Cadeira 31 – Roberto Gomes

Patrono

Emílio Correia de Menezes (1866-1918)

Curitibano, nascido no Largo da Matriz em 4 de julho de 1866, após o aprendizado das primeiras letras, com o professor Brandão, matriculou-se no Instituto Paranaense. Já rapaz, empregou-se numa farmácia, publicando seus primeiros versos no 19 de Dezembro e participando das atividades do Clube Abolicionista Paranaense. Aos 21 anos de idade embarcou para o Rio, dedicando-se daí por diante ao jornalismo. Casou com Maria Carlota, casamento que lhe deu um filho. Foi freqüentador das rodas boêmias cariocas.

Com o Encilhamento, ganhou muito dinheiro, mudando o padrão de vida. Abandonou a esposa, comprou carruagens, manteve palacete na região serrana de Petrópolis, passou a vestir-se como um dândi. Envolveu-se no célebre bendengó do sal e ficou milionário. Mas terminada a aventura, passou a sentir o gosto amargo da pobreza. Antigo freqüentador da Confeitaria Pascoal, mudou seu quartel-general para a Colombo. Conheceu Rafaelina, com quem passou a viver. Acentuados pela vida desregrada que levava então, passou a sofrer problemas de saúde. Voltou a Curitiba à procura de novos ares. Durante sua estada foi tirada a foto bem conhecida em que o poeta aparece aboletado num fordeco ao lado de Dario Vellozo, Emiliano Pernetta, Serro Azul e Zeno Silva, no Retiro Saudoso. Candidato à ABL na vaga de Raimundo Correia e derrotado pelo cientista Osvaldo Cruz, ao ser estimulado por Bilac, Graça Aranha e Medeiros de Albuquerque, bateu novamente às portas do Petit-Trianon, na vaga de Salvador de Mendonça, desta vez com sucesso. Mas seu discurso acadêmico não obteve aprovação da mesa do Silogeu por conter alusões ferinas a Oliveira Lima e a Afrânio Peixoto, ambos imortais.

Preferindo sempre o convívio das redações dos jornais e dos lugares públicos onde se reunia a jeunesse dorée da época, sempre se destacava pela agudeza dos seus conceitos, a fereza dos seus epigramas, a intenção de sua sátira mordaz. Parnasiano, o seu verso era como que gravado a buril, tal a perfeição da forma e o rendilhado das idéias. No soneto, rivalizava com Luiz Delfino. Na sátira, com Gregório de Mattos. O satírico inesgotável dos Deuses em Ceroulas e o lírico da Marcha Fúnebre e Dies Irae. Faleceu no Rio em 8 de junho de 1918. Nove anos depois, seu corpo foi transladado do Cemitério de São João Batista para Curitiba. (WB)

Fundador

Helvídio da Silva Pereira (1883-19**)

Nascido em Curitiba em 25 de novembro de 1883, fez seus estudos primários em colégios particulares e os exames preparatórios no Ginásio Paranaense. Passou a colaborar, ainda jovem, pelos seus 17 anos de idade, em A República e depois, com mais assiduidade, no Diário da Tarde. Lançou seu primeiro e único livro de sonetos, Grinaldas, em 1904, época em que integrava o Clube da Luta Romana como seu primeiro orador. Em 14 de abril de 1906 partiu para Recife, nomeado escriturário da Delegacia Fiscal. No ano seguinte, casou com Ermelinda, que lhe deu três filhos, Nilton, Hudson e Harvey.

Ainda na capital pernambucana formou-se em Direito, em 16 de março de 1912. De lá, de tempos em tempos, embora os múltiplos afazeres de funcionário público e acadêmico, enviava colaborações para o vespertino Diário da Tarde com a seção de crônicas Do Norte. Andou pela Amazônia e, ao voltar ao Paraná, exerceu os cargos de magistrado na Comarca de Ponta Grossa e o mandato de deputado à Assembléia Legislativa do Estado. Membro da Ordem dos Advogados do Brasil e da União Brasileira de Juristas, consultor jurídico da Companhia Prada de Eletricidade e da Associação Beneficente 26 de Outubro, advogado da Prefeitura de Curitiba e dos Bancos do Brasil e Nacional do Comércio, afastou-se da política por ocasião do golpe de estado de 10 de novembro de 1937. Mudou-se para o Rio, reiniciando sua vida burocrática ao ingressar na Procuradoria-Geral da Fazenda, no gabinete do Dr. Francisco de Sá Filho.

Jornalista, diretor-presidente da Companhia Cervejaria Adriática, professor, homem de variadas atividades, as suas produções poéticas espalhadas por jornais e revistas de Curitiba, de Recife, de Ponta Grossa e de Paranaguá, impregnadas de dor, sofrimento e morte, bem que mereciam ser coligidas e publicadas para estudo e conhecimento das novas gerações. Infelizmente, por mais que indagássemos de velhos acadêmicos informações sobre Helvídio Silva, pelo menos a data e o local de seu falecimento, nada conseguimos, pairando sobre ele uma névoa de mistério e de esquecimento. (WB)

1º Ocupante

Lauro Grein Filho (1921-2015)

Médico, professor e escritor, nasceu em Rio Negro, no dia 9 de agosto de 1921, filho de Lauro Grein e Maria da Conceição Sabóia Grein. Após os estudos preliminares, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Paraná, colando grau em 1943 e sendo distinguido com o Prêmio Ramar por haver obtido o primeiro lugar em Clínica Médica. Radicado em Castro, dirigiu o jornal e a emissora de rádio locais, inclinando-se nitidamente para o campo das letras, a par das atividades profissionais da medicina. Atraído pela política, elegeu-se, ainda em Castro, vereador e presidente da Câmara Municipal. Do primeiro conto que publicou na revista Fon-Fon aos demais que lhe ampliaram o horizonte criativo, revelou-se o escritor primoroso que iria desdobrar a vocação em festejados livros de memórias.

