Cadeira 20 – Luiz Geraldo Mazza

Patrono

Albino José da Silva (1850-1905)

Nasceu em Paranaguá em 19 de janeiro de 1850. Seria tudo na vida, incluindo político, negociante, comissário de polícia, professor, fazendeiro, administrador das capatazias do Porto de Paranaguá, jornalista, fundador de diversos periódicos, deputado estadual, abolicionista ferrenho, republicano, poeta, delegado literário do ensino, prefeito municipal em São Pedro de Itararé, onde fundou o Clube de Leitura, educador e libertador de escravos. E diga-se que no desempenho dessas missões, algumas de enlevo espiritual, outras de sacrifício, sempre se houve com galhardia e brilhantismo. Uma infância cheia de dificuldades e, órfão de pai com apenas cinco anos de idade, bem cedo enfrentou as durezas da vida, passando a residir na casa de um tio que lhe deu tratamento severo e cruel.

Logo que pôde, abandonou a casa de seu tutor, deixando o litoral e alcançando o planalto curitibano em busca de novos horizontes. Em companhia de João Carvalho de Oliveira, dedicou-se ao comércio, seduzindo os clientes a tocar viola ante um círculo de admiradores, daí advindo o apelido de Albino Viola. Mesmo sem ter alisado os bancos escolares, revelou-se poeta e, depois, jornalista, fundando seis jornais pelas cidades por onde passou: O Escolar e O Guaíra, em Campo Largo; O Diabinho, em Curitiba; Pátria Livre e Leitura Popular, em Paranaguá e Ponta Grossa. Publicou um único livro de poesias, Flores Campesinas, alguns folhetos e contos. Casado com a campo-larguense Rosinha, seus nove filhos herdaram-lhe o nome honrado e a inteligência. Cinco deles, Niepce, Zeno, Aldo, Ciro e Alda participaram da fundação do Centro de Letras do Paraná. Entregou-se à tarefa de lutar contra a escravidão chegando, muitas vezes, a ocultar em sua residência os escravos que fugiam do cativeiro, sofrendo pelo gesto altaneiro perseguições políticas.

Certamente um dos mais estusiastas propagandistas do regime republicano no Paraná, fundando, em Paranaguá, o Clube Republicano e o jornal Pátria Livre, este com excelentes colaboradores, como Leôncio Correia e Emiliano Pernetta. Faleceu aos 55 anos de idade, em Ponta Grossa, em 24 de junho de 1905. (WB)

Fundador

José Niepce da Silva (1876-1935)

Nascido em Curitiba em 1° de outubro de 1876, passou a exercer a partir dos 10 anos de idade o ofício de tipógrafo, compondo os periódicos locais das cidades por onde passava sua família, tais como Paranaguá (Pátria Livre), Campo Largo (Escolar) ou Curitiba (Diabinho). Aluno aplicado do Instituto Paranaense, em 1893 inscreveu-se como voluntário do Batalhão Patriótico 23 de Novembro.

Em seguida mudou-se para o Rio. Lá, na Escola Politécnica, recebeu o diploma de engenheiro, com 23 anos de idade. Exerceu funções técnicas na Estrada de Ferro São Paulo Rio Grande e na Leopoldina. Voltou ao Paraná em 1903, casando com Francisca, que lhe deu 11 filhos. Foi nomeado Comissário de Terras e, posteriormente, Chefe de Seção da Câmara Municipal de Curitiba. Continuou sua ascensão na vida burocrática, passando a Diretor de Obras e Viação do Paraná e, no biênio 1912-1913, chegou a Secretário de Estado dos Negócios de Obras Públicas, logo determinando a reabertura da estrada da Graciosa, por 30 anos abandonada. Iniciou o serviço de fundações de colônias nacionais no Irani. Protegeu os índios. E se fez pioneiro, no Brasil, em 1913, do aproveitamento do trabalho de sentenciados no serviço de conservação e construção de estradas. A partir de então, mudou-se para o Maranhão, como Diretor da Estrada de Ferro São Luís-Teresina. Adepto fervoroso da maçonaria, orador, polemista, ao lado de quatro irmãos fundou o Centro de Letras do Paraná. Em 1927, ingressou na Academia de Letras do Paraná, fazendo o elogio do Patrono, no caso seu pai, o abolicionista e republicano Albino Silva.

Interessado pelos problemas e assuntos nacionais, grande autoridade em transportes ferroviários, deixou obras como As Aves, conferência(1906); O Problema da Catequese (1910); Contribuição para o Estudo da Climatologia(1910); Através do Romanismo (1911); Aspectos do Norte (1921); Lauro Sodré (1917) e As Vias Estratégicas para as Fronteiras Meridionais (1930). Redator da revista Ramo de Acácia, presidente e orador do Clube Curitibano, somente nove anos após o seu falecimento, ocorrido no Rio em 26 de setembro de 1935, saiu sua obra histórica Ecos da Revolução de 1893 no Paraná. (WB)

1º Ocupante

Ciro Silva (1881-1968)

Nasceu em Campo Largo em 22 de agosto de 1881, numa casa onde funcionava uma pequena tipografia. Não poderia fugir ao destino. Assim, começou a traçar notícias, artigos e crônicas para as folhas que seu pai, Albino Silva, editava. E isto em localidades diferentes, tais como Paranaguá, Curitiba, Morretes e Ponta Grossa. Interessante o fato de que só depois dos 35 anos de idade se lhe manifestaria a veia poética.

