Cadeira 2 – Ernani Buchmann

Patrono

Cândido Martins Lopes (1803-1871)

Nascido no Rio de Janeiro em 1803. Veio para Curitiba aos 50 anos de idade, trazendo da cidade fluminense de Niterói, próximo à estação das Barcas, a sua oficina tipográfica. Atendia assim ao convite do então presidente Zacharias de Góes e Vasconcelos, um dos mentores da criação da Província do Paraná e seu primeiro presidente.

Em Curitiba, instalou a sua Tipografia Paranaense na Rua das Flores, hoje Rua XV. A idéia prosperou para novo projeto: fazer circular o primeiro jornal paranaense. Contratado pelo governo, destinava-se inicialmente a publicar os atos oficiais da administração pública. Nasceu então o Dezenove de Dezembro, quase uma aventura, e, sem dúvida, uma temeridade para a época, pois a população a cujas necessidades de inteligência se propunha a servir, era na maior parte iletrada e desanimadoramente escassa, acomodando-se folgada em cerca de 300 casas… Seu primeiro número, datado de 1° de abril de 1954, peça rara, encontra-se no Museu Paranaense. No começo, o jornal saía somente aos sábados, mesmo subvencionado pelo governo. O primeiro tropeço do órgão, porém, deu-se na administração do presidente José Francisco Cardoso, ao qual Cândido Lopes, curiosamente, fazia oposição. O jornalista foi demitido do cargo que ocupava e viu cortada a subvenção.

Depois de uma trajetória de altos e baixos, inclusive com sucessivas interrupções, o jornal voltou a circular na condição de diário, em meados de 1884. Cândido Lopes, todavia, não chegou a viver esse novo tempo, pois faleceu em 27 de dezembro de 1871. Seu filho, Jesuíno Lopes, é quem daria prosseguimento à empreitada. Embora tenha prestado inestimáveis serviços ao Paraná, o Dezenove de Dezembro não resistiu às dificuldades financeiras e parou de circular alguns meses após a Proclamação da República. Deixou de existir, mas sua morte não foi melancólica, foi heróica, e seu nome ficou para sempre gravado como parte integrante, não só da imprensa como da história do Paraná. Cândido Lopes escreveu apenas uma obra, Biografia, ou Breve Notícia Sobre a Vida do Muito Humanitário Médico Dr. José Cândido da Silva Muricy, em 80 páginas, editado no Rio em 1879, justamente no ano do falecimento do seu biografado.

Procurador interino da Tesouraria Provincial, juiz de Paz, delegado de polícia e vereador filiado ao Partido Liberal, ao fundar o Dezenove de Dezembro deixaria em suas páginas um manancial de informações que serviriam de fonte aos pesquisadores, tanto da área histórica como da literária e política. (TV)

Fundador

Sebastião Paraná de Sá Sotto Maior (1864-1938)

Filho do Capitão Inácio de Sá Sotto Maior e neto do Coronel de Milícias do mesmo nome, nasceu em 19 de novembro de 1864, em Curitiba. Bacharelou-se em Direito, no Rio de Janeiro. Em Curitiba, lecionou no Ginásio Paranaense, onde se tornou especializado publicista em temas de corografia.

Foi polivalente: professor, diretor do Ginásio Paranaense, da Biblioteca Pública e Museu Paranaense; juiz de Direito, deputado estadual e jornalista. Quando concluía o curso de Direito, alistou-se no Batalhão Benjamin Constant para combater a Armada, que se havia revoltado. Essa atuação valeu-lhe a patente de capitão honorário do Exército Nacional. Exerceu ainda os cargos de superintendente geral do ensino, agente auxiliar do Arquivo Nacional e diretor-geral da Secretaria de Estado do Interior e Justiça. Foi membro do Conselho Superior do Ensino Público no Paraná e catedrático da Universidade do Paraná.

