Cadeira 32 – Luci Collin

Patrono

Joaquim Procópio Pinto Chichorro Júnior (1866-1926)

Nasceu em Antonina, no dia 20 de outubro de 1864. Na terra natal, fez os estudos de primeiras letras e, em São Paulo, no Seminário Episcopal, as diversas matérias do curso secundário, prestando exames preparatórios para a Faculdade de Direito. Retornando ao Paraná, casou-se, em Piraquara, com Francisca, que viria a ser popularizada por seu filho Alceu como Dona Chiquinha. Deste casamento, realizado em 1887, adveio numerosa prole.

Ocupou cargos importantes na administração pública paranaense, destacando-se o de procurador da Fazenda, o de secretário do Interior e Justiça e Instrução Pública e o de secretário das Finanças, Comércio e Indústria, este por dois quatriênios. Revelou-se administrador acurado e de largos conhecimentos financeiros. Alterou o sistema da apresentação dos orçamentos. Foi também deputado estadual em duas legislaturas, administrador dos Correios e diretor-presidente do Banco de Curitiba. Apesar dessa intensa atividade, conseguia dispor de tempo para lecionar, pois era professor do Ginásio Paranaense, titular das cadeiras de Pedagogia, Lógica e História Natural. Em 1896, no concurso aberto para preenchimento do cargo de lente de Aritmética e de Álgebra do Ginásio e Escola Normal, conquistou o primeiro lugar na classificação geral. Muito o desagradou, no entanto, a anulação do concurso, atribuída a pressões políticas da época.

Enfrentando problemas financeiros e de saúde, sem um teto próprio onde morar, dirige-se ao amigo industrial Xavier de Miranda solicitando-lhe, sob empréstimo, a importância de duzentos mil réis para pagamento do aluguel da casa em que residia. Foi notável sua atuação nos cenários literário, filosófico e político. Homem de letras, polemista vigoroso, comentarista, poeta e jornalista, pianista exímio, sócio-fundador do Centro de Letras do Paraná, chegou a publicar Vozes Livres, versos, 1886; O Deus Social, prosa, 1889; e diversas conferências. Ao lado de Menezes Dória, Claudino dos Santos e Cunha Brito, colaborou no jornal Federação (1892), como que a prosseguir sua meta quando, à frente da redação de A República, tudo fizera para a queda do regime monárquico e consolidação dos princípios republicanos. A morte colheu-o em plena atividade mental, em Curitiba, numa sexta-feira, 31 de agosto de 1926, deixando viúva e 12 filhos, entre eles o acadêmico Alceu Chichorro. (WB)

Fundador

Alceu Chichorro (1896-1977)

Nascido em Curitiba em 21 de junho de 1896, Alceu Chichorro era filho do também acadêmico Chichorro Júnior. Teve apenas três livros editados, o que não traduz o prestígio, a popularidade e a ascendência por ele exercida numa roda em que fulguravam as inteligências de Barros Cassal, Ciro Silva, Correia Júnior, Alcindo Lima, Léo Cobbe, Otávio Sidney e Ildefonso Serro Azul. Suas melhores produções, entre contos, crônicas e poesias, estão nas colunas de velhos jornais, como a Gazeta do Povo, O Dia e a Tribuna. Dono de uma verve exuberante, boêmio inveterado, suas charges eram apreciadas diariamente, bem cedinho, na primeira página dos diários, por meio dos personagens Eloy, ou Eloy de Montalvão, ou ainda Jota, desfilando os seus calungas Tancredo, Minervino, Tia Marcolina e o sempre lembrado Chico Fumaça. Tanto assim que os problemas do dia-a-dia, comentados nas rodas dos cafés, nas esquinas, nos bancos, nas redações dos jornais, nas repartições, passavam pelo crivo, especialmente os de caráter político ou econômico, do Chico Fumaça, figura traquinas e simpática que, pouco e pouco, tomaria conta da própria vida curitibana. Face à natureza de suas charges, sempre ferinas, chegou a ser advertido, tolhido em suas ações, proibido de desenhar os seus bonecos, chamado às falas, enfim, pelas autoridades policiais. Intransigente defensor da liberdade de pensamento, nunca se omitiu diante de todo e qualquer acontecimento do Paraná e do Brasil.

Durante oitenta anos espalhou entre nós a malícia, a galhofa, a pândega, quer nas suas crônicas irreverentes, quer nos seus contos apimentados. Por outro lado, manifestava terna emoção quando, durante muitos e muitos anos, no mês de março, em longos poemas, lembrava sua querida mãe, Dona Chiquinha. Fez parte, com Valfrido Pilotto, Correia Júnior e Laertes Munhoz, do movimento Futurista que assustou os intelectuais por volta dos anos vinte. Faleceu no dia 30 de abril de 1977, na Estância Lar Dona Ruth, em Curitiba, para onde se recolhera, vítima de problemas cardiopulmonares. (WB)

1º Ocupante

Emílio Leão de Mattos Sounis (1913-1999)

Filho do General Jorge Augusto Sounis e Angelina de Mattos Sounis, nasceu em Curitiba no dia 19 de janeiro de 1913. Doutor em Medicina pela Universidade Federal do Paraná, professor universitário das cadeiras de Microbiologia e de Higiene, sanitarista por especialização, lecionou por cerca de quarenta anos. Ao concluir o curso de Medicina, conquistou o cobiçado Prêmio Nilo Cairo, conferido ao candidato melhor classificado.

