Cadeira 21 – Albino de Brito Freire

Patrono

Cônego João Evangelista Braga (1850-1913)

Nascido na Lapa em 17 de fevereiro de 1850, iniciou sua vida escolar na cidade natal, fazendo os estudos preparatórios no Liceu de Curitiba. Ingressou, aos 17 anos, no Seminário Episcopal de São Paulo onde recebeu, em 31 de março de 1874, as ordens menores. Nomeado Capelão da Catedral Metropolitana e da Santa Casa, ambas em Curitiba, em dezembro de 1875, aos 38 anos, foi distinguido com o elevado título de Cônego. Na qualidade de membro destacado da Diocese de São Paulo, ocupou vários cargos de relevo, destacando-se a função de secretário da Câmara Eclesiástica, examinador sinodal, vigário das paróquias de Mogi Mirim e de Ponta Grossa e Vigário Geral forense do Paraná, na qualidade de visitador diocesano. Homem de grande cultura, professor de retórica, eloqüência sagrada, teologia dogmática, filosofia, português e latim, lecionou várias cadeiras não só no seminário citado como no Ginásio Paranaense e na Escola Normal — nestas últimas, o idioma francês. Suas aulas, fato interessante, começavam silenciosas e a pouco e pouco iam-se tornando turbulentas, a ponto de ser necessária a intervenção do bedel a fim de amenizar o comportamento dos alunos. Como sacerdote, agia com liberalidade e tolerância, atraindo a simpatia dos fiéis. Como patriota, acompanhou com grande interesse todos os movimentos cívicos e políticos. Vernaculista de nomeada, pertenceu a várias instituições literárias e científicas. Jornalista militante, fundador do jornal A Pátria, colaborador em vários órgãos da imprensa do país, entre seus livros e monografias publicados devem ser citados: Novo Mês do Sagrado Coração de Jesus, prosa, São Paulo, 1880; Discurso Pronunciado na Catedral de São Paulo, São Paulo, 1893; Ecce Homo, poema religioso, Curitiba, 1900; Os Cacetes, latim macarrônico, humorismo; Sonetos à Virgem Maria e Monografia Sobre o Pronome SE, estudo, Curitiba, 1905. Vale frisar que esse último estudo sobre o SE lhe daria muita dor de cabeça. Sócio-fundador do Centro de Letras do Paraná, constantemente solicitado para dirimir dúvidas em questões filológicas, faleceu na capital paranaense em 8 de dezembro de 1913, coincidentemente a data consagrada à Imaculada Conceição. (WB)

Fundador

Leônidas Moura de Loyola (1892-1938)

Nascido em Curitiba em 8 de maio de 1892, estudou as primeiras letras com o próprio pai, Arthur Loyola, para depois se matricular em colégios particulares. No Ginásio Paranaense lançou, com outros colegas, o jornal quinzenal O Paraná, órgão destinado à defesa da classe estudantil. Fundou o Clube Literário Quinze de Novembro, colaborou na Nova Arcádia, no Centro Estudantil, no Centro Jurídico do Paraná e atuou na antiga Liga Esportiva Paranaense. Seu nome está relacionado entre os primeiros vinte e nove alunos matriculados, em março de 1913, no Curso de Ciências Jurídicas e Sociais de nossa Universidade, mas mudando-se para o Rio, lá formou-se em Direito, em 1918.

Jornalista, colaborou em jornais e revistas paranaenses, além de periódicos cariocas, baianos (Bahia Ilustrada) e mineiros (Diário de Minas). O seu talento como polemista vem à tona quando do lançamento de Urupês e de Idéias de Jeca Tatu, ambos de Monteiro Lobato, ao contradizer, energicamente, a existência de um Jeca Tatu como tipo representativo do sertanejo brasileiro.