Destacou-se pelos excelentes conhecimentos que possuía sobre Geografia e Corografia do Paraná e do Brasil. Escreveu obras de reconhecido valor, sempre procuradas pelos estudiosos, entre as quais: Esboço Geográfico da Província do Paraná (1889); O Brasil e o Paraná (1903), obra didática com 22 edições; Guia do Comerciante (1903); Os Estados da República (1913); Galeria Paranaense (1922); Efemérides (Revolução de 3 de outubro de 1930) e Países da América. Colaborou assiduamente na imprensa paranaense, publicando estudos e crônicas. Teve desempenho brilhante em todas iniciativas culturais, tornando-se figura indispensável nas tertúlias literárias ou nos duelos tribunícios, graças à sua cultura e inteligência. Foi das figuras mais prestigiosas do seu tempo, tanto no ensino quanto na literatura e na política. Espírita de convicções, duas semanas antes de seu passamento deixou seu anel de rubi a Lauro Schleder, genro e mui dedicado amigo, dizendo que era uma “simples lembrança, após o meu retorno ao planalto da eternidade”. Seu falecimento deu-se em 8 de março de 1938. (TV)

1º Ocupante

Francisco Ribeiro de Azevedo Macedo (1872-1955)

Nasceu em Campo Largo, dia 5 de julho de 1872, filho de João Ribeiro de Macedo e Ana Maria de Azevedo Macedo. Fez o curso fundamental no Colégio Parthenon Paranaense, em Curitiba, e o preparatório no Ginásio Paranaense. Matriculou-se então na Faculdade de Direito de São Paulo, onde obteve o grau de bacharel. Fundou e dirigiu, em 1894, o Instituto Curitibano.

Exerceu diversos cargos públicos: procurador fiscal do Estado, procurador-geral da Justiça, diretor da Instrução Pública, professor de português na Escola Normal e no Ginásio Paranaense. Catedrático de Economia Política e Finanças na Faculdade de Direito da Universidade do Paraná e desembargador junto ao Tribunal de Justiça do Estado. Jurista de inteligência fulgurante, foi um dos autores dos códigos de processo criminal, civil e comercial. Sempre requisitado para oferecer pareceres nas questões judiciais da época. Colaborou com assiduidade na imprensa local, tanto com artigos literários quanto jurídicos e técnicos. Tornou-se colaborador de A Idéia (1888), da revista do Clube Curitibano, Almanaque Paranaense, Diário do Paraná, A República, O Comércio, A Notícia, Diário da Tarde, O Dia e Sonetos Regionais. Constam da sua bibliografia, entre outras obras: Estudos de Direito (1900), Apontamentos Sobre o Ministério Público no Paraná (1900), Autonomia Municipal (1908), Codificação do Processo Criminal (1909), Cooperativas de Crédito de Consumo (1913), Código de Ensino (1915), Código de Posturas de Curitiba (1918), Organização Judiciária do Estado do Paraná (1919), Codificação de Processo Criminal (1919) e Projeto de Revisão dos Códigos de Processo Civil e Comercial (1919).

Dedicou-se também à literatura, tanto em prosa quanto em verso. Dos seus sonetos, o mais conhecido intitula-se De Curitiba a Paranaguá. Fundador do Centro de Letras do Paraná, espírita praticante, autor da belíssima obra Conquista Pacífica de Guarapuava, pai da sempre lembrada educadora Anete Macedo, faleceu, em Curitiba, no dia 12 de maio de 1955. Muito feliz o acadêmico Pereira de Macedo quando, em discurso à memória do biografado, afirmou: Ensinar foi o seu destino. (TV)

2º Ocupante

Osvaldo Pilotto (1901-1993)