Membro do Centro de Letras do Paraná, da Academia Paranaense de Medicina, da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, do Instituto Histórico e Geográfico, da Sala do Poeta, é nome freqüente em diversas antologias poéticas. Conquistava amiúde destacada posição em concursos literários. Além de seus trabalhos voltados para a área profissional, como Bioestatística, Serviço de Arquivo Médico e Estatística, Manual de Higiene e Medicina do Trabalho, Microbiologia: Curso Prático, Epidemiologia, dois volumes, e duas teses de concurso, ofereceu acréscimo a já volumosa bagagem literária com expressivas manifestações do sentimento, a poesia: A Sombra das Araucárias, Cantigas da Saudade, Quando o Coração Floresce…, Cantigas de Minha Terra, Devaneios, Momentos de Ternura, Sete Poetas e Tardes de Garoa.

Sua última obra, Vida e Obra do Engenheiro Leão Sounis, focalizou a ação heróica de seu avô, registrando uma determinada passagem pela pena do ilustre historiador Túlio Vargas: Florianista e republicano, teve relevante participação na Revolução Federalista. Seus gestos de nobreza impediram, em várias ocasiões, atos de vindita contra os vencidos. Designado pelo General Pêgo Júnior para dinamitar algumas pontes na Serra do Mar, quando do avanço dos rebeldes em direção ao primeiro planalto, negou-se a fazê-lo de imediato, consciente da importância daquelas obras de arte, até que o comando militar reconsiderasse a ordem. Faleceu em Curitiba, no dia 26 de setembro de 1999. Foi recebido na APL pelo acadêmico Ruy Miranda, em 27 de agosto de 1985. (WB)

2º Ocupante

José Wanderlei Resende (1938-2015)

Nasceu na fazenda Santa Helena, município de Jacarezinho, em 18 de setembro de 1938, filho de Agenor Lopes de Resende e Lúcia Miranda de Resende. Iniciou os estudos no Grupo Escolar Generoso Marques, em Cambará, a seguir nos Colégios Cristo-Rei e Ruy Barbosa, de Jacarezinho. Concluiu o curso jurídico na Faculdade de Direito de Curitiba e optou pela carreira judiciária. Começou como juiz de direito substituto em Guarapuava, depois já titular em Reserva, em Laranjeiras do Sul, Arapongas e finalmente Curitiba. Promovido ao Tribunal de Alçada em 1990. Membro efetivo do Tribunal Regional Eleitoral, dedicou-se igualmente ao ensino lecionando direito penal, legislação complementar e direito do menor, na escola superior da Magistratura.

Sua ascensão ao Tribunal de Justiça do estado foi coroamento de um itinerário devotado ao trabalho e ao estudo. Intelectual qualificado, sua vertente literária direcionada à poesia revelou, desde cedo, uma vocação sensível à criação artística. A publicação de seus poemas e sonetos, em antologias e lançamentos individuais, tem merecido a aprovação da crítica. Argus Cirino, da Academia Mato-grossense de Letras, afirma que o autor é um arauto da paz, que sabe transformar os instantes e vida conturbados em sublimes canções de alegria. Foi sempre um observador meticuloso que soube trabalhar as vicissitudes e fraquezas humanas em versos carregados de emoção. Folhas Caídas, Grilo Mudo e Caminhos, entre outros, são títulos que destacam a sua bibliografia. Além disso, participou de diversas antologias, tais como: Segunda Antologia de Contos e Crônicas, 1995; Terceira Antologia de Contos e Crônicas, 1997; Antologia de Poesias Contos e Crônicas (vol. I e II), 1997; Antologia de Poesias Contos e Crônicas do ano 2000; Antologia de Poesias Contos e Crônicas, Encontro com a Palavra; Antologia dos Acadêmicos, edição comemorativa dos 60 anos da Academia de Letras José de Alencar, 2001; Discursos de Posse, 2000. Publicou, em seguida, No Mundo das Idéias: Pensamentos; e Retalhos da Vida, contos e crônicas que recebeu 2a edição em 2008.

