Cadeira 30 – Adherbal Fortes de Sá Júnior

Patrono

Emiliano David Pernetta (1866-1921)

Nasceu em Pinhais, em 3 de janeiro de 1866. Já no Instituto Paranaense, demonstrava o seu vigor físico, ao se exibir com rara habilidade nos aparelhos de ginástica, executando saltos mortais. Aos 16 anos de idade, ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo. Sua vida como acadêmico foi consagrada à boemia. Vibrou pela causa abolicionista a ponto de, no dia da abolição da escravatura, escrever uma carta dirigida à Princesa Isabel. Lançou, então, seu primeiro livro, de feição parnasiana, Músicas. Mesmo abusando do álcool, das noites mal dormidas, formou-se em Direito em 15 de novembro de 1889, coincidentemente, a data em que a monarquia, por ele tão combatida, ruía. Foi, a seguir, para o Rio, lançando-se no jornalismo ao lado de Bilac, Pardal Mallet, Murat e outros. Mas foi o encontro com Cruz de Sousa que alterou profundamente o rumo de sua poesia.

Mudou-se para Minas Gerais, iniciando sua curta carreira na Magistratura. Seriamente doente, em fins de agosto de 1896 retornou ao Paraná. Durante um ano ficou sob os cuidados do irmão Júlio e da dedicação da cunhada Júlia, até o total restabelecimento. De Curitiba nunca mais sairia. Lançou Alegorias. Por concurso, conquistou a cadeira de Português do Ginásio Paranaense. Em seguida publicou Ilusão, ocasião em que recebeu a consagração popular, no Passeio Público. Em 20 de agosto de 1911 foi ali coroado Príncipe dos Poetas Paranaenses. Figura pequenina e azougada, palestrador incomparável, conversava como ninguém quando, na saleta da pensão, à noite, reunia amigos, discípulos e admiradores, andando de um lado para outro, inquieto, vibrátil, a fronte erguida, rindo e gesticulando, os braços sempre em movimento compassado, pisando ou saltitando no bico dos pés, de quando em quando a soltar gostosas gargalhadas e repetindo a frase: Imaginem vocês… Imaginem vocês… O autor dos libretos Papilio Innocentia e A Vovozinha, da Pena de Talião e de Setembro, fundador do Centro de Letras do Paraná, no fim da tarde da quarta-feira, 19 de janeiro de 1921, conversando com o médico Alegretti Filho, ao lavar as mãos na pensão em que morava, sentiu-se mal. Levou a mão à fronte, cambaleou, amparando-se à parede. Foi levado para a cama, já morto. Desaparecia, assim, uma das maiores figuras da história literária do Paraná. (WB)

Fundador

José Henrique de Santa Ritta (1872-1944)

Das mais fulgurantes inteligências de sua época. Orador primoroso, crítico, novelista e poeta, foi incomparável no talento e no poder criativo. Admirador de Eusébio da Motta, escreveu sobre esse notável pensador ensaio crítico denominado Solitário da Luz, no qual lhe enaltece os predicados de mestre. Autor da novela Emy, que alcançou enorme repercussão na dramaturgia paranaense, revela a faceta singular do ficcionismo requintado. Poeta admirável, seus sonetos alexandrinos constam da Antologia de Rodrigo Júnior e Alcebíades Plaisant, como expressões de lucidez poética.

Nascido em Paranaguá, no dia 23 de dezembro de 1872, estudou inicialmente na escola do professor José Cleto da Silva, seu primeiro mestre. Muitos anos depois, em janeiro de 1914, quando se inaugurou, num jardim de Paranaguá, o busto em bronze do notável professor, Santa Ritta produziu fulgurante página sob o título de Um Homem. Concluiu os preparatórios no Ginásio Paranaense e formou-se pela Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro, em 1895. Exerceu os cargos de Juiz Municipal de Cerro Azul, Campo Largo e Lapa. Depois Juiz de Direito da Capital e Procurador da República. Nomeado desembargador em 1919, cargo em que se aposentou.

