Cadeira 26 – Léo de Almeida Neves

Patrono

Joaquim Dias da Rocha Filho (1862-1895)

Curitibano nascido em 18 de agosto de 1862, ainda pequeno deixou sua terra natal, fixando-se com a família na cidade fluminense de Paraíba do Sul. Aos onze anos de idade, no Rio, matriculou-se no famoso Colégio Abílio. Chegando à maioridade, entrou para a Escola Militar da Praia Vermelha. Mas sem vocação para a vida militar, abandonou-a. Na capital paulista, estudante de Direito, abolicionista e republicano, tornou-se o mais notável poeta da Academia, festejado entre seus colegas.

Espírito melancólico e contemplativo, boêmio, lendo ou estudando muito pouco, fumando e meditando horas a fio, perambulando pelas ruas da cidade, em noitadas consumidas no ambiente esfumarado das cervejarias, sua saúde começou a sentir os efeitos de uma vida irregular, com noites mal dormidas. Cético, sem ambições na vida, rosto descorado e magro, seus versos corriam anonimamente de boca em boca pela estudantada. Já casado em dezembro de 1887 com Isabel Bezerra, em maio de 1894 o escritor Valentim Magalhães o encontrou no trem mineiro com destino à Paraíba do Sul, para onde levava a viúva e os órfãos de um seu irmão, falecido em Juiz de Fora, vitimado pela tuberculose da laringe. Confessou ao amigo a certeza de que sua sorte já estava lançada, atacado do mesmo mal. Procurou novos ares, retornando ao sítio do sogro. No primeiro dia de fevereiro de 1895, aos 32 anos, morreu em Paraíba do Sul. Sua bibliografia, pequena, consta de duas traduções byronianas, Parisina (1880); e A Noiva de Abidos (1881), um romance, O Vestido Carmesim (1886), além de trabalhos jurídicos e históricos, e, postumamente, graças à iniciativa do Centro de Letras do Paraná, o lançamento de Poesias.

Alguns autores estudaram-lhe a obra e a vida, recordando-se as crônicas de Gilberto Beltrão (março de 1917), de Otávio Secundino (julho de 1941), de Durval Borges (outubro de 1941), de Araci Martins (dezembro de 1951) e o longo estudo de Raul Faria, publicado pelo Comércio do Paraná a partir de agosto de 1918. (WB)

Fundador

Francisco Heráclito Ferreira Leite (1889-1982)

Curitibano de 8 de outubro de 1889, ainda pequeno seus irmãos corriam a copiar-lhe os versos improvisados. Embora freqüentasse, já crescido, duas escolas primárias, abandonou-as a seguir, sem prestar exames finais. Sem ter diplomas, sem curso superior, nem por isso deixou de se firmar no cenário intelectual e principalmente educacional do Paraná. Participou de todas as manifestações literárias da acanhada Curitiba do início do século XX e, como autor didático, publicou Cantigas de Infância, No Lar e Na Escola e Reino Infantil, poemas e contos infantis. Como explicar que alguém que não freqüentou os bancos escolares chegasse a diretor-geral de Educação? Certamente herdara do pai, João, o gosto pelas letras e artes em geral, a vocação para o teatro, pela boemia, a andar pelas madrugadas dedilhando o pinho e, de seu avô materno, o Professor Brandão, o envolvimento com o mundo da petizada. Paranista consciente, não deixou de reverenciar o símbolo augusto do Paraná, o pinheiro, no seu Reino dos Pinheirasis e, fixando residência no Rio a partir de 1938, foi o representante máximo da política paranaense durante seis anos seguidos, acompanhando o interventor Manoel Ribas em suas visitas, reuniões e audiências oficiais no Rio de Janeiro. Foi um verdadeiro embaixador da cultura paranaense.

Poeta, revistógrafo (A Crise, no Teatro Hauer; O Diabo em Curitiba, no Mignon; e A Magia do Ouro, no Guaíra), músico, conferencista, jornalista, o nosso embaixador cultural. É extensa a sua bibliografia, destacando-se Horas; Poentes de Outono; Vaticínios (crônicas); A Hora da Mulher (ensaio) e Em Louvor do Paraná (discurso). Em 1982, com mais de 90 anos, faleceu no Rio de Janeiro o menestrel insólito do bandolim, dissolvendo as energias em cantar madrigais quentes, por debaixo dos balcões, disputando sorrisos de castelãs a golpes de florete. (WB)

1º Ocupante

Wilson da Silva Bóia (1927-2005)

Wilson da Silva Bóia nasceu no bairro da Glória, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 15 de junho de 1927. Após o curso primário em várias escolas, cursou o ginasial no Externato São José e o científico no Colégio Vera Cruz. Formouse em Medicina em dezembro de 1950. Como orador da turma, pronunciou na solenidade de formatura a oração Ciência e Arte em Medicina, mais tarde publicada em livro.