Filho de Egídio Pilotto e Luíza Selmer Pilotto. Nascido em Ponta Grossa, em 27 de janeiro de 1901, deteve três diplomas profissionais: o de professor, de engenheiro agrônomo e de engenheiro civil, formado respectivamente pela Escola Normal, hoje Instituto de Educação, e pela Universidade Federal do Paraná. Dedicou-se inteiramente ao magistério. Professor e diretor do Instituto de Educação, catedrático da Universidade, lecionou várias disciplinas ao longo de uma profícua carreira. Dirigiu também a Escola de Belas Artes e a Biblioteca Pública, com igual vocação. Membro de uma família de intelectuais, sempre se inclinou pelo estudo da história e da literatura, escrevendo em jornais e publicando ensaios e monografias. Dos mestres que souberam cultuar o amor paranista, procurou sempre destacar os valores locais, a prata de casa, num esforço de ampla solidariedade. Fez do magistério a sua razão existencial, até aposentar-se. Membro do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, presidente do Conselho Regional de Técnicos de Administração, teve também intensa participação nos conselhos diretivos de instituições culturais.

Conferências e obras publicadas: Cem Anos de Imprensa no Paraná; A Criação da Província do Paraná; Gabriel de Lara; Sinopse Histórica do Paraná; Júlia Wanderley; Notas e Achegas ao Catálogo de Jornais do Paraná; Paranaguá na Imprensa; Antônio Rebouças; A Imprensa do Paraná no Império; Ernesto Luís de Oliveira; João Rodrigues Becker e Silva; Rocha Pombo; Manoel Eufrásio Correia; Ação Urbanística em Curitiba da 5a Comarca de São Paulo; Barão do Serro Azul e Plácido de Castro, o Libertador do Acre. Sua obra sobre História ainda não é encontrada reunida inteiramente em livros, mas existe sobremaneira valiosa em esparsas publicações.

Sua vida, bem vivida desde a adolescência, remarcou-se dessa devoção à ciência e à educação, à prática do bem e da amizade, da paz e da concórdia. Faleceu em Curitiba em 29 de maio de 1993, tendo merecido justas homenagens póstumas, particularmente da Academia Paranaense de Letras. Ao ingressar na APL, em 27 de abril de 1967, foi saudado pelo acadêmico Raul Gomes. (TV)

3º Ocupante

Luiz Romaguera Netto (1935-2004)

Curitibano de 26 de setembro de 1935, filho de Luiz Romaguera Filho e Eloyna Camargo Romaguera, fez seus estudos iniciais em Siqueira Campos e Palmeira, concluindo o segundo grau no Colégio Belmiro César, em Curitiba. Bacharel em Direito pela UFPR, diplomado como técnico em administração de empresas, foi, por muitos anos, advogado do Banco Nacional de Habitação. Como resultado de sua especialização, publica, em 1973, o trabalho Classificação de Cargos na Administração de Recursos Humanos.

Fazendeiro agropecuarista, dividiu sua paixão pela vida no campo com os segredos do automobilismo, algo raro na vida de um intelectual. Mais que tudo, porém, foi um pesquisador da vida e da História paranaense. O resultado de sua pesquisa se materializa nos livros Gertrudes e o Padre Camargo, estudo genealógico (1992); Carambeí – Um Pouco de sua História (1994); Eloyna – A Música Eterna (1995); Curitibanos dos Campos Gerais, crônicas (1996); O Vau do lapó (2000); O Amor Além da Sacristia (2001) e Erro Histórico e Outros Ensaios (2002). Publicou ainda centenas de artigos em jornais e revistas paranaenses.

Seu último livro aborda a criação política do Paraná, tida por muitos historiadores como a emancipação da Quinta Comarca de São Paulo. Romaguera atenta para o que Luiz de França e Almeida já havia mostrado, em 1871: no ano anterior à emancipação, São Paulo havia alterado sua divisão judiciária, passando o Paraná a constituir a 10a comarca, conforme lei estadual de 17 de julho de 1852. Depois, Adir Guimarães e, mais tarde, Júlio Moreira, abordaram o tema. Em vão. A versão oficial da quinta comarca manteve-se. Romaguera publicou seu último livro como um alerta a professores e às novas gerações, no sentido de corrigir a imperfeição histórica.

Foi também pesquisador das origens da nobreza paranaense, estudando brasões e os títulos nobiliárquicos concedidos. Na Academia, fez parte da comissão de editoração da Revista da Academia e organizou o programa Um Escritor na Biblioteca, dirigido à juventude.

Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, Centro de Letras do Paraná, Círculo de Estudos Bandeirantes e Associação dos Amigos do Arquivo Público do Estado do Paraná. Eleito para a Academia em 27 de fevereiro de 1996, tomou posse em 27 de agosto do mesmo ano, saudado pelo acadêmico Luiz Carlos Tourinho. Luiz Romaguera Netto faleceu em Curitiba em 2 de setembro de 2004. (WB)

4º Ocupante

Ernani  Buchmann (1948)

Ernani Lopes Buchmann nasceu em Joinville (SC), em 15 de agosto de 1948, filho de Arino Brazil Cubas Buchmann e Lucília Lopes Buchmann. Cursou o primário no Grupo Escolar Germano Timm e o Curso de Admissão ao Ginásio no Colégio Bom Jesus, ambos em Joinville. Com a transferência da família para Curitiba, estudou no Colégio Santa Maria e no Colégio Estadual do Paraná, formando-se em Ciências Sociais. Componente da Turma 1967/1971 da Faculdade de Direito da UFPR, cumpriu o 2° ano na Faculdade de Direito do Recife, onde viveu algum tempo.

Foi repórter da Rádio Clube Paranaense, revisor da Editora Laudes (RJ) e cronista de inúmeros jornais e revistas, como Correio de Notícias, Folha de Londrina, Panorama, Quem, Atenção, Paraná & Cia., Idéias e Gazeta do Povo, para a qual escreveu, em 2004, com Carneiro Neto e Vinicius Coelho, a série Casos e Acasos do Futebol Paranaense, em 20 fascículos. Trabalhou como produtor e comentarista em emissoras de rádio (Cultura, 96 FM e 91 Rock) e na TV (RIC, Band e SBT/PR).

Iniciou carreira em publicidade em 1972, trabalhando no Rio de Janeiro, dirigindo, depois, diversas agências curitibanas, como Exclam, Master e Get Propaganda. Foi diretor executivo da Fundação Cultural de Curitiba e membro dos conselhos de administração da Fundação Teatro Guaíra e do Museu de Arte Contemporânea do Paraná. Ex-professor da PUCPR e do Curso de Pós-Graduação em Marketing da ESIC, foi também coordenador e orientador na pós-graduação da Unicuritiba. Entre janeiro de 1996 e janeiro de 1998 exerceu a presidência do Paraná Clube, anos em que o clube foi tetra e pentacampeão paranaense.

Livros publicados: Cidades e Chuteiras (1987); O Livro do Truco (1996, 2a edição 2007); Os Heróis da Liberdade (1999); Quando o Futebol Andava de Trem (2002, 2a edição 2004); Onde Me Doem os Ossos (2003); O Ponta Perna de Pau (2005); A Camisa de Ouro (2006), O Caçador de Moscas (2007), O Bogart Curitibano (2008) e O Homem com Dois Lados Esquerdos (2013). A adaptação cinematográfica de seu livro Os Heróis da Liberdade foi exibida na Mostra Internacional de São Paulo, em 2007. Também foram publicados em livro dois de seus roteiros para cinema: Sumiços Delirantes e a edição, exclusiva para investidores, de Sobre Touros e Homens, ambos em 2011.

Foi vice-presidente da Associação Comercial do Paraná em duas gestões e membro de seus conselhos Superior e Político. É membro do Instituto dos Advogados do Paraná e dirige o jornalismo do Sistema Fecomércio Sesc Senac Paraná e da OAB/PR. Recebeu o prêmio de Publicitário do Ano no Paraná, em 1992, o de Publicitário dos 20 Anos do Prêmio Colunistas Paraná (1986/1996) e o de Publicitário Latino-Americano (2007). Foi eleito para a Academia em 24 de maio de 2005, recebido em sessão solene no dia 17 de outubro do mesmo ano, no Clube Curitibano, pelo acadêmico Carlos Roberto Antunes dos Santos. (VHJ)