Cadeira 35 – