Cadeira 29 – Darci Piana

Patrono

Leônidas Fernandes de Barros (1865-1926)

Nasceu em Curitiba em 15 de janeiro de 1865. Coincidentemente, seu pai, Bento Fernandes de Barros, desembargador cearense, um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, também seria Patrono de uma das cadeiras da Academia, a de n° 7. Iniciou-se nas letras em Joinville, aos 23 anos, cidade em que nasceria sua irmã, a pintora Maria Amélia, de forte presença artística em Curitiba. Leónidas de Barros é quase desconhecido pelas novas gerações. E, certamente, suas poesias continuariam esquecidas e sepultadas nas folhas de nossos periódicos, não fosse o esforço congregado dos acadêmicos Valfrido Pilotto e Rodrigo Júnior para publicar, em 1940, o seu único livro, Ascensão, reunião de seus trabalhos poéticos elaborados entre 1884 e 1926.

A obra recebeu críticas elogiosas no Diário da Tarde, por parte de José Cadilhe e Euclides Bandeira, chegando a impressionar também intelectuais do porte de Afrânio Peixoto e Pedro Calmon. Outras duas obras suas, Moisés e Alegorias, extraviaram-se. A Academia Paranaense de Letras, em sessão de 19 de maio de 1945, em gesto de reconhecimento aos altos méritos intelectuais de Leónidas de Barros, resolveu lembrar-lhe o nome para um de seus patronos. Alto funcionário do Banco do Brasil, por força de sua profissão foi transferido para o Rio ainda que, sempre que possível, visitasse Curitiba, para matar saudades da terra e dos amigos. Euclides Bandeira contou que Leónidas de Barros, bom curitibano, sempre que lhe era dado arredar o pé da Guanabara fascinadora vinha mitigar a nostalgia. Chegava mais álacre que os pardais primaveris de Junqueiro.

Faleceu em 13 de setembro de 1926, em Petrópolis, legando um passado glorioso, ele que participou dos mais importantes movimentos políticos e sociais de sua época, ajudando com a força de seus artigos a arrancar as algemas dos escravos e a quebrar lanças em favor de seus ideais republicanos. (WB)

Fundador

Adolpho Jansen Werneck de Capistrano (1877-1932)

Ao escrever o soneto Morretes, em seu primeiro quarteto, Adolpho Werneck já deixaria registrado o local e o mês de seu nascimento:

Morretes, meu torrão, solo fecundo
regado pelo manso Nhundiaquara,
terra em que os olhos eu abri ao mundo,
ao calor de Dezembro, em tarde clara.

Nascido em 3 de dezembro de 1877, após os estudos preparatórios ingressou como funcionário público do Ministério da Fazenda onde, por muitos anos, serviu na Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional de Curitiba. Jornalista e cultor do humorismo, deixou, no entanto, vasta colaboração em jornais e revistas paranaenses, ainda não catalogada, contrastando com a sua pequena bibliografia: Dona Loura (versos, 1903); Bizarrias (sonetos, 1908); Insónia (poemeto, 1921); Minha Terra (poemeto, 1922); Arco-íris (versos, 1923) e a revista teatral em 1 prólogo e 2 atos, O Jornal. Poeta acima de tudo, a sua lírica revela o seu estado de espírito, suas fantasias, visões sangüíneas, rubras, como em Bizarrias, onde predomina o satanismo já que ele, autor, roga ao diabo proteção para o seu livro.

A sua verve e o seu chiste podem ser comprovados na série Caricaturas, sonetos publicados no Diário da Tarde, escondidos sob os pseudônimos de Mello Dias e Companhia (no mês de fevereiro, com Helvídio Silva) e de Mostarda e Companhia (no mês de março), satirizando figuras conhecidas no mundo político, social e literário, dentre elas De Sá Barreto, Marins Camargo, Lamenha Lins, Emiliano Pernetta, Cônego Braga, Monsenhor Celso e Marechal Bormann. Emérito charadista, no Almanach Paranaense para 1900, na seção de Charadas, recebeu bela homenagem na Página de Honra, com retrato, como decifrador de todos os trabalhos publicados no referido almanaque do ano anterior. Presidente do Cassino Curitibano em 1922, redator-chefe da revista O Sapo, encontram-se pelas páginas desbotadas de nossos periódicos suas crônicas e poesias assinadas por Ad. Janwer, Bingue, Hugo, Jansen de Capistrano, Nelson de Andrade e Plutão. Viúvo de Maria Antonieta que lhe deu nove filhos, falecida em agosto de 1922, casou novamente com Alice Taborda. Por pouco tempo. Faleceu, em Curitiba no dia 18 de agosto de 1932. (WB)

