Cadeira 25 – Paulo Vítola

Patrono

Vicente Machado da Silva Lima (1860-1907)

Nasceu em Castro, em 9 de agosto de 1860, filho do capitão José Machado da Silva Lima. Completou seus estudos fundamentais em Curitiba, formando-se mais tarde pela Faculdade de Direito de São Paulo. Estudante, não deixou de ser líder de ruidosas agitações boêmias. Destacou-se, nesse sentido, na campanha abolicionista, deixando entrever seu republicanismo em floração. Ao voltar ao Paraná iniciou a vida profissional como Promotor Público da Capital, em 1881. No ano seguinte serviu como secretário do governo de Brasílio Machado, presidente da Província. Casou-se, em seguida, com Antônia Moreira Lima, de tradicional família curitibana. Enveredou pelo magistério, ensinando filosofia. Atuou no jornalismo também. Teve breve passagem por Ponta Grossa, como juiz municipal. Em 1886, elegeu-se deputado pelo Partido Liberal. Era já uma revelação tribunícia.

Dois anos após, manifestava suas idéias republicanas, reunindo adeptos em torno do semanário A República. Com o advento da República foi, inicialmente, nomeado Chefe de Polícia. Em seguida presidente da Câmara Municipal de Curitiba. Não demorou a ser superintendente da Instrução Pública. Eleito deputado à Constituinte estadual de 1892, foi relator e líder inconteste no Congresso Legislativo. Nas primeiras eleições diretas para governador, figurou como vice na chapa de Francisco Xavier de Silva. Adoentado este, assumiu interinamente o governo, notadamente durante o período em que os revolucionários de Gumercindo Saraiva exerceram predomínio em território paranaense. Foi obrigado a retirar-se para São Paulo e Rio, após transferir a capital para Castro. Voltou depois à frente da contraofensiva florianista, recuperando o cargo.

Eleito senador em 1895, tornou-se líder do governo Campos Salles, que lhe reconheceu o valor parlamentar. Discursou várias vezes para defender-se das acusações de responsabilidade pelos fuzilamentos na Serra do Mar, cuja paternidade nunca admitiu. Jamais se provou a sua conivência. Elegeu-se governador do Estado em 1904, sucedendo a Xavier da Silva. Doente, licenciou-se diversas vezes do governo para tratamento de saúde, até sua morte em 3 de março de 1907, sendo sucedido por João Cândido Ferreira. Deixou enorme acervo de realizações e exemplos de liderança, notadamente como expressão da fé republicana. (TV)

Fundador

João Cândido Ferreira (1864-1948)

Nasceu na Lapa, dia 21 de abril de 1864, filho do capitão do mesmo nome e de Leocadia Ferreira. Formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, voltou à Lapa para começar a vida profissional. Embora não desejasse envolver-se em política, viu-se de repente engajado no Partido Republicano e elegeu-se prefeito. Enquanto a cidade foi sitiada pelos revolucionários federalistas, em 1894, chefiou o corpo médico das forças do governo. Abrigou o coronel Gomes Carneiro, acompanhando-o, impotente, nos seus momentos derradeiros, mortalmente atingido que fora o bravo comandante no combate de 7 de fevereiro.

Adquiriu tal prestígio e conceito profissional que se elegeu deputado estadual e depois federal. Mas, sempre preferiu as atividades da clínica médica e as pesquisas de laboratório. Nas eleições de 24 de agosto de 1903 concorreu à vice-presidência do Estado na chapa encabeçada pelo republicano histórico Vicente Machado e assumiu a presidência várias vezes nos impedimentos do titular. Mas, em 1907, com a morte de Vicente Machado, coube-lhe concluir o mandato governamental. Candidato natural à reeleição, agora à presidência, venceu sem adversários. Antes da sua posse, porém, antagonistas seus, inclusive correligionários, tramaram o seu impedimento constitucional sob argumentos inconsistentes. Firmou-se uma aliança entre os antigos maragatos e os republicanos históricos, até então inimigos figadais, para obstar-lhe a investidura com manobras no Congresso Legislativo. Desgostoso e desejando manter a unidade do partido, renunciou. Voltou ao clima que lhe apetecia, a cátedra na Universidade, onde se tornou consagrado pela alta sabedoria de seu magistério. Escritor de estilo fulgurante, é densa a sua bibliografia médica e literária.

