Cadeira 28 – Nilson Monteiro

Patrono

Francisco Carvalho de Oliveira (1863-1927)

O comerciante português João Carvalho de Oliveira, natural de Minho, chegou ao Brasil em 1849, com 21 anos de idade. Casou com Francisca Rosa e esta, ao dar à luz um menino, Francisco, em 28 de agosto de 1863, morreu logo após o parto. Francisco Carvalho de Oliveira, órfão de mãe, logo se viu amparado pelos carinhos de sua madrinha, Maria do Céu Taborda Munhoz, que lhe ensinou as primeiras letras. Aos 14 anos de idade, a contragosto, seguiu para o Rio de Janeiro, onde se empregou como caixeiro, por imposição paterna. Após muito empenho junto ao pai, conseguiu deste permissão para iniciar os estudos, preparando-se para enfrentar os exames do Curso de Farmácia.

Tornou-se farmacêutico aos 21 anos de idade, após brilhante curso. Ainda no Rio, no convívio com o poeta paranaense Antônio Camargo Pinto, tornouse abolicionista e republicano, passando a colaborar para diversos jornais, fundando ainda a Gazeta Farmacêutica, de curta duração. Em 1885, Francisco abriu em Curitiba, precisamente em 1° de setembro, a Farmácia Carvalho. Cinco anos depois, em maio de 1890, cerrou as portas de seu estabelecimento comercial para se tornar farmacêutico adjunto do Exército. Exerceu, ainda, o magistério, como lente catedrático de Física e de Química do Instituto Paranaense e da Escola Normal. Em 20 de novembro de 1886 casou com Amélia Augusta Ribeiro, que lhe deu dois filhos, Ismênia e João Baptista — este, o conhecidíssimo Rodrigo Júnior.

Durante 15 anos transmitiu a várias gerações de estudantes os seus conhecimentos até que em 15 de maio de 1906, portador de catarata, viu-se obrigado a aceitar a aposentadoria. Aos 64 anos, em 27 de setembro de 1927, faleceu o mestre acatado e querido por inúmeras levas de alunos do Ginásio Paranaense, vítima de doença cardíaca. Seus funerais saíram, às 17 horas daquele dia, da Rua Marechal Deodoro, n° 5, com destino ao Cemitério Municipal. (WB)

Fundador

Rodrigo Júnior (João Baptista Carvalho de Oliveira) (1887-1964)

Filho do poeta Francisco Carvalho de Oliveira, a quem, em 1936, escolheu para Patrono da Cadeira 28, que fundava, e de Amélia Ferreira Ribeiro Carvalho de Oliveira, nasceu em 10 de setembro de 1887, em Curitiba. Dos preparatórios no Ginásio Paranaense, ingressou no Curso Odontológico da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Curiosamente, sem aptidão para o ofício, desdenhou a única prova oral que lhe faltava para pôr as mãos no diploma de cirurgião-dentista. Em 1910, na mesma faculdade, formou-se em Farmácia, estabelecendo-se em Curitiba. Com intenções de abandonar o ofício de boticário, houvera, em 1926, começado o Curso de Direito, no qual acabou por bacharelar-se em 1930. Rodrigo Júnior soube aproveitar a vida na capital federal, que ainda guardava resquícios da velha corte imperial, numa belle époque bem brasileira.

Freqüentando rodas boêmias sem ser propriamente um boêmio, conviveu com Emílio de Menezes e Emiliano Pernetta, seus conterrâneos. Sua bibliografia apresenta, em poesia e prosa: Estrela d’Alva (1905); Torre de Babel (1906); Alô, Alô, Curitiba, Revista em um ato levada à cena no Teatro Guaíra (1912); Cânticos e Baladas (1913); Sonatinas Amorosas (1922); Pela Noite da Vida (1923); Um Caso Fatal, novela (1926); O Feminismo Avança, burleta, com a colaboração de Maria Nicolas (1937); Juvenília (1938); Antologia Paranaense, colaboração de Alcebíades Plaisant (1938); Palavras, Leva-as o Vento (1952); Sonetos do Paraná, colaboração de Léo Júnior (1953); Sonetos de Minha Terra (1953). Rodrigo Júnior foi o grande incentivador dos jovens. O movimento futurista do início da década de vinte, englobado pelo Modernismo de 1926, pela amizade que mantinha com os participantes, contou com a compreensão do poeta, já então um veterano. A publicação Letras Paranaenses 1970, assim se refere ao poeta: …reuniu, em seu redor, diversas gerações de jovens e velhos literatos, alguns dos quais devem a ele sua iniciação artística.

