Cadeira 34 – Antônio Celso Mendes

Patrono

Júlio David Pernetta (1869-1921)

Nasceu em Curitiba no dia 27 de dezembro de 1869. Filho de Francisco David Pernetta e de Christina Maria Pernetta. Teve por irmãos, Emiliano, o Príncipe dos Poetas Paranaenses, o deputado federal João Pernetta, o poeta Manoel Pernetta e o chefe de seção dos Correios, Evaristo Pernetta. Casou-se duas vezes, Júlia e Carolina, as esposas. Grande coração, pai extremoso, franco à ternura, ao sair de sua repartição nunca se esquecia de passar pelo comércio e comprar frutas, biscoitos, qualquer coisa, atitude natural nele, à guisa de mimo para os seus pequeninos.

Escritor filiado à corrente simbolista, poeta, conferencista, jornalista, fundador de periódicos, adversário intransigente do clericalismo, da igreja romana e do jesuitismo, deu-lhes combates memoráveis que aí ficaram registrados, atestando o vigor de sua pena e de suas convicções. Alguns de seus livros: Razão Porque… (1896), Os Chacais (1898), A Igreja de Roma (1901), Missões Jesuíticas no Brasil(1903), afora artigos nas revistas Jerusalém, Acácia e A Pena. Ainda moço, por ocasião da revolução de 1893, prestou serviços à Republica como oficial do Batalhão Patriótico. Atuou em Antonina como delegado de polícia e secretário da Câmara Municipal; em Morretes, como promotor público, e em Curitiba desempenhou as funções de chefe de Seção da Secretaria da Agricultura e, interinamente, a da secretaria do Interior, Justiça e Instrução Pública. Pertenceu à plêiade brilhante dos que escreviam nas seguintes revistas: O Cenáculo, Revista Azul, A Evolução, Jerusalém, O Futuro, Victrix, A Pena e Clube Curitibano. Redator do Boletim Colonial e Agrícola e de A Casa do Lavrador. Assíduo colaborador do Correio da Manhã, A Noite, A Tribuna, A República, Diário da Tarde, Comércio do Paraná e Diário dos Campos.

Vítima de pneumonia, apesar da compleição forte e do pronto atendimento médico, faleceu em Curitiba, à meia-noite de 22 julho de 1921, saindo o féretro de sua residência, na Rua Marechal Deodoro. Com o seu desaparecimento rompia-se o primeiro elo da corrente simbólica que o unia aos outros membros do Cenáculo, Dario Vellozo, Silveira Netto e Antônio Braga. À beira da sepultura, falaram os amigos José dos Passos, Dario Vellozo e, representando o Centro de Letras do Paraná, Ciro Silva. (WB)

Fundador

João David Pernetta (1874-1933)

Nasceu em Curitiba em 27 de julho de 1874, quarto filho da família Pernetta, Emiliano, Júlio, Manoel, João e Evaristo. Fez os preparatórios no Parthenon e prestou exames no Liceu Paranaense. Em 1890 seguiu para o Rio de Janeiro, matriculando-se na Escola Politécnica. Ao mesmo tempo, empregou-se nos Correios. Nessa ocasião, ensinou matemática aos empregados da Casa da Moeda e se tornou topógrafo da prefeitura do antigo Distrito Federal. Trabalhou na construção da Estrada de Ferro Vitória-Cachoeiro de Itapemirim, quando adoeceu de beribéri. Transferiu-se então para o Rio de Janeiro e, graças aos cuidados de um médico positivista, se restabeleceu, concluindo o curso de Engenharia e colando grau em 7 de março de 1898.

Retornou ao Paraná e casou-se com Laura Beltrão. Nasceram-lhe os filhos.
Como comissário de terras em São João da Boa Vista, sobrou-lhe tempo para se entregar à leitura da filosofia e da política positivista. Já em Curitiba, iniciou-se na política, eleito deputado estadual. De 1915 a 1922, deputado federal. Realizou na Câmara trabalhos de alto valor. Didata extraordinário, dava aulas de Cálculo na Faculdade de Engenharia da Universidade do Paraná e, quando solicitado, de Mecânica e de Astronomia, além das aulas de Máquinas e de Termodinâmica. João costumava ler e comentar com seus filhos, aos domingos, o Catecismo Positivista e, a partir de 18 de março de 1923, resolveu tornar públicas suas exposições doutrinárias. Somente quatro anos depois fundou, em sua própria residência, o Centro de Propaganda do Positivismo no Paraná.

A revolução de 30 encontrou-o pronto a contribuir para a restauração do regime republicano. Durante um mês e um dia governou, interinamente, o Paraná entregando o cargo no dia 30 de janeiro de 1932 ao interventor Manoel Ribas. Sócio-fundador do Centro de Letras do Paraná. A obra mais importante da sua bibliografia é Os Dois Apóstolos, publicada entre 1927 e 1929. Faleceu em Curitiba em 3 de setembro de 1933, vitimado por um edema pulmonar, deixando dois filhos, o engenheiro civil e advogado Augusto Pernetta e o pediatra de fama internacional César Pernetta. (WB)

1º Ocupante

Raul Rodrigues Gomes (1889-1975)

Filho de Joaquim Rodrigues Gomes e Guilhermina Negrão da Costa Gomes, nasceu em Piraquara, no dia 27 de abril de 1889, figurando entre seus ascendentes Ricardo Negrão e João Negrão. Professor, jornalista, pesquisador, paranista extremado, sem nunca temer esfinges, nem dragões, ele foi dessas exuberâncias espirituais que marcaram gerações e abriram caminhos, cuja memória tem sido reverenciada após décadas de seu passamento.