Suas obras refletem um espírito voltado para as especulações científicas e temas ecléticos. Abatido pela morte de seu filho, Murilo, com quem tinha extraordinária afinidade, não resistiu a esse tremendo golpe e faleceu, em Curitiba, dia 10 de fevereiro de 1948. (TV)

1º Ocupante

Bento Munhoz da Rocha Netto (1905-1973)

Nasceu em Paranaguá , no dia 17 de dezembro de 1905, filho de Caetano Munhoz da Rocha e Olga Carneiro de Souza Munhoz da Rocha. Fez o curso de Humanidades no Colégio São José, de Paranaguá, e no Colégio Diocesano, dos Padres Lazaristas, de Curitiba. Diplomou-se pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Paraná. Exerceu os mais diferentes cargos: engenheiro-chefe da Divisão de Engenharia da Caixa Econômica Federal, professor de História das Américas e de Sociologia, Economia Política e Ciências das Finanças, Geologia, Mineralogia e Metalurgia, Psicologia e Lógica, Problemas Brasileiros e Teologia e Altos Estudos da Administração Internacional, em nível superior. Elegeu-se deputado federal por duas vezes, tendo inclusive sido 1° secretário da Câmara dos Deputados. Como seu pai, que governou o Estado duas vezes, também foi eleito governador.

Durante sua gestão transcorreram as festividades comemorativas do 1° Centenário de Emancipação Política do Paraná. Foi nomeado ministro da Agricultura durante o governo de Café Filho. Viveu intensamente a cultura, tendo publicado os livros seguintes: Uma Interpretação das Américas; Presença do Brasil; Perfis; Radiografia de Novembro; Itinerário; Imprensa; Mensagem da América; Tingüis; Ensaios. Além dessas obras, prefaciou outras tantas: Joaquim Nabuco e a Eloqüência Parlamentar; Introdução aos Discursos Parlamentares; Pinheiro Machado; Introdução ao Estudo de Barbosa Lima; Pinheiro Machado e Seu Tempo; O Sociólogo na Correnteza Política; Introdução ao Livro de Gilberto Freire; Introdução ao Livro de Café Filho; Das Roças ao Catete; Da Necessidade da Divulgação da História Paranaense, entre outras. Existem ainda diversas publicações avulsas. Destacamos: Discurso de Orador da Turma de Engenheiros; Paranaguá Agradecida; Inauguração da Estátua do Presidente Caetano Munhoz da Rocha; Discurso de Paraninfo; Variações e Unidades Americanas. São muitos os títulos, impossível relacioná-los neste espaço restrito.

Fluente orador, dos maiores de sua geração, estão bem vivas as marcas de seu itinerário luminoso de intelectual e homem público. Faleceu em 12 de novembro de 1973, em Curitiba. Recepcionou-o, por ocasião da posse na APL, em 24 de fevereiro de 1967, o acadêmico Manoel de Oliveira Franco Sobrinho. (TV)

2º Ocupante

Ruy Noronha Miranda (1914-2010)

Nasceu em Porto Alegre (RS), dia 29 de julho de 1914, filho de Alcebíades Miranda e Paulina de Noronha Miranda. Após os estudos básicos, formou-se em Medicina pela Universidade do Paraná, em 1938. Fez diversos cursos de pós-graduação em Saúde Pública, Leprologia, Dermatologia, Medicina Militar e Cancerologia. Ocupou vários cargos administrativos, entre os quais o de diretor da Divisão de Lepra do Estado do Paraná. Exerceu a presidência da Sociedade Brasileira de Dermatologia e a vice-presidência da Associação Médica Brasileira. Ingressou na carreira do magistério superior em 1941.

Docente livre da cadeira de Doenças Tropicais e catedrático da disciplina de Dermatologia e Sifilograma. Fundador da cadeira e primeiro professor de Dermatologia da Faculdade de Ciências do Paraná. Transformou-se em verdadeiro cientista pelo empenho demonstrado na pesquisa do mal de Hansen. Legou à medicina 19 novas e originais contribuições nesse campo. Dedicou-se simultaneamente à literatura, poesia e jornalismo, mantendo durante muito tempo na Gazeta do Povo, aos domingos, uma apreciada coluna sobre temas diversificados. Publicou 15 livros, 200 trabalhos científicos e 43 relatórios de observações sobre a atividade profissional. Fundou dois periódicos científicos: Publicações do Centro de Estudos Leprológicos e Divulgação Científica.