É um dos fundadores do Centro de Letras e da Academia Paranaense de Letras, em cujas instituições desempenhou funções eminentes, inclusive as de presidente. Admirador de Emiliano Pernetta, Santa Ritta elaborou inteligente estudo crítico sob o título Ao Redor da Ilusão, em que analisa a temática do festejado autor. Deixou publicadas obras jurídicas e literárias de extremo bom gosto e profundidade. Casado em 1900 com Helena Azorin Joaquina de Carvalho, não deixou descendentes. Faleceu em Curitiba no dia 20 de julho de 1944. É fundador da APL. (TV)

1º Ocupante

Octávio De Sá Barreto (1906-1986)

Nasceu em Curitiba no dia 22 de novembro de 1906. Freqüentou os antigos Colégio Renascença, Escola Republicana e Ginásio Paranaense, formando-se em Direito em 1930. Em 1920, começou a trabalhar no jornal A República e seus primeiros sinais literários possuíam a forma acadêmica. A amizade que o prendia aos desmiolados do Futurismo, porém, Alceu Chichorro, Valfrido Pilotto, Laertes Munhoz e Correia Júnior, deixava-o à vontade quanto à forma e à temática, compreendendo e apoiando os companheiros, mas distante de cometimentos semelhantes.

Já em 1922, entusiasmou-se com o movimento Modernista de São Paulo, mas só em 1926, com o manifesto de Jurandir Manfredini em prol do Modernismo, quatro anos tardio, desabrocharam-lhe os versos sob a égide da liberalidade e, portanto, do cunho personal do artista, solto das amarras acadêmicas convencionais. Nem por isso atordoou-se, como aconteceu amiúde, aqui e acolá. Manteve-se fiel ao seu poder de expressão e, dentro de irretocável lirismo, deu à literatura paranaense momentos incomparáveis de qualidade poética. Estreou com Nuvem Que Passa, em 1922, e, logo em 1924, publicou Este Livro. Dirigiu a Novela Paranaense ao lado de Rodrigo Júnior, que editou O Automóvel n. 117, novelas e contos.

Entre a infinidade de publicações que possui sob diversas formas, há, ainda, a noveleta Palavra, Que É Certo!; Emílio de Menezes, Figura Marcante do Parnasianismo Brasileiro; Realejo dos Enlevos, poemas de várias épocas. O livro Pássaro Sem Asas foi sua última publicação em vida, constando existir expressiva produção inédita. O poeta, escritor, jornalista, teatrólogo, crítico de arte, orador e conferencista, faleceu em 22 de outubro de 1986, um mês antes de completar 80 anos. É considerado fundador da APL. (VHJ)

2º Ocupante

Oldemar Justus (1922-2006)

Nasceu em Ponta Grossa, dia 29 de junho de 1922, filho de Felippe e Tereza Justus. Passou a residir em Curitiba a partir de 1957. Bacharel em Ciências Contábeis, Economista e Auditor, foi também compositor, poeta e escritor. Pertenceu a diversas Academias e Clubes Literários do País. Sua poesia é uma mistura entre o romântico e o filosófico. Ela faz parte da sua vida como uma espécie de linguagem intermediária entre este tempo e outro, desconhecido, mas vislumbrando através da arte em toda sua grandiosidade e beleza. Considera este mundo e o outro uma coisa só.

Na sua obra destacam-se, entre outras, Feito Pássaro, 1984; Um Novo Canto, 1985; Volúpia, 1987; Ecos e Silêncios, 1989; A Alma e o Tempo, 1991; Tempo Breve, 1993, Além das Estrelas, 1995 e Folhas Soltas, 1995, além de várias participações em antologias poéticas, o que o consagrou pela crítica literária e jornalística, levando-o a ser publicamente reconhecido, face à qualidade estética da sua obra criativa. Rosário Farani Mansur Guérios, insuspeito filólogo e erudito acadêmico, de saudosa memória, escreveu, certa vez: Há nos seus poemas muita imaginação, muita filosofia, muita psicologia. O poeta, de certa maneira manifesta com suas produções a saudade do paraíso que perdeu, e não repousa enquanto não alcançar a plenitude da felicidade em outra vida. A poesia de Oldemar busca esses altiplanos. Não tenho receio de errar, ele é dos maiores poetas paranaenses da atualidade.