Traço marcante do seu espírito: a proverbialidade. Recebia os alunos e os iniciados nas letras com palavras de amizade. Eliminou as fronteiras que separavam o corpo discente da cátedra universitária. Democratizou esse relacionamento, antes formal e distante, através de convívio salutar e proveitoso. Participante de todas as campanhas de interesse cultural ou comunitário, encontra-se entre os fundadores da Academia Paranaense de Letras, Centro de Letras e outras associações congêneres. Ao lado de Euclides Bandeira, liderou movimentos cívicos e políticos na fase áurea do Diário Tarde. Criou a Opala, órgão destinado a erradicar o analfabetismo, antecipando-se às semelhantes iniciativas modernas. O Gerpa foi outra entidade da sua inspiração com objetivo de publicar obras de autores paranaenses.

Formado pela Escola Normal, lecionou em escolas públicas de Morretes, Rio Negro e Curitiba. Diplomando-se mais tarde, pela Faculdade de Direito, dedicou-se aos estudos aprofundados da ciência jurídica, habilitando-se em 1947, por concurso, à cadeira de Economia Política. Disseminou bibliotecas nos educandários do interior, implantou escolas de arte infantil, promoveu exposições de artes plásticas, gestionou junto ao deputado constituinte Rivadávia Vargas, para incluir nas Disposições Transitórias da Constituição Estadual de 1947 emenda criando a Casa de Alfredo Andersen; enfim, desenvolveu ação abrangente e benéfica em todas as áreas de interesse público. A Sociedade de Cultura Artística Brasílio Itiberê foi outra de suas lucubrações permanentes. Faleceu em Curitiba em 12 de novembro de 1975. (TV)

2º Ocupante

Antônio Celso Mendes (1934)

Seu gosto pela filosofia não é de agora. Desde adolescente deixava-se dominar por reflexões espirituais na busca de explicação para as leis da sociedade e da natureza. Aprofundou-se na análise das teorias científicas modernas e apurou o senso crítico para defrontar-se com os paradoxos de experiências amadurecidas no estudo das realidades imanentes e transcendentes. Certa vez, em visita ao então presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, desembargador Lacerda Pinto, na companhia de um diplomata, este ficou impressionado com a intervenção em temas filosóficos desse jovem oficial da Polícia Militar do Estado, investido no cargo de ajudante-de-ordens. Desde que chegou ao Paraná, vindo das Minas Gerais, de onde é natural, nasceu na cidade de Elói Mendes, em 18 de fevereiro de 1934, seu itinerário tem sido marcado por abrangente atividade no campo das idéias. Ingressou na Polícia Militar em 1953 com o galardão de primeiro classificado por força de uma precoce preparação intelectual que o distinguia entre os demais.

Com tais predicamentos, despertou a atenção do saudoso coronel Amílcar de Medeiros Crespo, que o designou para servir na Casa Militar do então governador Moisés Lupion, para a qual se recrutava a elite da tropa. Depois, galgando rapidamente todos os postos da hierarquia da corporação, serviu, na condição de chefe do Gabinete Militar, ao governo Ney Braga, no segundo período de governo, em cujo convívio aprendeu a admirar a forte personalidade daquele líder popular. Mesmo no exercício dessa atividade burocrática, nunca disfarçou seu pendor pedagógico, literário e filosófico. Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba, mestre em Direito Público pela Universidade Federal do Paraná, é professor de Filosofia do Direito e de Hermenêutica Jurídica da PUCPR, membro do Centro de Letras do Paraná, do Círculo de Estudos Bandeirantes e da Academia Brasileira de Ciências Morais e Políticas (RJ), está sempre a publicar artigos e a realizar palestras em entidades culturais. Vem contribuindo com sucessivas diretorias da Academia, revelando despreendimento e contribuindo para sua divulgação em todas as áreas.

Obras publicadas: Anotações Filosóficas (1982); Ciência, Filosofia e Política (1990): Caminhos do Espírito (1991); Filosofia Jurídica no Brasil (1992); Direito, Linguagem e Estrutura Simbólica (1994) Filosofia em Forma de Poesia, três volumes (2004, 2005 e 2008); Dimensões Conceituais do Direito (2005 e 2008, 2a edição); Introdução ao Universo dos Símbolos (2009); Veredas Espirituais (2011); Um Século de Cultura (2012); Cem Anos do Centro de Letras do Paraná (2013). Em sua posse na APL, foi saudado, em 29 de novembro de 1993, pelo acadêmico Noel Nascimento. (TV) Mantém o site Filosofia para Todos.