Em 1967, foi contemplado com o Prêmio Nacional de Leprologia do Brasil e, em 1971, com a medalha de ouro da Ordem do Mérito da Polônia. Escritor fecundo, suas produções revelam toda a profundidade do seu espírito arguto. Suas crônicas são repassadas de humanismo. De sua bibliografia, destaca-se: Em Viagem Pela Europa, 1953; Viagem a Antártida, 1978; Viagem Através da Vida, 1981; Quatro Pequenos Estudos, 1981, além de outros títulos de natureza científica. Instituidor e presidente da Fundação Pró-Hansen e Cidadão Benemérito do Paraná. Tomou posse de sua cadeira na APL em 26 de setembro de 1978, saudado por Apollo Taborda França. Faleceu em Curitiba em 27 de maio de 2010. (TV)

3º Ocupante

Paulo Vítola (1947)

Paulo Vitola

Paulo Francisco de Souza Vitola nasceu em Curitiba, em 13 de abril de 1947. Fez o Primário no Grupo Escolar 19 de Dezembro e no Instituto de Educação, completando o Curso Clássico no Colégio Medianeira. Cursou Direito na UFPR. Compositor desde jovem, criou sambas-de-enredo para a Escola de Samba Não Agite, e participou como letrista, em parceria com Palminor Ferreira, o Lápis, dos festivais O Brasil Canta no Rio, da TV Excelsior, Internacional da Canção, da TV Globo e do Festival de Músicas de Carnaval da TV Tupi. Fez parte do grupo que produziu o Show de Jornal, na TV Iguaçu.

Em 1972, criou as canções da peça Cidade Sem Portas, de Adherbal Fortes, encenada no Teatro Paiol e nos bairros de Curitiba e, dois anos depois, as canções de Paraná, Terra de Todas as Gentes, também de Adherbal Fortes, para a inauguração do Grande Auditório do Teatro Guaíra. Autor do auto de Natal Canto de Paz, encenado na Catedral de Curitiba. Com Marinho Gallera, apresentou o show Diário de Bordo, no Paiol, trazendo músicas criadas por ambos, e gravou o LP Onze Cantos. As canções, editadas pela Fundação Cultural de Curitiba, foram utilizadas como trilha sonora do filme A Escala do Homem, de Silvio Back, a exemplo de diversos temas musicais que criou com o mesmo Marinho Gallera para o espetáculo Ó Curitiba, Nossa Tribo, Salve, Salve, que inaugurou o Teatro de Bolso. Essas canções compuseram a trilha sonora do documentário Curitiba, Uma Experiência em Planejamento Urbano, do mesmo cineasta.

Ainda com Marinho Gallera gravou o álbum duplo Cidade da Gente e, com Reinaldo Godinho, o CD Cantares. Em 2008, foi responsável pela curadoria da programação de reabertura do Teatro do Paiol. Na publicidade trabalhou na P.A.Z., Múltipla, Exclam e OpusMúltipla, assim como foi sócio-diretor de criação das empresas Casulo e Bits, até criar a PauloVitola Scriptorium. Coordenou a área de publicidade e propaganda do governo do Paraná. Ao longo da carreira, recebeu mais de cem premiações publicitárias, regionais e nacionais.

Foi redator de programas audiovisuais no Rio de Janeiro, consultor de comunicação do Ministério da Agricultura e conselheiro estadual de Cultura do Paraná. É conselheiro da Fundação Criança Renal. Publicou as colunas semanais Balas Perdidas, com Luiz Antonio Solda, e Chope Duplo, com César Marchesini, ambas em O Estado do Paraná. É roteirista da coluna Casos e Causos do Paraná da Revista RPC (Rede Globo/PR). Seu livro autobiográfico Chucrute & Abacaxi com Vinavuste, traz encartada uma coletânea das canções de Cidade Sem Portas e Terra de Todas as Gentes e as canções inéditas de Velhos Amigos. É Diretor-Presidente da Rádio e TV Educativa do Paraná. Tomou posse na APL no Teatro Paiol, em 27 de junho de 2011, saudado por René Dotti. (EB)