Os principais personagens de um poema são a suavidade e o vigor dos versos, na opinião de Paul Valery. Pois tais ingredientes emanam da paisagem interior deste artista eclético, professor de esperança e vendedor de sonhos, cujo mister foi acender estrelas e espalhar luz. Diretor-presidente das empresas Justus Auditores Independentes e Justus Consultores Associados S.A., dividiu sua criatividade entre atividade profissional e as cogitações do espírito. Faleceu em Curitiba em 19 de maio de 2006. Tomou posse da cadeira 30 da APL no dia 11 de junho de 1993, saudado pelo acadêmico Túlio Vargas. (TV)

3º Ocupante

Adherbal Fortes de Sá Júnior (1939)

Adherbal Fortes de Sá Júnior é curitibano, nascido em 9 de maio de 1939, filho de Adherbal Fortes de Sá e Carmem Borba Fortes. É casado com Rita Astrid Calderari Figueiredo, pai de Adriana, Bruno e Mariana. Estudou no antigo Colégio Santa Maria da Praça Santos Andrade, na Escola de Cadetes de Porto Alegre e cursou a Academia Militar de Agulhas Negras. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba, em 1962. Recebeu a medalha de ouro do Instituto dos Advogados do Paraná pela tese “Da Propriedade Horizontal”. Sua vocação para o jornalismo levou-o ao Diário do Paraná, nos anos 50. Passou pela revista Panorama e pelo jornal Ultima Hora, do qual foi o principal colunista, o que lhe rendeu um processo instaurado pelo regime militar, depois arquivado pelo Supremo Tribunal Federal. Contratado pelo O Estado do Paraná, passou depois para a TV Iguaçu, para escrever e dirigir o Show de Jornal, com Renato Schaitza, a partir de 1968.

Escreveu com Paulo Vítola os espetáculos teatrais Cidade sem Portas, em cartaz de 1973 a 1975, e Paraná, Terra de Todas as Gentes, para a inauguração do Grande Auditório do Teatro Guaíra, em dezembro de 1974. Trabalhou também nos jornais Correio de Notícias e Indústria & Comércio, em emissoras de televisão e em emissoras de rádio. Foi assessor de comunicação dos governos Canet Jr., Ney Braga, José Richa e Jaime Lerner. Com J. Pedro Correia e Solange Fusco elaborou o Plano de Comunicação da Volvo do Brasil para a década de 90, premiado pela ABERJE, Associação Brasileira de Comunicação Empresarial. Coordenou a comunicação do Sindicato da Construção Civil do Paraná e participou da elaboração da Carta de Belo Horizonte, que denunciou a corrupção no Governo Collor, e idealizou a Greve do Fumo e a Meia Maratona de Curitiba. Criou o Band Pé no Rio, programa de caráter educacional destinado à preservação ambiental, premiado pela Câmara de Vereadores de Curitiba e pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária.

Em 1997, publicou o livro Ney Braga – Tradição e Mudança na Vida Política. Estudioso da produção musical curitibana, escreveu Vestido Branco – Uma Aventura Musical, publicada em formato digital. Como diz o autor, “Vestido Branco, como todo retrato, mostra só um ângulo. O nosso é o ângulo da música, que explodia nas bocas da Rua Cabral, nos clubes sociais (porque existiam clubes anti-sociais), nos muquifos do Parolin, onde tocava Zé Pequeno e seu maravilhoso regional”. Recebeu em 2006 o título de Vulto Emérito de Curitiba, concedido pela Câmara Municipal. Foi eleito para a APL em 18 de março 2007, tomando posse em 2 de outubro do mesmo ano, saudado por Ernani Buchmann. Escreve o blog www.cidadesemportas.com.br e é editor executivo do site www.canalgua.com.br, da ABES. (EB)