Cadeira 23 – Jeorling Cordeiro Cleve

Patrono

Fernando Machado Simas (1851-1916)

Nasceu em Paranaguá, dia 24 de abril de 1851, filho de Manoel Ignacio de Simas e Francisca Romana Falcão e Simas. Após o curso de Humanidades, formou-se em Farmácia pela Faculdade do Rio de Janeiro. Exerceu a profissão em Antonina, indo mais tarde para Paranaguá. Em 1887 mudou-se para Petrópolis e a seguir para o Rio de Janeiro. Estabelecido sempre com farmácia, ganhou enorme prestígio profissional. Regressou a Paranaguá para intensificar a campanha pela Abolição e pela República. Ocupou as posições de liderança desse movimento no litoral. Fundou o jornal Livre Paraná, órgão de luta por essas duas nobres causas. Arremeteu contra a política dominante com rara coragem. Respondeu a ruidoso processo político, do qual foi absolvido. Ainda assim, aprofundou seu desempenho na militância.

Seus artigos continham tamanha força de expressão, beleza condoreira e singular picardia que, inevitavelmente, haveriam de exercer poderosa influência no espírito popular. Em 1887 instalou, com outros companheiros, o Clube Republicano e manteve-se no movimento revolucionário até a instauração do novo regime, pelo qual dera tanto de si próprio. Da sua ilustre descendência, importa destacar a figura de Hugo Simas, seu filho, que se tornaria dos maiores juristas brasileiros, primeiro ocupante da Cadeira 23 desta Academia. Vitoriosos os dois movimentos, Fernando Simas elegeu-se deputado federal à Constituinte republicana de 1891. Liberal por excelência, incorporou-se, mais tarde, à Campanha Civilista de Rui Barbosa. Voltou às colunas da imprensa para dar à mocidade vacilante e à velhice indecisa o exemplo da sua perseverança cívica. Pioneiro da propaganda, nunca lhe morreu o ideal do passado, conservando-o, em verdade, mais revitalizado à medida que via perigar a República. Antecipou-se às previsões dos demais, tornando-se modelo de político republicano. Foi casado com Helena Gutierrez de Simas. Dado seu grande preparo em Física, Química e Botânica, foi nomeado auxiliar do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde faleceu dia 17 de setembro de 1916. (TV)

Fundador

Ernesto Luiz de Oliveira (1874-1938)

Paranaense, nasceu na Lapa, dia 24 de março de 1874. Pela sua inteligência e sabedoria foi cognominado, por Ulysses Vieira, O Sábio do Paraná.
Iniciou os estudos em Curitiba, na Escola Normal, sendo contemporâneo de Júlia Wanderley, Veríssimo e Lourenço de Souza. Terminado o curso de magistério, mudou-se para Campinas, São Paulo. Matriculou-se no Seminário Presbiteriano, curso superior. Tornou-se mais tarde, catedrático de Física Experimental e de Engenharia Mecânica. Em 1894 envolveu-se na Revolução Federalista de Curitiba. Fracassada esta, asilou-se na Argentina. Com a anistia voltou ao Paraná. Em 1913 foi nomeado secretário de Estado da Agricultura no governo de Carlos Cavalcanti. Iniciou a importação de aves e animais estrangeiros, implantou várias colônias agrícolas e desenvolveu o comércio de madeira e erva-mate. Desencadeou campanha educativa pelo reflorestamento, pois já àquela época a erosão sacrificava as terras paranaenses. Inaugurou o marketing do Paraná no exterior, mediante remessa de fotografias e painéis de riquezas naturais da terra para exposição em feiras internacionais.

