Gelbecke (1879-1960)

Nascido em Morretes em 4 de agosto de 1879, fez os estudos primários com o mestre Arthur Loyola. Após os exames preparatórios no Ginásio Paranaense, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade do Paraná, bacharelando-se em 1922. Funcionário público do Ministério da Fazenda, serviu em Curitiba na Delegacia Fiscal do Tesouro Federal, sendo figura indispensável nas tertúlias e serões de arte, das reuniões do Clube Curitibano e da Sociedade Thalia. Excelente palestrador e declamador, andava sempre pela Rua XV em bate-papo com amigos. Boníssimo de coração, mesmo sem ser solicitado, socorria com presteza e desinteressadamente aos que necessitavam ou de seus serviços profissionais ou de sua influência no meio social.

Sócio-fundador do Centro de Letras do Paraná e seu orador, são suas inúmeras letras para as melodias de Bento Mossurunga e de Benedito Nicolau dos Santos. Deixou apenas dois livros publicados, Missas, sonetos, 1905, de feição simbolista, aplaudido por Andrade Muricy e, em 1950, Acordes, edição do Centro de Letras. Isto, além de um discurso recepcionando Serafim França na Academia Paranaense de Letras, em sessão solene de 26 de setembro de 1940, nos salões do Clube Curitibano.

Colaborador de praticamente todas as revistas e jornais curitibanos, ligado ao grupo de O Olho da Rua, muitos de seus trabalhos literários andam mascarados sob os pseudônimos G. de Ivone, Xisto e Xisto Pandorga. Incursionou também pela arte cênica com as revistas: Colcha de Retalhos, em colaboração com Serafim França, Euclides Bandeira e Generoso Borges, música de Luís Bastos, representada pela primeira vez no Teatro Guaíra, em 22 de julho de 1906; Coritiba em Cinematógrafo, também com Serafim França e Luís Bastos, apresentada no mesmo Teatro em 11, 26 e 29 de novembro de 1908; e Do Rio Grande a Curitiba!, com Doulival Moura, encenada no Teatro Politeama, em 16 e 17 de dezembro de 1911, pela Companhia Dramática Luso-Brasileira. Octogenário, faleceu em 2 de dezembro de 1960. O Centro de Letras o homenageou em sessão de 26 de fevereiro de 1962, com a inauguração de seu retrato na Galeria da Saudade. (WB)

1º Ocupante

Arildo José de Albuquerque (1914-1974)

Nascido na cidade gaúcha de Santa Maria em 7 de abril de 1914, veio para o Paraná em razão das relações de família mantidas com o interventor Manoel Ribas. Estudante de Medicina na Universidade do Paraná, companheiro de pensão do também saudoso Newton Carneiro, formou-se em dezembro de 1939. Durante o seu curso superior dedicou-se também aos estudos literários, escrevendo para jornais e revistas curitibanas.

Com o diploma de doutor, fixou-se por definitivo no Paraná ao se ligar, pelos laços do matrimônio, com Maria de Lourdes, de tradicional família local e que lhe deu as filhas Beatriz e Lúcia. Ao lado do médico, membro da Secretaria de Saúde Pública do Estado e diretor do Sanatório São Sebastião, na Lapa, coexistiu o intelectual, o jornalista, presente durante anos com os seus Asteriscos na Gazeta do Povo, e o professor. No magistério, o respeitado mestre de Português e de Literatura do Colégio Estadual. Tribuno primoroso, tomou posse no Centro de Letras do Paraná em dezembro de 1958 e, a partir dessa data, teve nele destacada atuação, quer como orador durante diversas diretorias, quer como seu vice-presidente. Na Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, seção do Paraná, destacou-se por meio de conferências, saudações a congressistas e discursos em Congressos Brasileiros.

Deixou publicados trabalhos tais como O Sanatório São Sebastião e o seu Realizador, 1952; Saudações às Debutantes, 1968; Discursos e Contribuições do Escritor Médico à Evolução do Romance Brasileiro, 1968; Discursos, 1972; Membros das Famílias Cordeiro e Alves, 1969; Fruto de Uma Arvore Bem Cultivada, 1972; Dados Biográficos de Manoel Claro Alves, 1972; e Tesouros do Coração, poemas, obra póstuma, 1981. Tomou posse na Academia Paranaense de Letras em 21 de setembro de 1966, recebido por De Sá Barreto. Figura simpática e atraente, faleceu em Curitiba em 28 de abril de 1974. (WB)

2º Ocupante

Joaquim Carvalho (1910-1986)

Militar de profissão, nasceu no Estado do Ceará, na cidade chamada Jardim, bem no meio da Zona do Cariri, em 1910. Poeta e trovador. Fez suas primeiras letras na terra natal, vivendo, nessa época, de maneira integral e inesquecível, conforme seus próprios comentários, dentro do ambiente de influência política e religiosa do Padre Romão Batista.