Deixa falar mais alto a linguagem espontânea sobrepondo-se aos rígidos parâmetros do formalismo. Pertence à UBE, União Brasileira de Escritores; Centro de Letras do Paraná; Academia de Letras José de Alencar; Sala do Poeta; Academia de Cultura do Paraná; Instituto Histórico e Geográfico do Paraná. É cidadão honorário dos municípios de Arapongas e Curitiba. Foi recebido na Academia Paranaense de Letras, em 18 de setembro de 2000, pelo acadêmico Noel Nascimento. (TV)

3º Ocupante

Luci Collin (1964)

Nasceu em Curitiba, Paraná, em 1964, filha da professora Maria José Dias Collin e do advogado Harold Collin Jr. Cursou o Primário no Grupo Escolar Dona Carola e os cursos Ginasial e Científico como bolsista no Colégio Martinus. Aos sete anos iniciou seus estudos de piano e, de 1977 a 1981, frequentou o Curso Fundamental de Piano na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, na classe da Profa. Ma. Antonieta Wolff de Carvalho. Em 1981 começou a trabalhar como professora de Música. No ano de 1982 iniciou o Curso Superior de Instrumento/Piano na EMBAP, onde estudou com renomados professores como Henriqueta Garcez Duarte, Pe. José Penalva e Henrique Morozowicz, obtendo o grau de Bacharel em Música em 1985. De 1983-86, em sociedade com a pianista Salete Chiamulera, criou a microempresa Astarte Assessoria e realizou diversos espetáculos lítero-musicais como “Schumann traduzido” (Teatro Paiol), “O Compositor Em-cena” (Guairinha), “Ser Erudito Popular” (Auditório da BPP), entre muitos outros. Em 1984, aos 19 anos, lançou seu primeiro livro, Estarrecer (poesia), que recebeu a acolhida de escritores como Dias Gomes, Ana Maria Machado, Henfil e João Antônio; nesse mesmo ano foi uma das fundadoras da Cooperativa de Artes do Paraná, da qual seria Presidente na gestão 1985/86. De 1986-89 cursou Letras Português/Inglês na Universidade Federal do Paraná, tendo participado, com bolsa da UFPR, do convênio Paraná-Ohio na Wright State University (1987). Em 1990 graduou-se, com “Medalha de Ouro de Melhor Aluno”, no Curso Superior de Instrumento-Percussão na EMBAP; como percussionista, participou de concertos da Orquestra Sinfônica do Paraná, sob regência de Alceo Bocchino. De 1991 a 2010 foi casada com o médico Luiz Marcelo Lavalle, com quem teve os filhos Victor Collin Lavalle, nascido em 1993, e César Collin Lavalle, nascido em 1996. No ano de 1994 concluiu o Mestrado em Literaturas de Língua Inglesa na UFPR com dissertação sobre o poeta e eco-ativista Gary Snyder. Em 1999 ingressou na carreira de Magistério Superior no Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da UFPR onde permanece lotada até a presente data, ministrando disciplinas de Estudos Literários e de Estudos de Tradução. No ano de 2003 concluiu, “com louvor e distinção”, o Doutorado em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês na Universidade de São Paulo com tese sobre os retratos literários de Gertrude Stein. Recebeu, em 2004, a Medalha de Mérito Fernando Amaro, da Câmara Municipal de Curitiba. Em 2007, no programa da ILE/governo da República da Irlanda, foi contemplada com a “Residential Bursary for Literary Translators” em Dublin. Em 2010 tornou-se Membro da Academia Feminina de Letras do Paraná. Realizou dois estágios pós-doutorais na USP, em 2009-10 sobre a poeta irlandesa Eiléan Ní Chuilleanáin e em 2016-17 sobre tradução de poesia irlandesa contemporânea. Como poeta e ficcionista, tem 17 livros publicados dos quais destacam-se: Querer falar (poesia; RJ: Sete Letras, 2014 – finalista do Prêmio Oceanos, 2015), Nossa Senhora D’Aqui (romance; Curitiba: Arte & Letra, 2015), A árvore Todas (contos; SP: Iluminuras, 2015) e A palavra algo (poesia; SP: Iluminuras, 2016). Como autora ou articulista, participou de diversas antologias nacionais (entre as quais Conversas de Botequim – 20 contos inspirados em canções de Noel Rosa, RJ: Mórula, 2017; Ficcionais 2, Recife: CEPE, 2016; 25 Mulheres que estão fazendo a Literatura Brasileira, RJ: Record, 2004 e Geração 90: os transgressores, SP: Boitempo, 2003),  colaborou em periódicos nacionais (O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde – SP, Revista Ciência Hoje, Suplemento Literário de Minas Gerais, Revista Ciência e Cultura/SBPC, Correio Braziliense) e internacionais (nos EUA, Bélgica, Alemanha, França, Uruguai, Argentina, Peru e México). Recebeu prêmios em concursos de literatura no Brasil e nos EUA, e representou o Brasil no Projeto Literário no EXPO 2000 em Hannover, Alemanha. Em 2017 escreveu, com o compositor Rodolfo Coelho de Souza, o libreto da ópera “A Máquina de Pascal em Pernaguá”. Também já traduziu e publicou diversos autores como Gertrude Stein, E. E. Cummings, Gary Snyder, Vachel Lindsay, Jerome Rothenberg, Eiléan Ní Chuilleanáin, Moya Cannon entre outros. Foi eleita para a APL em 9 de agosto de 2017.