Pastor evangélico, tornou-se célebre por seus sermões e polêmicas. Era poliglota. Foi tradutor e conferencista. Publicou mais de 30 obras de alta qualidade literária e científica, entre as quais Postulado de Euclides Bandeira, Roma, A Igreja e o Anti-Cristo, Moinhos de Vento, O Ensino Público, Elogio da Bosta, entre outros. Polemista por excelência, travou debates famosos com alguns religiosos a propósito de questões teológicas. Uma delas ocorreu com o monsenhor Leonel Franca; outra com o Reverendo Taylor, dando ensejo à publicação de um livro. Saiu-se airosamente de todas, pois seus conhecimentos alcançaram notáveis altitudes. Defendeu sempre com veemência a tese do ensino público gratuito e propôs ao governo da República a criação, em todas as capitais, de escolas de nível superior. Por sua iniciativa, ainda no governo Carlos Cavalcanti, deu-se a primeira demonstração pública de rádio em longa distância, tornando-se o Paraná vanguardeiro nesta área. Quando moço, de família pobre, prestou serviço de cocheiro ao Dr. Victor do Amaral, para sobreviver. Anos mais tarde, tornou-se seu colega na Universidade. Faleceu dia 9 de novembro de 1938, no Rio de Janeiro. (TV)

1º Ocupante

Hugo Gutierrez Simas (1883-1941)

Nasceu em Paranaguá, dia 23 de outubro de 1883, filho do republicano Fernando Simas e Helena Gutierrez de Simas. Já em 1887 sua família mudou-se para o Rio de Janeiro, onde realizou seus estudos até a graduação em Direito. Ao retornar ao Paraná, exerceu a Promotoria Pública em Antonina. Foi dos fundadores da Universidade do Paraná em 1912. Mais tarde, catedrático, lecionou várias disciplinas. Dirigiu a Biblioteca e o Instituto de Assistência Judiciária. Militou no jornalismo político redigindo artigos para o Diário da Tarde e Diário do Comércio. Elegeu-se deputado estadual, porém, não se adaptando às injunções políticas, renunciou ao mandato para voltar à carreira jurídica.

Em 1921, tornou a mudar-se para o Rio de Janeiro, onde praticou intensa advocacia e exerceu o cargo de consultor jurídico do Lloyd Brasileiro. Em 1931, foi chamado para integrar a Comissão Legislativa na 7a Sub-Comissão de Direito Marítimo, quando redigiu os Livros II e III do Projeto do Código Marítimo, obra de fôlego. E, ainda, Comentários ao Código de Processo Civil. Em 1938 publicou o Compêndio de Direito Marítimo Brasileiro e, no ramo de Direito Aéreo, elaborou o Código Brasileiro do Ar, em 1939. Antes porém, em 1932, retornara a Curitiba, quando fora nomeado Procurador Geral do Estado. No ano seguinte, desembargador do Tribunal de Justiça, então Tribunal de Apelação. Ocupou a presidência do Tribunal Regional Eleitoral em 1937. Além de publicações na área do Direito, foi autor de obras literárias, tais como Na Festa de Clóris (1913); O Crime do Hotel Biela (1915); Olavo Bilac (1919); Paranaguá e a República (1940); Romance de Amor do Poeta (1941); O Comando de Caxias na Guerra do Paraguai (1951).

Conferencista, suas crônicas andam espalhadas pelos nossos periódicos acobertadas sob alguns dos seus pseudônimos, como Clódio de Toledo, Mnesarcho de Samos, Poty Veniero e Santos Gomes. Redigiu, a pedido do ministro da Justiça, o anteprojeto da Lei Orgânica dos Transportes. Foi jurista da mais alta expressão e prestígio. Faleceu no Rio de Janeiro, dia 27 de outubro de 1941. (TV)

2º Ocupante

Arthur Ferreira dos Santos (1894-1972)

Nasceu em Curitiba, dia 7 de fevereiro de 1894, filho de Claudino Rogoberto Ferreira dos Santos e Elvira Ferreira dos Santos. Depois de cumprir os cursos fundamentais, bacharelouse em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco, em São Paulo. Ingressou na carreira do Ministério Público em 1912. Mais tarde, Curador de Menores e Chefe de Polícia do Estado. Exerceu constante atividade política.