Dentre seus trabalhos, além de embargos cíveis, ações ordinárias e apelações, convém ressaltar: Primeiros Ensaios, 1913 e 1915; Urupês e o Sertanejo Brasileiro, 1919; Discurso de Recepção a Moisés Marcondes, 1926; Pequeno Manual da História do Brasil, 1930 e 1933; Trabalhos Forenses, 1922; Livro de Leitura, 1934 e 1935; Álbum de Figuras, 1936 e Estudos e Ensaios de Crítica, este inédito. Casado com Edite, deixou apenas um filho, também advogado, José, vindo a falecer a 11 de novembro de 1938. Nos seus funerais, em nome do Centro de Letras, falou o acadêmico Martins Gomes. No trigésimo dia de seu falecimento, o Centro mais uma vez reverenciou a memória de seu ilustre membro, em Sessão Extraordinária, com saudação oficial por Martins Gomes, propondo este fossem as flores que ornamentavam a mesa levadas até ao túmulo do homenageado e, por fim, o agradecimento, em nome da família, do centrista Arion Niepce da Silva. (WB)

1º Ocupante

Milton Ericksen Carneiro (1902-1975)

Nascido em Paranaguá no dia 16 de outubro de 1902, pertenceu a uma geração de condores que se destacaram na cátedra universitária e nas lides literárias, marcando, com notável presença, fecundo período de transbordamento intelectual em Curitiba. Eram-lhe parceria constante nas rodas do Café Belas Artes, no Círculo de Estudos Bandeirantes, na redação da Gazeta do Povo, nos corredores da vetusta Faculdade ou nas frias madrugadas, enquanto a cidade dormia, entre outros, Léo Cobbe, Ernesto Luiz Oliveira, Júlio Teodorico Guimarães, Bento Munhoz da Rocha Neto e Homero Braga. Médico, professor, escritor, mistura de poeta e boêmio, criou linguagem própria, peculiar, entrecortada de chistes e blagues, com que escalpelava os costumes, a mediocridade e a hipocrisia. Essa virtuosidade humorística carregada de irreverência conferia aos seus textos um sabor ao mesmo tempo cáustico e delicioso, pelos lances pitorescos que suscitava. Desambicioso de bens materiais, considerava mesquinhas as ganâncias do mundo. Espírito superior, valia-se de autêntico e acurado senso crítico, o poder de liberdade de dizer sem medo a verdade e o que sentia. Detinha a comovente singularidade, centrada nos reclamos de uma vocação mobilizada para a compreensão da mente humana. Seu prestígio entre os alunos era incontestável. Essa circunstância se explica pela didática especial que aplicava para amenizar as disciplinas que lecionava: Parasitologia Médica e Anatomia Patológica, além de Biologia Geral. Seu mundo era o mundo dos livros, dos debates, da conversação.

O célebre Discurso do Bugre, que escreveu, mas não proferiu, na formatura dos médicos de 1933, da então Universidade do Paraná, cabendo ao pai, Petit Carneiro, fazê-lo, constitui magistral estudo da psicologia humana. A farta ressurreição de valores morais, a sobreposição do homem psíquico ao homem físico, deu-lhe a dimensão espiritual à altura do próprio talento descritivo. Incursionando também pela poesia, aliou-se aos movimentos de vanguarda, liberto da influência clássica ao produzir poemas nitidamente modernistas, de que são exemplos: Procissão dos Eus, Sou e Jogo da Vida, entre outros da mesma linha avançada. Faleceu em Curitiba no dia 22 de janeiro de 1975. (TV)

2º Ocupante

Ernani Simas Alves (1914-2000)

Nascido em Curitiba em 16 de fevereiro de 1914, filho de Manoel Claro Alves e de Hélia Simas Alves. Formou-se em Medicina pela Universidade do Paraná e exerceu os mais altos cargos da hierarquia magisterial. Foi diretor do Hospital das Clínicas, e vice-diretor da Faculdade de Medicina, chefe do Departamento de Medicina Forense e Psiquiatria, diretor do Setor de Ciências da Saúde, diretor do Instituto Paranaense de Medicina, do Conselho Regional de Medicina, presidente da Sociedade Paranaense de Psiquiatria e Criminologia, da Liga Paranaense de Combate ao Câncer, membro do Conselho Penitenciário do Estado e da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores.