Boêmio, carnavalesco, secretário-geral do famoso bloco Clube dos Puritanos, orador popular, advogado, violonista, tocador de gaita de boca executava até trechos operísticos de O Guarani poeta, vereador, professor da Escola de Artífices do Paraná, cargo no qual se aposentou, mostrou-se um espírito irrequieto, sempre a carregar debaixo do braço ou nas mãos um livro ou um maço de jornais, alguma coisa que o impedisse de movimentar em excesso seus membros superiores, que trazia em constante gesticulação. Foi autor de várias letras para melodias de Bento Mossurunga e de Benedito Nicolau dos Santos, como Pau da Gaita (1920); Na Terra da Prontidão (1922); O Diabo atrás da Porta e Rumo ao Catete (1931). Legou pequena obra literária, com Cantos do País das Araucárias (versos, 1939 e 1979), Estrada Sem Fim… (versos, 1958); Relicário (trovas, 1968) e um livro relatando suas impressões de viagem pelo Egito, com o seu irmão Zeno, Na Terra das Pirâmides (1926).

Faleceu em Curitiba, em 21 de maio de 1968, saindo o féretro de sua residência,
na Rua Visconde de Nácar. Sócio-fundador do Centro de Letras, secretário da Academia Paranaense de Letras por 15 anos, o seu amigo inseparável o cachimbo e a sua gaitinha de boca mereceram de Euclides Bandeira um soneto interessante, que termina assim:

Teu cachimbo é, por certo,
quem inspira o teu estro adorável, ó poeta!
É quem cobre de louros tua lira…
E… ou brotam versos da tua alma louca
ou chora o coração mágoa secreta
pela voz de uma gaita em tua boca! (WB)

2º Ocupante

Francisco Pereira da Silva (1908-1974)

Nasceu na Rua Treze de Maio, em Curitiba, no dia 21 de janeiro de 1908. Cursou os colégios Santo Amaro, Duílio Calderari e Ginásio Paranaense e, mesmo sem vocação, matriculou-se no curso de guarda-livros da antiga Escola de Comércio Avalfred. Começou, assim, sua vida burocrática a se estender por 37 anos, chegando a inspetor Regional dos Correios e Telégrafos e, finalmente, a diretor do Serviço Administrativo do Tribunal Regional Eleitoral, cargo no qual se aposentou.

Só que essas atividades prosaicas não esmagaram a inspiração latente do poeta, sempre voltado para as coisas belas da vida. Entusiasta fervoroso da música, são muitas as suas crônicas e poesias exaltando não só a genialidade dos compositores como a grandiosidade das óperas. Constam da sua bibliografia o Resumo Biográfico do Glorioso Taumaturgo Santo Antônio de Pádua, 1936; Razões Finais de Defesa, em colaboração, 1937; O Guarani, teatro, alcançando o primeiro lugar no Concurso de Livros patrocinados pelo Centro de Letras, 1950; Carlos Gomes, Sua Vida e Sua Obra, 1951, e As Mulheres na História, na Lenda e na Atualidade, poesias, 1953.

Enveredou pelo teatro, escrevendo Dom Pedro I, Almas Heróicas (ou Cerco da Lapa), esta representada pelo elenco da Companhia Irmãos Queirolo em 15 de novembro de 1958, além, é claro, de O Guarani. Como poeta, foi assediado por compositores para ajustar letras em marchas e hinos, como os dedicados a São José dos Pinhais, Coronel Vivida, a Carlos Gomes, ao Centenário de Castro, ao General Carneiro, a Guaratuba, ao Soldado Combatente, ao Centenário do Paraná. Foi autor do poema épico, Os Paraníadas, em doze cantos, trezentas e setenta e nove oitavas e três mil e trinta e dois versos, de feição camoneana, um hino de amor e de louvor ao Paraná.Membro do Centro de Letras desde 1950, ocupou vários cargos em sua diretoria e na do Instituto Neopitagórico.

Falecido em Curitiba em 27 de maio de 1974, sua vasta produção literária, inclusive muitos trabalhos acobertados pelo pseudônimo de Saturnino do Sul, ainda está por ser coligiada, estando espalhada, principalmente, nos periódicos curitibanos Diário da Tarde, Gazeta do Povo e O Dia. Foi recepcionado por Leonardo Henke na Academia Paranaense de Letras, na Sessão Solene de 8 de outubro de 1970. (WB)

3º Ocupante

Samuel Guimarães da Costa (1917-1997)

Jornalista e escritor, nasceu em Paranaguá, em 22 de dezembro de 1918, filho de Augusto Régis Pereira da Costa e Maria Tereza Guimarães da Costa. Descendente de tradicional família, era tetraneto do patriarca Manoel Antônio Pereira, último Capitão-mor e primeiro prefeito de Paranaguá. Foi a influência do pai que o fez enveredar pelo jornalismo, depois de concluir o curso fundamental na Escola Paroquial e Escola Normal de Paranaguá. Fez o Ginásio Paranaense, em Curitiba.