Ao transferir-se para Curitiba, ampliou a área de atuação intelectual como integrante da Academia Paranaense de Medicina, Sociedade Brasileira de Médicos Escritores e do Centro de Letras do Paraná, dos quais foi operoso presidente. Neste último, por exemplo, introduziu inovações modernizantes e programas atraentes, elevando o conceito da entidade junto à sociedade cultural do Estado. Tem exercido atuante atividade comunitária, ocupando a presidência do Lions Club Curitiba, Centro e do Clube 21 Irmãos Amigos. Portador da Ordem da Bandeira por assinalado destaque no campo do civismo, científico, cultural e humanista. Coleciona diversos títulos de relevância, tais como Grã-Cruz de Cavaleiro da Ordem Soberana de Malta, Comendador da Honorífica Ordem de Cultura da Academia de Cultura de Curitiba, Medalha Dourada da União Brasileira dos Trovadores, Comenda Honorífico da Ordem da Filantropia e diploma de Mérito Ético-Profissional do Conselho Regional de Medicina do Paraná. Como presidente da Cruz Vermelha do Paraná tem desenvolvido administração altamente profícua. Nessa condição, visitou países das Américas e da Europa, em observação e estudos, com o que tem aperfeiçoado os serviços essenciais da instituição. Dos livros publicados, com inegável repercussão, Hora de Lembrar e Fatos que Ficaram, repositórios de recordações, ressaltam-lhe as qualidades de memoralista; O Estetoscópio, série de crônicas no livro Escritores do Brasil, de Aparício Fernandes, constitui outra fonte reveladora de seu talento. Em 2005, lançou Painel de Realidades, coletânea de crônicas.

Vice-presidente da APL durante 14 anos, sucedeu o acadêmico Túlio Vargas quando de seu falecimento, em março de 2008, exercendo a presidência da Academia até o final do mandato daquela diretoria, em dezembro do mesmo ano. Foi recebido em sessão solene no dia 26 de setembro de 1986, aniversário de 50 anos da Academia, pelo acadêmico Túlio Vargas. (TV/EB)

 

2º Ocupante

Roberto Gomes (1944)

Roberto Gomes nasceu em Blumenau, em 1944, filho do jornalista João Gomes e de Ondina Cruz. Viveu numa casa na beira do rio, onde na parte dianteira funcionava as oficinas do jornal que o pai editava Reside desde 1964 em Curitiba, Paraná. É professor aposentado da UFPR. É divorciado e tem quatro filhos.

Publicou romances, contos, crônicas, literatura infantil, além de traduções. Sua primeira obra, Crítica da Razão Tupiniquim (1977), em décima segunda edição, questiona a filosofia no Brasil.

Em 1979 obteve o Prêmio José Geraldo Vieira com o romance Alegres memórias de um cadáver. Escreveu outros romances, como Antes que o teto desabe (1981), Terceiro Tempo de Jogo (1985), Os Dias do Demônio (1995) e Todas as casas, de 2004.

Publicou dois livros de contos, Sabrina de Trotoar e de Tacape (1981) e Exercício de Solidão (1998), e quatro livros dirigidos ao público infanto-juvenil: (1982), Carolina do nariz vermelho (1986), Aristeu e sua aldeia (1987) e A difícil arte de ser urubu (2001). O Demolidor de Miragens, 1983, e Alma de bicho, 2000, são coletâneas de crônicas, escritas para o jornal Gazeta do Povo. Traduziu Gogol, Dostoievski, Merimée e Voltaire.

Tem participação em inúmeras antologias, destacando-se também as obras em que analisa aspectos da Filosofia, matéria da qual foi professor.

Em paralelo ao trabalho no magistério, foi diretor da Criar Edições e. entre 1989 e 1998, dirigiu a editora da UFPR.

Sua obra foi analisada por vários estudiosos de literatura e de filosofia, tais como Guilhermino César, Wilson Martins, Marisa Lajolo, Miguel Sanches Neto, André Seffrin, Antônio Manuel dos Santos Silva, José Hildebrando Dacanal e Foed Castro Chamma.

Recebeu o prêmio Jabuti em 1982 com O menino que descobriu o sol. Seu conto Sabrina de Trotoar e de Tacape foi adaptado para o cinema, no longa-metragem Flor do Desejo.

Em 2008 publicou o romance Júlia sobre a vida da poetisa Júlia da Costa e, em 2011, o romance O conhecimento de Anatol Kraft.

Eleito para a Academia Paranaense de Letras em 10 de maio de 2017, tendo tomado posse em 21 de agosto do mesmo ano, em cerimônia no Auditório da Federação do Comércio do Paraná, saudado por Paulo Venturelli. (EB)