Com 22 anos aportou em Paranaguá, tendo por destino a cidade de Curitiba. No caminho, de repente, vislumbrou um morro sobranceiro, bonito, que se destacava entre os outros. Disseram-lhe tratar-se do Marumbi. Foi o toque de despertar do coração do poeta na e pela terra paranaense, distante do sertão nordestino que, sem saber ou querer, perdia-o em parte. Na capital do Paraná casou-se com Ivone Menezes de Carvalho, que lhe deu cinco filhos. Integrado o jovem à nova terra, comporia uma trovinha premonitória, sem pretensões, mas que se haveria de realizar: Nasci sob as palmeiras/ do meu velho Ceará,/ morrerei sob os pinheiros/deste grande Paraná. No início da década de cinqüenta ofereceu à literatura sua mais significativa contribuição: o épico Guairacá, em soberbos decassílabos vestidos da clâmide diáfana da indumentária parnasiana. Foi acolhido pela crítica como um trabalho de rara beleza, surpreendente técnica e acurada sensibilidade, em que se assenhorearam o ritmo e a rima. Trata-se da saga do chefe indígena, sua posição política e social diante do consciente senso de posse: Esta terra tem dono! Um exemplar chegado às mãos do general Cândido Mariano Rondon provocou do indianista correspondência dirigida ao autor em que se lê o seguinte comentário: …o tema é dos mais empolgantes na história de nossos brasilíndios.

Cultor da perfeição, em suas mãos o soneto foi trabalhado com rigor de métrica e rima, acrescido da permanente originalidade filosófica. Publicações: o poema Guairacá (1951), épico decassilábico, e Miçangas (1978), coletânea de sonetos e trovas. Deixou vasta e expressiva obra inédita, que permanece sob a guarda da família. Agravando-se o enfisema pulmonar contra o qual lutara por anos a fio, faleceu em 29 de março de 1986, na cidade de Curitiba. Foi recebido na Academia em 20 de setembro de 1982 pelo acadêmico Valério Hoerner Júnior. (VHJ)

3º Ocupante

Carlos Alberto Sanches (1941)

Nasceu em Portugal, em 29 de agosto de 1941, filho de Dino Augusto Sanches e Maria Prazeres Afonso. É naturalizado brasileiro. Formado em Direito e Línguas Clássicas, a atividade principal de Carlos Alberto Sanches tem sido o magistério, por meio do qual percorre o caminho empresarial. Estudou com os freis franciscanos de Blumenau e com os irmãos maristas. Tem na Teologia a especialidade de seus expressivos conhecimentos e acentuada cultura.

Do passageiro e incipiente concretismo vivido por Paulo Leminski no entusiasmo da juventude, assenhorou-se da responsabilidade de educar e traduziu essa obrigação numa renovada visão eclética do beletrismo. Foi, portanto, impetuoso, mas pitoresco como ativo participante no Movimento Vanguarda, por meio do qual se pretendia, com uma poesia concretista associada a possíveis influências do suíço Max Bill, apresentar criações diferentes a partir da realização de uma imagem autônoma, apenas com componentes visuais e tácteis, a negar toda e qualquer expressão ou modelo natural. Um movimento que, pela volatilidade da sua essência e pelas circunstâncias que o cercaram no tempo e no espaço, se assemelharia àquele movimento Futurista inspirado por Marinetti, ocorrido no Paraná no final da segunda década do século passado, cujo expoente maior, assinando-se Oto Di La Nave, foi o notável Valfrido Pilotto. Diante das dificuldades surgidas por um expressivo lapso das nossas leis normativas, que eliminaram, há mais de quarenta anos, o estudo do latim e do francês dos currículos escolares básicos, submeteu-se à tarefa consciente de superar no dia-a-dia essa significante lacuna, que tempos atrás constituía o pilar dos principais valores culturais. Houve por compensar tais deficiências com esforços redobrados, buscando técnicas que, em face de seu desiderato na atividade magisterial, servissem para minorar a adversidade hodierna. Fundou e dirigiu o Centro Educacional Professor Sanches, sucessor do IBEL, Instituto Brasileiro de Ensino e Linguagem, e também o Instituto de Ensino Camões. Seu livro, O Pai, valeu-lhe consagrada premiação nacional. Tem diversas obras em preparo. Sanches sucedeu ao notável poeta Joaquim Carvalho, por coincidência, seu sogro. Tomou posse no dia 23 de abril de 1998, recebido por este signatário. (VHJ)