Cadeira 22 – Vazia

Patrono

Monsenhor Manoel Vicente Montepoliciano da Silva (1851-1909)

Nasceu em Antonina, em 8 de março de 1851. Na cidade natal realizou o curso de Humanidades. Por algum tempo trabalhou no comércio, mas sentindo vocação para os estudos superiores e para a carreira eclesiástica, matriculou-se no Seminário Episcopal de São Paulo. Aos 22 anos de idade passou a reger a cadeira de Retórica e de outras disciplinas e, posteriormente, a de Filosofia, na qual se aposentou após mais de duas décadas de serviços. Enviado ao Maranhão em missão religiosa, retornou a São Paulo para retomar seu lugar no seminário, acumulando as funções de professor a de vice-reitor.

Ainda moço, foi nomeado Cônego da Sé, ocupando mais tarde a cadeira de Chantre, a qual exerceu até a morte. Sempre voltado para o ensino, lecionou ainda no Colégio Moretzohn, sendo mais tarde seu diretor e proprietário, e dirige a Escola Normal. Vigário-geral de São Paulo, examinador sinodal do bispado, por seus indiscutíveis méritos de inteligência e probidade foi agraciado pela Santa Sé com o título de Protonotário Apostólico ad intra participantium. Certamente que a vida religiosa não lhe turvou o espírito para as artes em geral. Orador consumado, jornalista emérito, polemista, membro do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico de São Paulo, chegou à vicepresidência da Sociedade dos Homens de Letras.

Em princípios de junho de 1909, foi pregar o sermão de encerramento das festividades do Mês de Maria, em Cravinhos. Já andava doente. Não chegou a terminar o sermão. Com dificuldade retornou à capital paulista onde, rodeado de parentes, do prelado, de colegas e amigos, faleceu às 14 horas do dia 20 de junho. Seus restos mortais repousam no Cemitério da Ordem Terceira do Carmo. Entre seus trabalhos, podem ser citados: Discursos (quando da abertura das aulas do Seminário Episcopal, 1882/1888); Círculo Mocidade São Luís (alocução proferida na Igreja da Boa Morte, 1894); Crítica-Prefácio (1896); A Sublimidade Moral de Anchieta (1897); Eduardo Prado (1901); O Protestantismo (1903); Sermão de São Bento (1905); Oração Fúnebre (1906) e Discurso (1908). (WB)

Fundador

Bispo Dom Alberto José Gonçalves (1859-1945)

Nasceu na cidade de Palmeira, em 20 de junho de 1859. Quase todas as manhãs, em meio a um grupo reunido à porta da antiga Casa Abreu, na Rua XV, em Curitiba, destacava-se a figura imponente do religioso. De porte elevado, alto, robusto, veste preta debruada de roxo, chapéu de aba larga rematado por um cordão da mesma cor, impunha, sem o querer, respeito e admiração. Na roda, representava o centro do bate-papo, agitado, gesticulando, rindo ou falando alto. Mas não se pense que ele só se interessasse por assuntos ligados à sua vocação sacerdotal. Foi relevante o seu papel no panorama político-social paranaense. Assim, membro da primeira Constituinte, foi deputado provincial por duas vezes, presidente da Assembléia Estadual e senador da República, com 36 anos de idade, além de diretor da Instrução Pública.

Foi autor de inúmeros atos beneméritos, empenhando-se na inauguração de nossa Catedral, na ampliação da Santa Casa de Misericórdia e na fundação do Asilo de Nossa Senhora da Luz. Membro da extinta Academia de Letras do Paraná, nela foi recebido em sessão de outubro de 1923 por Alcides Munhoz, coincidentemente seu antigo aluno no Seminário Episcopal de São Paulo, educandário em que, à época, Dom Alberto lecionava Geografia, História, Geometria e Latim. Colaborador em diversos periódicos paranaenses, redator da revista Clube Curitibano, deixou um legado de obras interessantes como Gramática Latina (em duas edições, 1885 e 1887); Elementos de Geometria; O Divórcio (discurso, 1896); A Igreja e o Estado, em colaboração (1900); Carta Pastoral, num total de cinco (de 1909 a 1944); O Espiritismo (1916); A Religião e a Política (1933) e Carta do Bispo de Ribeirão Preto (1940).