Foi autor de uma das obras mais completas já publicadas no Brasil sobre Medicina Legal e Deontologia e de muitos outros livros, tanto no ramo médico quanto no literário. É difícil separar, na biografia deste mestre, o médico do professor ou o cientista do escritor, tal a conjunção desses atributos numa personalidade sempre movida de ímpetos e inquietações. Ora o médico que faz da profissão um destino, imolando a sua vocação sacerdotal a perseguir permanentemente o conhecimento humano e salvar vidas; ora o cientista inconformado, a mergulhar nos ensaios experimentais à procura das verdades imponderáveis; ora o professor, na pertinácia do estudo e do devotamento, a moldar inteligências; ora o escritor a registrar lições e indicar caminhos para erigir a cultura coletiva. Participando de diversos congressos e simpósios, neles apresentando seus trabalhos e suas teses, conferencista, professor universitário, homenageado com medalhas, placas e troféus durante sua intensa vida profissional, representa um exemplo para todos os que desejam vencer na carreira médica. Entretanto, dizia, o talento só não pode fazer um escritor, nem professor, nem um médico, muito menos um cientista. Por detrás desses valores deve haver um homem. E realmente ele existiu na larga dimensão dessas revelações do saber, da virtude e da honra. Faleceu dia 19 de janeiro de 2000, em Curitiba. Tomou posse em 25 de outubro de 1984, recepcionado pelo acadêmico Ruy Noronha Miranda. (TV)

3º Ocupante

Albino de Brito Freire (1941)

Filho de Sabino Ferreira Freire e Alvina de Brito Freire, natural de Caculé (BA), nasceu no dia 8 de abril de 1941. Concluído o curso fundamental, veio para o Paraná formando-se em Direito e em Letras Neolatinas pela Universidade Federal. Lecionou no Colégio Estadual do Paraná e na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Paranavaí, norte do Estado (Lingüística Geral e Língua Portuguesa).

Em 1966 integrou os quadros da Assembléia Legislativa do Paraná como advogado, tendo sido Consultor Jurídico da Câmara de Ensino Superior do Conselho Estadual de Educação. Em seguida, aprovado em concurso para o magistério de 1° e 2° graus da rede pública como professor de Língua Portuguesa. Após, ingressou na magistratura, pela qual se aposentou. Lecionou, durante alguns anos, Linguagem Forense na Escola Superior da Magistratura do Paraná. É membro honorário da Academia Paranaense de Letras Jurídicas, da qual foi um dos fundadores.

Na área jurídica, publicou, em 1995, Do Direito de Acrescer, Paraná Judiciário, n° 49. No campo literário lançou em 1997 Mercadores de Ilusões, pela Editora Juruá. Em 2000, Profissão Ex-Mulher, pela JM Editora. Em 2005, o Manual do Juridiquês, pela Amapar. Em 2007 publicou O Menino de Caculé, novela de cunho autobiográfico. Dois anos após, Poeta ou Poetisa, em que defende a forma “poetisa” para a mulher que faz poesia.

Sabe construir o seu texto com rara habilidade e correção vernacular. Critica ou elogia, analisa ou julga os fatos com sutileza e segurança. Entende a alma humana e, por isso, a sua linguagem é repassada daquela emoção, cujo suporte conteudístico são o homem e a sociedade com seus conflitos universais. Expõe seus pontos de vista pessoais, como num depoimento, desfilando as perplexidades, os paradoxos e as injustiças que compõem as mazelas diárias. E, com o escalpelo do verbo, castiga os costumes. Por outro lado enaltece os valores éticos e morais que estão desaparecendo. Eleito para a Academia, tomou posse em 7 de maio de 2001, saudado pela poeta Adélia Maria Woeller. (TV)