Com a Revolução de 30 caiu no ostracismo, mas elegeu-se deputado em 1934. Com o golpe do Estado Novo, cerradas as portas do Parlamento, voltou à atividade advocatícia. Fundou com outras lideranças a União Democrática Nacional, de oposição frontal à ditadura. Em 1947, já no regime democrático restabelecido, elegeu-se senador. Teve ativa participação nos trabalhos parlamentares e representou o Brasil em várias conferências internacionais. Atuante no jornalismo, dirigiu o Diário da Tarde, no qual publicou inflamados artigos contra a política dominante. Dedicado ao magistério superior, lecionou Economia Política na Universidade Federal do Paraná.

Orador vibrante, dos mais eloqüentes de seu tempo, sua presença na tribuna era segurança de mensagens clarividentes. Presidiu por longos anos o diretório regional, inclusive o nacional, da UDN, correligionário de Carlos Lacerda, Adauto Lúcio Cardoso e outros talentos daquela geração. Foi advogado, depois presidente do Banco do Brasil, cargo em que se aposentou. Integrou, como embaixador do Brasil, a delegação à IX Conferência Interamericana de Bogotá, Colômbia, da qual resultou a Carta da Organização dos Estados Americanos. Foi quem saudou, em nome do Congresso, o presidente Harry Truman, este em vista ao Brasil. Concluído o mandato de senador, voltou ao Congresso Nacional em 1952 como deputado federal, intensificando sua profícua ação parlamentar. Foi de sua autoria o projeto de lei que permitiu a federalização da Universidade do Paraná, cuja congregação conferiu-lhe o título de Professor Benemérito.

Recebeu igual título de cidadania concedido pela Assembléia Legislativa do Estado. Sobre a sua biografia, leia-se O Tribuno da Liberdade, edição de Torre de Papel, 2004. Faleceu no Rio de Janeiro em novembro de 1972. Saudou-o, por ocasião do seu ingresso na APL, em 17 de março de 1945, o acadêmico Laertes Munhoz. (TV)

3º Ocupante

Odilon Túlio Vargas (1929-2008)

Bisneto do célebre sertanista e político Telêmaco Borba e filho do deputado Rivadávia Vargas e Dalila Rolim Vargas, nasceu em Piraí do Sul, Paraná, dia 28 de junho de 1929. Fez o curso fundamental em cidades do Estado de São Paulo, concluindo-o em Curitiba.

Realizou intensa atividade político-estudantil como presidente da União Paranaense de Estudantes Secundários. Graduouse pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná em 1954, tendo ocupado cargos diretivos do Centro Acadêmico Hugo Simas. Paralelamente, atuou com destaque no jornalismo e radiofonia, nos campos da política, esporte e sindicalismo. Após formado, radicou-se em Maringá, norte do Paraná, onde se elegeu presidente da Associação dos Advogados. Inclinado às lides políticas, fundou naquele município o Partido Democrata Cristão, por cuja legenda disputou, com sucesso, em 1961, uma cadeira de deputado estadual. Reelegeu-se na legislatura seguinte. Em 1970, ascendeu à Câmara Federal, obtendo a reeleição no pleito subseqüente. Em ambas as Casas Legislativas, exerceu funções de liderança. Integrou delegações da Câmara dos Deputados em visita oficial ao Japão e Estados Unidos na condição de membro do Grupo Brasileiro da União Interparlamentar e presidiu a Comissão Interestadual Parlamentar dos Estados do Extremo Sul. Foi nomeado, em 1974, no governo Canet Júnior, Secretário de Estado da Justiça e confirmado, posteriormente, nos governos de Ney Braga e Hosken de Novais. Ocupou a presidência do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, por consenso dos governadores dos três estados. Em seguida, nomeado Procurador-Geral do Estado junto ao Tribunal de Contas do Paraná, cargo em que se aposentou. Essa intensa atividade pública não o afastou do gosto pela história, notadamente na área biográfica, gênero em que se especializou. Publicou mais de 20 títulos, entre os quais O Indomável Republicano; A Última Viagem do Barão do Serro Azul, que foi também levado ao cinema com o título O preço da Paz e premiado no Festival de Gramado; Discursos Parlamentares; Memórias do Lions Clube; Tempo de Secretaria (2 vols.); Senhor Senador; Senhor Ministro; O Conselheiro Zacarias; Começo de um Novo Humanismo; O Tempo de Meu Pai; O Juiz Integral, em parceria; Pé Vermelho; Sérgio de Castro, em parceria; Porta-retrato (5 vols.); História Biográfica da República no Paraná, em parceria com David Carneiro, O Maragato, O Tribuno da Liberdade, Radiografia da Ética e O Mestre Sublime.