Não se limitava ao âmbito do púlpito. Foi às massas, procurando, nas espeluncas e nos botecos, horas mortas da noite, os incrédulos, os transviados, reconduzindo-os a seus lares ou até mesmo levando-os para sua casa, conduta que lhe traria aborrecimentos junto às autoridades eclesiásticas. Finalmente, nomeado primeiro titular da Diocese de Ribeirão Preto, transferiu-se para lá, onde faleceu em 6 de maio de 1945. (WB)

1º Ocupante

Carlos Stellfeld (1900-1970)

Nasceu em Curitiba em 26 de junho de 1900, filho do também farmacêutico Edgar Stellfeld e de Clara Alvina Kalckmann, proprietários da Farmácia Alemã. Diplomado aos 19 anos pela Faculdade de Farmácia da Universidade do Paraná, dedicou sua vida à pesquisa científica, sem deixar de trabalhar na farmácia fundada por seu avô, Carlos Augusto Stellfeld, inicialmente denominada Botica Alemã.

Professor catedrático de Farmacologia na Faculdade de Medicina e de Botânica no Curso de História Natural da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, seria o primeiro diretor da Faculdade de Farmácia e fundador da Associação Paranaense de Farmacêuticos. Durante 10 anos foi importante a sua atuação como diretor honorário da Seção de Botânica do Museu Paranaense, com trabalhos publicados nos arquivos dessa instituição. Conceituado nos círculos médicos e farmacêuticos, modesto, atencioso, figura de destaque no nosso cenário social, rotariano, cientista, historiógrafo e didata, membro do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense, fundador em 1932 da conceituada revista Tribuna Farmacêutica, ainda encontrava tempo para escrever e publicar não só monografias voltadas para a sua especialidade como ensaios, biografias e discursos, sempre enaltecendo figuras que desenvolveram o estudo da Botânica. Assim, merecem destaque: Os Mescaleros, romance de aventuras, 1925; Antônio Luís Patrício da Silva Manso, 1a e 2a séries, ensaio biobibliográfico, 1946 e 1947; Sesquicentenário Natalício de Freire Alemão, discurso, 1947; Frei Veloso, Dr. Veloso, Antônio Luís da Silva Manso, 1948; O Primeiro Centenário do Assassinato de Silva Manso, palestra proferida na Academia Nacional de Farmácia, 1948: Os Dois Veloso, biografia de Frei Veloso e do Padre Dr. Joaquim Veloso de Miranda, 1950; Cem Anos no Brasil, subsídios para a biografia de Augusto Stellfeld, 1953; Primeiro Centenário (07 abril 1857-1957), em colaboração, 1957.

Mestre muito querido e respeitado, chegando a se estender sobre assuntos de sua matéria após a hora regulamentar, eliminando dúvidas de seus discípulos do Ginásio Paranaense, faleceu em Curitiba em 22 de outubro de 1970. (WB)

2º Ocupante

Metry Bacila (1922-2012)

Nasceu em Palmeira, no dia 22 de junho de 1922. Filho de Amin Bacila e Victoria Bacila. Fez as primeiras letras em sua terra natal e os estudos de humanidades e préuniversitários no Liceu Rio Branco e no Colégio Estadual do Paraná. Formou-se em 1946 pela Universidade do Paraná, tendo obtido o título de Doutor em Medicina em defesa de tese. Revelou vocação para o estudo e para a pesquisa. É dos cérebros privilegiados que, no campo universitário, impõem-se pela inteligência e pela cultura.