Durante o período acadêmico trabalhou como copy-writer de A Exposição, escrevendo um programa diário para a Rádio Jornal do Brasil. Freqüentou o Curso de Teatro da Prefeitura do Distrito Federal sob a direção de Renato Viana, participando como galã do elenco de teatro das rádios Tupi e Tamoio, da cadeia Emissoras Associadas. Publicou seu livro de estréia, A Lira Selvagem, diplomando-se em seguida em Química Orgânica e Higiene Industrial. Como médico, ingressou nos quadros da Polícia Militar e, depois, já como oficial-médico do Exército, exerceu as funções de chefe do Pavilhão de Clínica Médica do Hospital Central do Exército, sub-diretor da Policlínica Central do Exército e diretor do Hospital Militar de Fortaleza. No Ceará, escreveu para os jornais locais, fez conferências na Academia Cearense de Letras, na Casa de Juvenal Galeno e no Instituto Histórico. Lançou também três livros: Antonio Sales e Sua Época, Ao Redor de Juvenal Galeno e Associações Literárias de Fortaleza, 1a Série. Em 1987, mudou-se para Curitiba. Logo ao chegar, viu-se premiado com o 1° lugar no concurso Gralha Azul de Literatura, com David, o Gigante. Em seqüência, outros trabalhos seus foram contemplados pela Secretaria de Cultura, como Rodrigo Júnior, o Poeta, Alceu Chichorro, o Chargista, Newton Sampaio, o Escritor e Plácido e Silva.

Pesquisador incansável, foi membro do Centro de Letras do Paraná, do Círculo de Estudos Bandeirantes, da Academia Brasileira de Médicos Escritores e do Instituto de História da Medicina do Paraná. Escreveu ainda as crônicas que compõem o volume Do Fundo do Baú, editado postumamente. Permanecem inéditos os perfis biográficos Raul Gomes, Percival Charquetti, Padre Cícero, Ingênuo ou Mistificador?; Maupassant, Um Gênio Atormentado, Dicionário de Pseudônimos, Cadilhe e a História da Academia Paranaense de Letras, na qual foi recebido, em sessão solene, no dia 16 de maio de 1994, pelo acadêmico Túlio Vargas. Faleceu em Curitiba em 11 de junho de 2005. (VHJ)

2º Ocupante

Léo de Almeida Neves (1932)

Léo de Almeida Neves nasceu em Ponta Grossa em 22 de março de 1932, filho de Francisco Fay Neves e Noêmia Almeida Neves. Economista formado pela Faculdade de Ciências Econômicas do Paraná, em 1953, e advogado pela Faculdade de Direito da UFPR, em 1954. Dessa turma da Faculdade de Direito, cinco integrantes fizeram parte da APL: Túlio Vargas, Leopoldo Scherner, Edilberto Trevisan, Luiz Geraldo Mazza e Léo.

Elegeu-se deputado estadual pelo PTB, em 1958, e deputado federal mais votado pelo MDB, em 1966. Teve o mandato cassado pelo regime militar (AI-5) em 13 de março de 1969. Suplente de deputado federal pelo PMDB em 1982, assumiu o mandato três anos depois. De 1995 a 2003, foi suplente do senador Roberto Requião. Exerceu os cargos de vice-presidente e secretário geral da Executiva Nacional do antigo PTB e foi fundador e presidente do MDB de Curitiba. Procurador Federal aposentado, ex-diretor da Carteira de Crédito Agrícola e Industrial do Banco do Brasil e ex-presidente do Banestado. Foi Delegado Regional no Paraná do Instituto Nacional de Previdência Social e Diretor de Produção do Instituto Brasileiro do Café. Presidiu o Conselho de Administração da Copel. Desde 1970, é funcionário da Cia. Cacique de Café Solúvel, tendo sido presidente da Cia. Cacique de Armazéns Gerais. Atualmente, presta assessoria à presidência e à área jurídica e tributária da empresa.

Na juventude, exerceu o jornalismo no Diário do Paraná, colaborando ainda com inúmeros órgãos da imprensa como Gazeta do Povo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Diário do Comércio e Indústria, O Estado do Paraná, Jornal do Estado, Indústria & Comércio, O Paraná, Folha de Londrina, Tribuna do Norte, Diário dos Campos e Jornal da Manhã, entre outros. Autor das obras Destino do Brasil: Potência Mundial (Ed. Graal, RJ, 1995, 270 páginas), prefácio do ex-deputado federal Fernando Gasparian, apresentação de Samuel Guimarães da Costa e orelha assinada pelo ex-presidente da Câmara de Deputados Paes de Andrade; Vivência de Fatos Históricos (Ed. Paz e Terra, SP, 2003, 534 páginas), prefácio de René Ariel Dotti, apresentação do ex-presidente do Banco do Brasil Camilo Calazans e orelha assinada por Luiz Geraldo Mazza; Segredos da Ditadura de 64 (Editora Paz e Terra, SP, 2010, 356 páginas), prefácio do ex-governador Roberto Requião e orelha assinada por José Carlos Veiga Lopes; Privatizações de FHC, A Era Vargas Continua (Edição do Autor, 2010, 374 páginas), prefácio de Jorge Samek, diretor-geral de Itaipu, e orelha assinada por Valmor Stédile, do Diretório Nacional do PDT. Sua posse na APL ocorreu na Assembléia Legislativa do Paraná, saudado por Belmiro Castor, em 18 de setembro de 2006, na última sessão solene presidida por Túlio Vargas. (EB)