1º Ocupante

Alcindo Lima (1902-1945)

Nasceu em Curitiba, dia 11 de janeiro de 1902, filho de Francisco Lourenço de Lima e Flora Lopes de Lima. Exerceu na adolescência o cargo de oficial dos Correios e Telégrafos, mas sua inclinação foi sempre pela poesia que cultivava nas horas de lazer. Usava nas publicações os pseudônimos Aldo Junior, Olavo Junior e Capremonte Zinkofrewsky. Pertenceu à geração literária surgida em 1922, com a revista Flâmula, da qual faziam parte, entre outros, De Sá Barreto, Alceu Chichorro, Correia Júnior e Quintiliano Pedroso.

Despreocupado, pois tinha hábitos boêmios antes de casar-se, escrevia nas redações dos jornais, nas mesas dos cafés ou confeitarias, não ligando importância aos produtos de sua pena. Assim se explica o fato de haver dado à estampa um único livro de versos, Coração… Minha Vida! e, se tal ocorreu, foi em grande parte devido à dedicação afetuosa e diligente de amigos seus. Aprazia-lhe colaborar em todos os periódicos que lhe requisitavam a verve poética. Assim colaborou regularmente na imprensa e nas revistas da época, tais como Gazeta do Povo, A Flâmula, Revista do Sul, Sonetos Paranaenses, Jazz, a Farofa, Ilustração Paranaense, Prata de Casa, Correio dos Ferroviários, O Mensageiro do Natal, O Itiberê, Diário da Manhã e Jornal dos Poetas.

Incursionou, também, pela arte cênica, escrevendo a comédia O Fumaça em Morungava e o drama, em dois atos, O Natal do Bombeiro, ambas encenadas pela Sociedade Teatral Renascença, em 30 de dezembro de 1931, no Teatro Guaíra. Dos seus sonetos selecionados, vale destacar Há Uma Coisa Qualquer, nos seguintes versos: Há uma coisa qualquer por esse mundo afora / Um ideal, talvez, que é novo para mim./ Alvores de manhã, cintilações de aurora/ Um perfume, uma flor, alguma coisa enfim/ Qualquer coisa há de haver, pois minh’alma se enflora / Em convulsões de sonho, estranhas e sem fim/ E dentro do meu ser sinto espontar-me agora/ Orquestrações de amor em flautas de marfim./ E que anseio me vem, e que anseio de luz/ Canta dentro de mim qual rouxinol festivo/ Que o festivo luar arrebata e seduz./ Pois em tanta emoção há uma coisa qualquer/ Que me obriga a sentir a glória de estar vivo/ Um perfume… uma flor… um beijo… uma mulher…

Faleceu em 29 de outubro de 1945, deixando viúva e dois filhos. No sepultamento, a oração de despedida foi proferida de maneira inflamada pelo amigo e companheiro, de boêmia e Academia, Alceu Chichorro. (VHJ)

2º Ocupante

Carlos Alberto Teixeira Coelho Júnior (1894-1969)

Dois meses depois da chegada do filólogo Carlos Alberto Teixeira Coelho ao Brasil, vindo do Porto, nasceu em Curitiba, em 2 de novembro de 1894, Coelho Júnior, no Alto do São Francisco, no solar do tio-avô, o comerciante José Natividade Teixeira de Meireles. Foi iniciado nas primeiras letras por sua tia, Mariana Coelho, que com eles também viera, pioneira da emancipação feminina, autora de um livro premiado pela Academia Brasileira de Letras, Paraná Mental.

Com o término da guerra civil no Paraná, seu pai se estabeleceu com uma farmácia em Ponta Grossa e para lá foi toda a família. Foi aluno do professor, historiador, matemático, ex-oficial do Exército argentino João Becker, um dos fundadores do Instituto Dr. João Cândido. Terminou o secundário na cidade natal. Em 1910, com o regresso definitivo da família para Curitiba, Coelho decidiu enfrentar o vestibular para o curso de Engenharia no Mackenzie College, em São Paulo. Mais tarde foi para o Rio, mantendo contato com Lopes Trovão e Lima Barreto, hospedado em casa de sua prima, Biluca. Nessa altura, em 1918, trabalhava para os jornais cariocas O País e A Rua, ganhando por mês, duzentos e cinqüenta mil réis.