Dedicou-se principalmente à Bioquímica. Galgou todos os degraus do magistério superior, por concurso, culminando com a conquista da Cátedra de Química Orgânica e Biológica da antiga Escola Superior de Agricultura e Veterinária do Paraná e de Bioquímica e Biofísica da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP. Em 1948, instalou o Serviço de Química Biológica do Instituto de Biologia e Pesquisas Tecnológicas do Estado do Paraná, introduzindo também, mais tarde, a disciplina de Bioquímica na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Católica do Paraná. Instalou, ainda, o curso de Fisiologia de Microorganismos, do mais elevado padrão, despertando a comunidade acadêmica de todo o país para a importância do desenvolvimento de projetos e para implantação de centros de pesquisa. Fez pós-doutoramento na Universidade de Chicago, em 1952. Sob a sua inspiração, foi criado, em 1958, o Instituto de Bioquímica da Universidade Federal do Paraná. Dirigiu, mais tarde, a Faculdade de Medicina de Jundiaí. Retornando à Universidade Federal do Paraná em 1978, coordenou a implantação do Centro de Biologia Marinha localizado em Pontal do Sul. Com este fim, visitou instituições de pesquisa na Europa. Diretor do setor de Ciências Biológicas da UFPR, procedeu a inauguração do Centro de Biologia Marinha. Retornou, então, à sua antiga Escola de Veterinária, onde instalou o curso de pós-graduação em Ciências Veterinárias. Integra, atualmente, o Programa Antártico Brasileiro, tendo participado de diversas expedições científicas ao continente antártico. Dessa experiência tem publicado importantes trabalhos. Devota-se a pesquisas básicas com organismos aquáticos no Laboratório de Piscicultura da UFPR.

Sua bibliografia é rica também em títulos literários. Publicou, recentemente, expressivo estudo sobre o poeta Augusto dos Anjos, excedendo-se em perspicácia crítica e sensibilidade. Foi recebido na Academia em 19 de junho de 1991. Faleceu no dia 3 de maio de 2012, em Curitiba, aos 90 anos de idade. (VHJ)

3º Ocupante

João José Bigarella (1923-2016)

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João José Bigarella nasceu em Curitiba, em 23 de setembro de 1923, filho de José João Bigarella e Ottilia Schaffer Bigarella. Casado com a artista plástica Ísis Koehler Bigarella, tem três filhos, cinco netos e dois bisnetos. Graduou-se sucessivamente pela UFPR em Química, em 1943; Química Industrial, em 1945; e Engenharia Química em 1953. É doutor em Ciências Físicas e Químicas, igualmente pela UFPR, da qual foi professor entre 1949 e 1980, aposentando-se como Professor Titular.

Em 1944 ingressou no Museu Paranaense e no ano seguinte foi contratado pelo Instituto de Biologia e Pesquisas Tecnológicas, atual Instituto de Tecnologia do Paraná, para trabalhar na divisão de Mineralogia e Geologia. Em mais de 60 anos de carreira, publicou cerca de 230 trabalhos técnicos e científicos, muitos deles em parceria, publicados em países como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Holanda, Alemanha, Rússia e África do Sul, sobre os mais variados temas das Ciências da Terra. Autor também de diversas obras sobre cultura geral. É membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Latino-Americana de Ciências. Participa ainda da Sociedade Brasileira de Geologia, da Geological Society of America, da Associação dos Geógrafos Brasileiros e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Foi membro do International Geological Correlation Program da UNESCO entre 1973 e 1976 e seu vice-presidente de 1975 a 1976. Bigarella é um dos primeiros defensores da proteção do meio-ambiente no Brasil: em 1974, comandou a fundação Associação de Defesa e Educação Ambiental (ADEA), que se destacou em diversos projetos ambientais, como o tombamento da Serra do Mar no Paraná, em 1978, e a criação do Parque Estadual Pico Marumbi.

Foi condecorado em duas ocasiões com a Ordem Nacional do Mérito Científico – Presidente da República do Brasil: em junho de 1995, no grau de Comendador, e em julho de 2000, com o grau de Grã-Cruz. Recebeu o título de Cidadão Benemérito do Paraná; Vulto Emérito de Curitiba e Cidadão Benemérito de Matinhos, PR, onde dá nome ao Museu Ecológico João José Bigarella. Entre suas obras mais recentes pode-se destacar:  Imigrantes da Morávia: de Römerstadt a Curityba (Saga dos Schaffer), 1998; Nas Trilhas de um Geólogo, 2003; Fragmentos Étnicos, 2004; e Matinho: Homem e Terra – Reminiscências…, 2009. Eleito para a APL em 9 de novembro de 2012, tomou posse em 5 de março de 2013, na Sala Brasílio Itiberê, da Secretaria de Cultura, saudado por Belmiro Castor. (EB)