Começou como repórter do jornal Gazeta do Povo, evoluindo para editorialista. Colaborou em diversos jornais e revistas. Simultaneamente, participou do movimento cooperativista no Estado. Criada a Federação das Cooperativas do Paraná, exerceu os cargos de assistente, superintendente e assessor do Conselho de Administração. Assessorou igualmente os ministros paranaenses Aramis Athayde e Bento Munhoz da Rocha Neto. Mais tarde foi requisitado para as mesmas funções pelos governadores Ney Braga e Paulo Pimentel, cuja Casa Civil chefiou.

Em 1983, recebeu o título de Cidadão Benemérito do Paraná, outorgado pela Assembléia Legislativa. Manteve sempre atividade dinâmica e ininterrupta, tanto na área jornalística como presidente do Conselho de Ética do Sindicato classista ou vice-presidente da Associação dos Jornalistas em Economia e Finanças do Paraná, quanto na produção literária, como provam seus diversos livros publicados. Pertenceu a instituições culturais, sendo destacáveis o Centro de Letras do Paraná, em cujo período de presidência promoveu a modernização da entidade, o Instituto Histórico e Geográfico Paranaense e o Centro de Letras Leôncio Correa, de Paranaguá. Da sua bibliografia devem ser assinalados: Formação Democrática do Exército Brasileiro, editada em 1957 pela Biblioteca do Exército Editora e Menção Honrosa do Prêmio Pandiá Calógeras; Economia Ervateira, 1958; Estudos das Areas Culturais como Fundamento da Educação, 1965; Paraná, Edições Mercator, 1975; Erva Mate no Paraná, 1989; O Último Capitão-Mor, 1988; As Quatro Faces da Geração de 22, 1992; e História Política da Assembléia Legislativa do Paraná, na década de 90, além de esparsa produção de crônicas e artigos. Foi membro do Conselho Estadual de Cultura. Faleceu dia 14 de julho de 1997, em Curitiba. Foi recebido na APL pelo acadêmico Valério Hoerner Júnior, em 26 de setembro de 1991. (TV)

4º Ocupante

Luiz Geraldo Mazza (1931)

Nascido em Paranaguá, em 10 de fevereiro de 1931, deslocou-se para Curitiba em 1939, onde o aguardavam as escolas básicas de formação, Tiradentes, Prieto Martinez e o Ginásio Paranaense. Formado em Direito pela UFPR, em 1954, de sua turma constam os também acadêmicos Edilberto Trevisan, Léo de Almeida Neves, Leopoldo Scherner e Túlio Vargas. É essencialmente jornalista. Fez carreira no Diário do Paraná e na Última Hora. Exerceu as funções de chefe de reportagem, chefe de redação e editor de opinião. Estilo objetivo e equilibrado, aliou estas características para percorrer outras redações, as do Correio de Notícias, Folha de Londrina, Indústria e Comércio e Folha de São Paulo. Dirigiu também, por dez anos, o telejornalismo da TV Paranaense Canal 12. Como colaborador, participou dos jornais Diário da Tarde, de Curitiba, Diário do Comércio, de Paranaguá, e de inúmeras revistas regionais.

Mazza é do tempo em que no colégio e nos bares se trocavam poemas e contos, análises e críticas; em que valiam o vigor de Castro Alves e a irascibilidade de Augusto dos Anjos, aliados à candura de Casemiro e à tristeza de Álvares de Azevedo. Essas experiências representavam uma certa celeridade diante de perspectivas futuras. Costumavam formar personalidades e acentuar conhecimentos. Era o costume cultivado com sabores de vida que significam fundamentos e estímulos de valor incalculável.

Essa circunstância ficaria expressa na revista da Faculdade de Direito, editada então, e nos conteúdos de divagações sobre o cotidiano das crônicas que Mazza publicou em O Estado do Paraná, enlevado, na época, mais pelo lado poético das coisas e menos pelo lado crítico. Hoje, no dia-a-dia de sua atividade, centraliza suas preocupações na análise política e de comportamento, empenhando-se na valorização do Paraná, na luta contra a cumplicidade dos meios de comunicação com os poderes em geral e, especialmente, na crítica à escassez de representatividade do Estado nas mais variadas áreas. Publicou, ao longo de mais de 60 anos de carreira, milhares de artigos de jornal, tornando-se o mais profícuo jornalista paranaense de todos os tempos. Há muitos anos mantém coluna na Folha de Londrina. É, também, comentarista diário do programa CBN Curitiba. Em fevereiro de 2011 um grupo de jornalistas organizou uma festa na Sociedade Garibaldi, em Curitiba, para comemorar seus 80 anos, na qual estiveram presentes centenas de amigos, familiares e admiradores.

Foi recebido na Academia em 1998, em cerimônia no Centro de Convenções de Curitiba, antigo Cine Vitória, pelo acadêmico Lauro Grein Filho. (VHJ)