Dalton Trevisan e Helena Kolody, entre muitos, freqüentavam a casa do poeta. Sobre Rodrigo Júnior, duas obras biográficas são encontráveis em bibliotecas do Estado: Rodrigo Júnior, de Wilson Bóia, e Rodrigo Júnior: Poeta e Prosador, de Valério Hoerner Júnior, livro este destacado com o primeiro lugar no Concurso Nacional de Ensaios. Acometido de um derrame cerebral, faleceu em Curitiba no dia 8 de junho de 1964. Foi fundador da APL. (VHJ)

1º Ocupante

Leonardo Henke (1905-1986)

Descendente de austríacos e italianos, nasceu em Curitiba no dia 14 de dezembro de 1905. Poeta por vocação, natural e equilibrado, Henke traz de Bocage a retórica e a sensibilidade. Construiu, durante a vida um castelo de versos tecnicamente perfeitos. Não se encontra vulgaridade em sua obra, que se caracteriza pela filosofia, erudição e bondade: um de seus últimos livros é Prelúdios e Oferendas, no qual, fazendo uso do acróstico, técnica que desenvolveu com amor e com a intenção de homenagear os amigos, são encontráveis quase uma centena de sonetos do tipo. Curioso e pesquisador, foi um experimentalista, percorrendo, com sucesso, todos os gêneros que a poesia lhe pôde oferecer: é autor de Duas Coroas de Sonetos, composição poética clássica totalizando 15 sonetos, sendo que os quatorze versos que formam o primeiro soneto constituem subseqüentemente o último de cada soneto seguinte. Um malabarismo!

Dono de ouvido absoluto (aquele que identifica e determina prontamente a nota musical de qualquer som), foi violinista concertino e tratava a poesia igual à música, daí a mestria com que rimava e metrificava — técnica de artista, sentimento e melodia, coração e ouvidos: pura harmonia. Romântico dentro do gênero clássico, não há temor em dizer que sua formalística é a neoparsiana. Descobriu a poesia através de Bocage e impressionado com a forma do vate português, costumava afirmar: Bocage mostrou-me o mundo por meio dos caminhos da poesia. Acabei concluindo por mim mesmo que o verdadeiro poeta é aquele que escreve espontaneamente em versos — música falada. Amigo de Guilherme de Almeida, correspondiam-se amiúde. O poeta paulista acenou-lhe com seu apoio se, eventualmente, se candidatasse à Academia Brasileira de Letras. Sua bibliografia mostra: Primeiras Rimas, Poemas da Terra e do Homem, Pedras do Meu Garimpo, Cântico das Horas, Cantigas do Entardecer.

Sucedeu a Rodrigo Júnior como Príncipe dos Poetas Paranaenses, bem como na Cadeira 28 da Academia Paranaense de Letras. Helena Kolody, princesa da poesia paranaense, que o sucedeu na Academia, afirmou em seu elogio ao antecessor: Sua poesia foi disciplinada e elaborada num padrão de dignidade e de perfeição técnica. E João Manuel Simões: … é poeta clássico pela forma, clássico pelo espírito. Aparentando estar cheio de saúde, faleceu repentinamente aos 80 anos de idade, no dia 23 de abril de 1986. Foi recebido na Academia em 13 de Abril de 1957. (VHJ)

2º Ocupante

Helena Kolody (1912-2004)

Primogênita de Miguel e Vitória Kolody, que se conheceram e casaram no Brasil, Helena foi a primeira criança nascida, em 12 de outubro de 1912, no recém-criado núcleo colonial de Cruz Machado. Estudou em Três Barras, Mafra, Rio Negro e em seguida em Curitiba, aluna do Colégio da Divina Providência e da antiga Escola Normal, diplomando-se em 1931. São de 1924 seus primeiros versos, época em que estudava piano e pintura, em Mafra. Transferindo-se para Curitiba em 1927, teve, já no ano seguinte, seu primeiro poema publicado: A lágrima. A partir de 1930, viu seus versos em jornais e revistas, especialmente na revista parnanguara Marinha, grande estimuladora de suas letras.