Com a mudança dos primos para Paquetá, ele passou a dividir quarto com o jornalista português Campos Júnior, à Rua Evaristo da Veiga, bem no centro do Rio. Por indicação de seu colega Monteiro Neto ganhou o cargo de topógrafo para desenho e fixação de pranchas de um projeto do ramal na Baixada Fluminense, agora com o ordenado de quinhentos mil réis. Recebendo melhor salário, alugou sozinho um quarto de pensão na Rua Dona Luísa. Ao andar pelos cabarés do Rio e se encontrar com Edmundo Mercer, resolveu retornar ao Paraná, já que o amigo estava encarregado de grandes trabalhos topográficos no nosso Oeste. Coelho Júnior tornou-se um bandeirante, percorrendo milhares de quilômetros a pé, a cavalo, de canoa, com o teodolito em punho, a medir e demarcar terras. Sertanista nato, viveu na selva momentos de aventuras, narrando-as em Perfis e Panoramas, 1940. Em 1946 surge Pelas Selvas e Rios do Paraná, memórias de sua estada em sertões paranaenses. Cronista, poeta e contista pouco divulgado, eleito para o Centro de Letras do Paraná em 21 de novembro de 1944, faleceu em Curitiba em 21 de junho de 1969. (WB)

3º Ocupante

Ladislau Romanowski (1902-1997)

Nascido em Mallet, no dia 8 de janeiro de 1902, em berço humilde, estava predestinado a perlustrar o fascinante roteiro das letras. Foi desses intelectuais singulares, cujo ofício tem sido morar, dormir, sofrer e alegrar-se com a literatura. O escritor é aquele que forma a consciência, elabora uma terminologia, uma técnica de trabalho, dedica à obra todas as meditações, adquire-lhe o domínio dos segredos e devassa-lhes mistérios e problemas. Segundo um ator russo, a criação literária é um moinho. Engenho composto de mós sobrepostas e giratórias, movidas pelo vento, que gira sempre em torno do seu eixo de sustentação que é a realidade. Daí a sua relação com a história. Romanowski interceptou o movimento do moinho para fornecer subsídios culturais ao seu tempo. Procurou, pelo romance, analisar a condição humana pelas reações dos seus personagens diante da vida. Através de peças para o teatro captou os paradoxos existenciais e soube transmiti-los com delicadeza e simplicidade descritiva. Na sua temática infantil, relembrou Monteiro Lobato ao concluir ser mais belo e gratificante escrever para crianças. Tem sido permanente a sua renovação conceitual e metodológica ao retirar das experiências vividas uma perspectiva poética do seu mundo interior.

Soube recolher do quotidiano a essência dramática dos seus desenlaces, fundindo com habilidoso senso crítico o verossímil e a fantasia. Sua obra contém uma poderosa carga telúrica ao mesmo tempo em que se mistura à índole pedagógica das estórias para crianças. Tornou-se versátil ao explorar gêneros literários diversificados, incursionando com naturalidade pelas infinitas dimensões da alma humana. Sua atividade mental intensa, ampla e fecunda, quase sempre foi dirigida às questões subjetivas, a revelar original pensamento crítico calcado na psicanálise ou na pedagogia que abastecem os tipos e figuras que movimentam seus dramas passionais ou suas estórias ingênuas. Da sua vasta bibliografia, entre outras, constam: Ciúme da Morte; O Retrato de Wlade; E os Trigais Ondulavam e O Anãozinho de Paletó Verde. Faleceu em Porto Alegre, dia 5 de Outubro de 1997. (TV)

4º Ocupante

Leonilda Hilgenberg Justus (1923-2012)

Nascida em Ponta Grossa, em 19 de maio de 1923, filha de David Hilgenberg Júnior e de Laura Hilgenberg, sua atuação se faz sentir em várias áreas de nossa cultura, no jornalismo, na literatura e na música. Apresentada por ilustres acadêmicos, sua obra literária pode ser conhecida por meio das suas seguintes publicações: Versos Para Você (1981), Se Me Amasses (1983), Chamas Erradias (1985), Naquelas Horas (1986), Ponte Terra Infinito (1988), Hipocrene (1992), Abstratos Concretos (1994) e Lampejos. Em 2006, publicou Sobre a Leitura.