Cidadão Benemérito do Paraná, conforme a Lei n° 12.986, de 24 de novembro de 2000, pertenceu a várias instituições culturais no país. Presidiu a APL por 14 anos, notalibilizando-se pela criação de inúmeras academias de letras no interior do estado, uma das quais, a Academia Parano-Catarinense, de Rio Negro/Mafra, deu-lhe o título de Presidente de Honra. Foi recebido na APL em 1974, saudado pelo acadêmico Faris Michaele, tendo falecido em Curitiba em 27 de março de 2008. (VHJ)

4º Ocupante

Jeorling Cordeiro Cleve (1932)

Jeorling J. Cordeiro Cleve nasceu em Guarapuava em 31 de julho de 1932, filho de Aloísio Guimarães Cleve e Henriqueta Cordeiro Cleve. Casado com Dirce Doroti Merlin Cleve, é pai de quatro filhos. Estudou no Grupo Escolar Visconde de Guarapuava, no Colégio Nossa Senhora de Belém e no Ginásio Estadual Professor Francisco Carneiro Martins, todos na cidade em que nasceu.

Formado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná, em 1957, fixou-se após a formatura em Pitanga, cidade da qual é Cidadão Honorário e onde foi advogado, promotor público interino e professor. Em Pitanga, foi um dos responsáveis pela instalação e funcionamento do ginásio estadual, durante a década de sessenta do século passado.

Em 1966, mediante concurso público, ingressou na magistratura. Foi juiz substituto em Foz do Iguaçu, União da Vitória e Pato Branco. Como juiz de direito, exerceu suas atividades profissionais em Piraí do Sul, Ivaiporã e Guarapuava. Promovido para a capital, foi titular das 3a e 11a Varas Cíveis. Ascendeu ao Tribunal de Alçada e, mais tarde, ao Tribunal de Justiça, como desembargador, atuando sempre na área cível.

Foi professor de Direito Processual Civil, na Escola Superior de Magistratura do Paraná. Produziu pesquisas históricas, como a descrita no livro Cel. Luiz Daniel Cleve – Memória Histórica, sobre a vida de seu bisavô paterno, imigrante dinamarquês, quando da comemoração dos 150 anos da sua chegada ao porto de Paranaguá. Publicou também Povoamento de Guarapuava – Cronologia Histórica, em que se refere à conquista e a saga do povoamento do terceiro planalto paranaense, Pensamentos de todos os tempos – Lições de Sabedoria, em três volumes, e o opúsculo Antônio de Sá Camargo, Visconde de Guarapuava. Integrou a comissão que elaborou e fez publicar, em 2003, o livro O Poder Judiciário e a Emancipação Política do Paraná: Memória Histórica, em comemoração ao sesquicentenário paranaense.

É Cidadão Benemérito de Guarapuava, tendo recebido também Voto de Louvor concedido pela Câmara Municipal de Curitiba. Seu nome batiza o Núcleo de Práticas Jurídicas do Curso de Direito das Faculdades Unibrasil, em Curitiba, e do Centro Acadêmico do Curso de Direito das Faculdades Campo Real, de Guarapuava.

Faz parte do Centro de Letras do Paraná e é membro benemérito da Academia de Artes, Ciências e Letras de Guarapuava. Foi eleito em 26 de agosto de 2010 e recebido na APL por René Dotti, em 22 de fevereiro de 2011, em sessão solene do Instituto dos Advogados do Paraná. (VHJ)