Nomeada, por concurso, professora do Estado, subseqüentemente lecionou em Rio Negro, Ponta Grossa e Curitiba. Finalmente, em 1937, foi designada para a Escola Normal da capital paranaense, ali permanecendo 23 anos, até aposentar-se, em 1962. Exerceu ainda as funções de Inspetora Federal do Ensino Médio. Em 1941 publicou seu primeiro livro, Paisagem Interior, dedicado ao pai e preparado em segredo, visando bela surpresa. Por ironia do destino, faleceu-lhe o pai sem a ventura de apreciar o seu trabalho. Apesar disso e compensando de certo modo seu sentimento de frustração, o livro mereceu o segundo lugar em Concurso de Poesia, no Rio de Janeiro. Em 1945, apareceu o segundo livro, Música Submersa. E em 1949, em Concurso de Livros, promovido pelo Centro de Letras do Paraná, A Sombra no Rio obteve o terceiro lugar e a publicação pela Prefeitura Municipal. Em seguida vieram Trilogia e Poesias Completas. A aposentadoria, em 1962, permitiu-lhe maior tempo e dedicação aos versos. Prova disso são os rebentos Vida Breve, 20 Poemas, Era Espacial, Trilha Sonora, Antologia Poética, Tempo, Correnteza e Infinito Presente.

Em 1983, escolheu 22 de seus poemas e publicou-os com o título Poesias Escolhidas. Em 1985 apareceu Sempre Palavra e em 1988 Viagem no Espelho. Helena Kolody é detentora do Diploma de Mérito Literário e do título de Cidadã Honorária de Curitiba. Em 1991 foi a segunda mulher (a primeira foi Pompília Lopes dos Santos) a ser eleita para a Academia Paranaense de Letras, Cadeira n° 28, anteriormente ocupada pelos notáveis poetas Leonardo Henke e Rodrigo Júnior, este, segundo Helena, Um mestre inesquecível! Em 1992, quando completou 80 anos, a poeta foi personagem única de filme curta-metragem de Sílvio Back. É, com certeza, a maior expressão feminina da poesia paranaense, em todos os tempos. Foi recebida na Academia em 25 de março de 1992 pelo acadêmico Leopoldo Scherner. Faleceu em Curitiba em 15 de fevereiro de 2004. (VHJ)

3º Ocupante

Belmiro Valverde Jobim Castor (1942-2014)

Nasceu em Juiz de Fora (MG) em 26 de abril de 1942, filho de Carlos Castor de Menezes e Maria da Gloria Jobim Valverde Castor. Aos três anos, seu pai, militar, foi transferido para o Batalhão Ferroviário de Rio Negro. Estudou no Grupo Escolar General Rabelo e, em 1951, foi viver com os avós, Belmiro e Glorinha Valverde, no Rio de Janeiro, estudando no Colégio Santo Agostinho. Formado em Direito pela Universidade do Estado da Guanabara. Fez o Curso da CEPAL/ BNDE (1966) em planejamento do setor público, aprovado com distinção. Graças à Madame Hélene Garfunkel, diretora da Aliança Francesa, em Curitiba, obteve bolsa do governo francês para se especializar em Méthodes Modernes de Gestion na França, em 1967. Entre 1979 e 1982 estudou na USC de Los Angeles, recebendo o grau PhD in Public Administration, With Distinction. Sua tese de doutoramento, que aplicava os modelos de organização social do sociólogo Alberto Guerreiro Ramos, ganhou em 1982 o Prêmio Henry Reining, atribuído à melhor dissertação anual sobre administração pública.