Dinâmica, dona de forte poder de aglutinação, participa, com sucesso, de antologias e coletâneas, nacionais e internacionais. Seus trabalhos, especialmente os voltados para a arte poética, são apreciados e aplaudidos pela nossa crítica especializada. Por essa razão, têm alcançado, nos diversos concursos em que se inscreve, medalhas de ouro, placas de prata, diplomas, menções honrosas e especiais. Pertence a várias instituições culturais, dentre elas o Centro Cultural Euclides da Cunha em Ponta Grossa, Instituto Histórico e Geográfico de Uruguaiana (RS), Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (seção do Paraná), União Brasileira dos Trovadores (seção Paraná), além das associações com sede em Curitiba, como Centro de Letras, Centro Feminino Paranaense de Letras, Sala do Poeta e Academia de Letras José de Alencar. Deve-se destacar sua atuação como fundadora e presidente do Centro Cultural Faris Michaele, em Ponta Grossa. Figura feminina de prestígio também no mundo social, tem recebido várias homenagens oficiais, reconhecida como uma das dez mulheres de destaque do Paraná, proclamada em 1994 a Embaixatriz da Poesia do Brasil. Responsável há anos pela coluna Hipocrene, no periódico pontagrossense Jornal da Manhã, na qual analisa as obras que lhe chegam às mãos, prefaciadora requisitada pelos escritores da nova geração, foi idealizadora e primeira presidente da Academia de Letras dos Campos Gerais, acontecimento de grande repercussão cultural.

Toda sua atividade foi reconhecida e recompensada com a entrada para a Academia Paranaense de Letras, em 14 de junho de 2000, tomando posse no ano seguinte, com saudação proferida pelo acadêmico Marino Braga. (WB)

5º Ocupante

Darci Piana (1941)

posse piana

Darci Piana nasceu em Carazinho (RS), em 24 de dezembro de 1941, filho de Angelo Piana e Augusta Barzotto Piana. Radicou-se no Paraná ainda na juventude, considerando-se paranaense de coração. Casado com Maria José Piana, teve dois filhos: Eduardo Luiz Piana, precocemente falecido, e Patricia Piana, professora universitária. É Economista, formado pela Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Católica do Paraná, e Contador, pela Faculdade Econômica e Administração da UFPR. É empresário do comércio e industrial. Foi presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Veículos, Peças e Acessórios no Estado do Paraná (Sincopeças); fundador e primeiro presidente da SINCOCRED – Cooperativa de Crédito do Sincopeças/PRe presidente do Conselho do Paranacidade. Exerceu a superintendência regional da Companhia de Financiamento da Produção no Paraná, entre 1985 e 1987.

Foi também, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/PR. É um dos fundadores do Paraná Clube, do qual foi presidente entre 1992 e 1993. Exerce a presidência do Sistema Fecomércio Sesc Senac Paraná e a vice-presidência da Confederação Nacional do Comércio, de Bens, Serviços e Turismo. É Cidadão Honorário do Estado do Paraná e das seguintes cidades: Curitiba, São José dos Pinhais, Palmas, Matinhos, Ivaiporã, Cornélio Procópio, Jacarezinho, Pato Branco, Campo Mourão, Apucarana, Maringá e Francisco Beltrão. Recebeu ainda dezenas de outras homenagens no Paraná e no Brasil, destacando-se: Medalha Pacificador da ONU Sérgio Vieira de Mello, concedida pelo Parlamento Mundial para Segurança e Paz; Medalha do Pacificador “Duque de Caxias”, conferida pelo Exército Brasileiro; Prêmio de “Honra ao Mérito”, pelo consulado francês, pelo estreitamento de relações entre o Brasil e a França; Honra ao Mérito da Associação Giuseppe Garibaldi. É autor do livro Nos Passos do Comércio, editado em 2012, com artigos que publicou a partir de 2004, quando assumiu a presidência do Sistema Fecomércio.

Sua atuação em prol da preservação da cultura do Paraná, expressa na restauração do Paço da Liberdade, prédio da antiga Prefeitura Municipal, em Curitiba, transformado em unidade cultural do Sesc, e do Cadeião de Londrina, a ser também devolvido à população como espaço cultural, além da promoção de inúmeros eventos, nas áreas de literatura, música, teatro, artes plásticas, incluindo a edição de livros sobre a cultura paranaense, fizeram com que fosse eleito para a Academia em 20 de novembro de 2012. Tomou posse no auditório da Fecomércio, com saudação a cargo de Ernani Buchmann, em 25 de março de 2013. (EB)