Cadeira 27 – Marta Morais da Costa

Patrono

Domingos Virgílio do Nascimento (1862-1915)

Nascido em Guaraqueçaba, em 31 de maio de 1862, foi um dos fundadores do Centro de Letras do Paraná e membro também da antiga Academia de Letras. Nas sessões do Centro de Letras, sempre comunicativo, risonho e franco, não lembrava o severo militar da Arma de Artilharia. Filho de pais pobres, pescadores, fez as primeiras letras em Paranaguá. Em Curitiba, matriculou-se no Instituto Paranaense, onde completou com destaque o curso de Humanidades. Daqui partiu para a Escola Militar da Praia Vermelha. Do Rio foi para o Rio Grande do Sul, onde se colocou a serviço da propaganda abolicionista e republicana, ao lado de Júlio de Castilhos, Borges de Medeiros e outros. Proclamada a República, regressou vitorioso à terra natal, com o curso das Três Armas, como tenente.

Militar, poeta, prosador, jornalista, político, inventor e industrial, suas crônicas se encontram nas páginas amarelecidas de todos os jornais e revistas curitibanos. A sua obra publicada não é pequena e vale aqui ser citada: Revoadas (versos, 1883); Trenós e Arruídos (versos, 1887); O Sul (prosa, 1895); Em Caserna (contos militares, 1901); Pelo Dever (discurso, 1902); Flora Têxtil (prosa, 1908); A Hulha Branca no Paraná (estudo, 1914); Dr. Vicente Machado (estudo político-social, em colaboração, sem data). A turrice de um superior hierárquico, General Comandante do Distrito Militar, que o puniu por indisciplina, e uma prisão injusta, obrigou-o a ensarilhar as armas. Dias depois, em humorísticos alexandrinos, convidou José Raposo, da revista A Semana, a visitá-lo na jaula: Um animal feroz, um redator deposto! Tal incidente redundaria em conseqüências perduráveis para a sua carreira militar.

Grande coração, dono de uma bondade extrema, com carinho atendia os pedintes, os pobres que o procuravam em sua residência. Trabalhava muito em seu gabinete de estudo, folheando livros de sua biblioteca pequena e selecionada. Apreciador da música, era comum vê-lo rodeado dos filhos, a tocarem violino, violoncelo e piano. Até no último instante da vida teve a energia de exclamar: Eu sei que morro, mas protesto contra esta morte. Faleceu em Curitiba em 30 de agosto de 1915. (WB)

Fundador

Omar Gonçalves da Motta (1910-1972)

Nasceu em Curitiba no dia 6 de dezembro de 1910, filho de Joaquim Gonçalves da Motta e Guilhermina Borges da Motta. Bacharel em Direito pela Universidade do Paraná. Foi promotor público e professor universitário das disciplinas de Direito do Trabalho, Ciência das Finanças e Direito Financeiro. Lecionou na faculdade em que se formou e na correlata da Universidade do Brasil. Atuou na empresa privada e na política, tendo, por diversas vezes, desempenhado funções de assessoria de congressos e comissões internacionais.

No Paraná, foi promotor-geral da Justiça e secretário de Estado do Interior e Justiça, assumindo também, interinamente, a interventoria do Estado, durante o impedimento do interventor Manoel Ribas. Foi assessor civil do governo brasileiro no Colégio Interamericano de Defesa, Washington, EUA. Autor de O Sindicato e a Realidade Brasileira e O Salário Mínimo no Brasil. Personalidade forte, era tido como político envolvente. Grande entusiasta da cultura, suas ações políticas tiveram significativa importância para a criação da primeira Faculdade de Filosofia paranaense.

Aliado de Loureiro Fernandes, Milton Carneiro e os demais envolvidos no objetivo da instalação da faculdade, todos ligados ao Círculo de Estudos Bandeirantes, foram de extrema valia seus esforços para obter, junto a Manoel Ribas, a concessão de uso do prédio da Assembléia Legislativa, então às moscas, dado o regime de exceção vigente, para a Faculdade, que não possuía imóvel próprio. Desentendendo-se, mais tarde, com o interventor, viu-se no ostracismo e desamparado no Paraná, sendo obrigado a afastar-se do Estado. Radicou-se, então, por definitivo, no Rio de Janeiro, onde faleceu em 11 de dezembro de 1972. É considerado fundador da APL. (VHJ)

1º Ocupante

Noel Nascimento (1925-2013)