Foi Secretário de Planejamento nas gestões Emílio Gomes, Jayme Canet e em parte do governo José Richa. Foi Secretário da Educação, durante 18 meses, na gestão Alvaro Dias. No grupo Bamerindus foi Diretor de Planejamento e Controle Empresarial, da Área Internacional e Diretor Superintendente. Deixou o Banco em 1996. Professor Titular de Administração da UFPR, aposentou-se em 2004. Desde 2007 é Professor do Doutorado em Administração da PUC-PR e Professor Colaborador do Mestrado em Organizações e Desenvolvimento da UniFAE. Seu livro O Brasil Não É Para Amadores: Estado, Governo e Burocracia na Terra do Jeitinho (2000; 2a edição, 2004) foi publicado nos Estados Unidos sob o título Brazil Is Not For Amateurs: Patterns of Governance in the Land of “Jeitinho”. Publicou ainda os livros Tamanho Não É Documento: Estratégias para a Pequena e a Microempresa (Ebel, 2007), e Estratégias para a Pequena e Média Empresa Brasileira (Atlas, 2009). Publicou o Dicionário de Termos de Planejamento Estratégico (com Fabio Zugman, 2008), Para o Brasil Voltar a Crescer (com John Henry Schulz et al, 2006), Planejamento Estratégico Municipal: Empreendedorismo Participativo nas Cidades, Prefeituras e Organizações Públicas (com Denis Alcides Rezende, 2005); e Estado e Administração Pública: Reflexões (com Célio Francisco França, Simon Schwartzman, José Augusto de Souza Peres e Walter Costa Porto, 1987).

É colunista da Gazeta do Povo e comentarista da Rádio CBN. Preside o Centro de Educação João Paulo II, organização sem fins lucrativos para educação a grupos de baixa renda. É membro do Conselho Superior da Associação Comercial do Paraná. Tomou posse em 30 de maio de 2005, saudado pelo acadêmico René Dotti. (EB)

Faleceu em 29 de março de 2014, em Curitiba, vítima de um mal súbito do coração.

 

4º Ocupante

Nilson Monteiro (1951)Nilson Monteiro1

Nilson Monteiro nasceu em 26 de outubro de 1951, em Presidente Bernardes, SP, filho de Florêncio Monteiro e Damaris Rosa Menezes Monteiro. Graduado em Letras Franco/Portuguesas pela Universidade Estadual de Londrina, possui Especialização em Comunicação Social, também pela UEL.

É jornalista desde 1970, tendo trabalhado no Novo Jornal (repórter, editor), Folha de Londrina (repórter, chefe de reportagem, editor), Panorama (repórter, pauteiro, chefe de reportagem, editor), Movimento (repórter), O Estado de S. Paulo (repórter), Gazeta Mercantil (repórter, secretário de Redação, chefe de Redação, editor executivo na Sucursal de Curitiba). Também passou pela revista Istoé (repórter), pela Rádio Alvorada de Londrina (chefe de reportagem), pela TV Tropical e pela TV Paranaense. Trabalhou também em diversas assessorias de imprensa, nas áreas pública e privada e em agências de publicidade.

Foi membro do Conselho de Cultura do Estado do Paraná (1982/84), presidente do Diretório Central dos Estudantes (UEL), presidente do Diretório Acadêmico do Centro de Artes e Letras da UEL, membro do Conselho Universitário da Universidade Estadual de Londrina (1975/77), do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Paraná, do Conselho Político da Associação Comercial do Paraná e do Conselho Fiscal da Fomento Paraná S/A. Faz parte da Academia de Letras de Londrina.

Publicou os livros “Simples” (poesia); “Curitiba vista por um pé vermelho” (crônicas); “Ferroeste, um novo rumo para o Paraná” (reportagem); “Itaipu, a luz” (reportagem); “Pequena casa de jornal” (crônica); “Madeira de Lei, uma crônica da vida e obra de Miguel Zattar” (biografia); “Pedaços de muita vida – os 122 anos da Associação Comercial do Paraná” (história); “40 anos transformando vidas” (institucional/Sebrae) e “Mugido de Trem” (romance)

Recebeu Menção Honrosa na Bienal Internacional do Livro, Câmara Brasileira do Livro, São Paulo (1982); Melhor Cobertura da Bienal Internacional do Livro, Câmara Brasileira do Livro, São Paulo (1984); Melhor Reportagem Econômica, Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Curitiba (1995); Melhor Livro Memória Empresarial, Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJ), São Paulo (2000), com o livro “Itaipu, a luz”

Foi Paraninfo de Comunicação Social, Universidade Estadual de Londrina (1981). É Cidadão Honorário de Londrina (1999); Cidadão Honorário de Curitiba (2000), Cidadão Honorário do Paraná (2012).