Nasceu em Ponta Grossa, em 2 de novembro de 1925, filho de Sebastião Nascimento e Maria Claudina Bittencourt de Castro Nascimento. É, ao mesmo tempo, romancista, ensaísta e poeta. Autor de Casa Verde, recriação ficcional da Guerra do Contestado; Nova Estética, defesa de um realismo humanista; A Revolução Brasileira e as Lutas Sociais no Paraná, radiografia de conhecidos movimentos rebeldes; e Coreto de Papel, coletânea de poesias repassadas de impressionismo autêntico e profundo, que João Manuel Simões chamaria de lirismo impressionista, além de outras obras, percebe-se nele, desde logo, um pensador inconformado com a realidade que o rodeia, indignado com as contradições sociais que atormentam a humanidade, principalmente o terceiro mundo. Expressa as suas emoções sem disfarçar essa revolta íntima.

Em A Justiça e o Fim da Repressão, aborda atualíssimos temas sociais e jurídicos. Não é só um trabalho erudito, como é, também, primoroso trabalho de arte literária. A expressão perfeita e fluente, por vezes poética, torna a leitura atraente, ao mesmo tempo que nos conduz a refletir sobre as verdades que o livro apresenta. O autor adentra, com segurança de conhecedor, os terrenos das mais variadas ciências. Discute diversas teorias com argumentos de mestre habituado a considerar todos os ângulos de uma questão.

Nessa obra faz abordagem sobre a violência, o humanismo, a sociologia do direito, a legislação e a justiça. Pretende um sistema protecional mediante o exercício da nãoviolência, a persuasão, o apaziguamento, a solidariedade e a educação. Uma certa utopia, é verdade, mas passível de reflexões. Levado para o campo da filosofia jurídica, esse novo humanismo seria representado, principalmente, por dois princípios fundamentais: anti-violência e o direito de proteção. Em toda sua obra, Noel abomina o enjaulamento do homem, tanto quanto a forma de violência, ao contrário, porém, de Montero que, às vezes, transige com a pena corporal, se isso for recomendado pela pedagogia correcional. Esta posição mais se aproxima da de Roberto Lyra, que só cede ao ímpeto de demolir as prisões diante do interesse público da segurança, reservandoas apenas para os casos de internação e custódia. Noel detém uma visão moderna dos problemas que afetam a sociedade e faz da literatura um veículo hábil para propagar suas idéias, em forma de poesia ou de prosa. Obteve em 1995 o primeiro lugar no Concurso Nacional de Romances com Arcabuzes, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, o que lhe confirma o talento criativo. Foi recepcionado em sessão de posse da APL, em 23 de maio de 1979, pelo acadêmico Vasco Taborda Ribas. (TV) Faleceu no dia 24 de junho de 2013, em Curitiba.

 

2º Ocupante

Marta Morais da Costa (1945)Marta Morais1

Nasceu em Ouro, estado de Santa Catarina em 21 de setembro de 1945, é casada e tem três filhos. É graduada em Letras pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e mestre e doutora em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP). Desde 1965, atua como professora em diferentes graus de ensino. É professora sênior da UFPR, onde atua, desde 1988, na área da literatura brasileira no mestrado e no doutorado em Estudos Literários, ministrando disciplinas sobre leitura, poesia e narrativas brasileiras, história do teatro e da dramaturgia brasileira. Coordenou por cinco anos a revista Letras da UFPR. Criou e coordena o Curso de Especialização em Leitura de Múltiplas Linguagens da Comunicação e da Arte, o Saberes – Congresso Nacional de Leitura de Múltiplas Linguagens e o Saberes – Congresso Paranaense de Leitura, na PUCPR, onde também dirigiu por dez anos os cursos da área de Letras. Integra conselhos de editoração e comissões julgadoras de literatura e assessora diversos projetos de incentivo à leitura, além de realizar palestras, oficinas e cursos em várias localidades do país. Tem artigos publicados em revistas de diferentes estados brasileiros e mais de uma dezena de capítulos em livros editados em parceria, nos quais trata de teatro, leitura, literatura infantil e literatura e escola. Escreveu Femina, peça teatral representada pelo Grupo Tanahora da PUCPR, em 1999. Em 2006, publicou o livro “Mapa do mundo: crônicas sobre leitura”, em que aborda assuntos relativos à formação de professores, à teoria da leitura, à crítica sobre literatura, à formação de leitores, à literatura infantil e à contação de histórias. Escreveu semanalmente crônicas sobre leitura, literatura e educação na página “O Estado educa”, do jornal O Estado do Paraná, de setembro de 2004 a agosto de 2007.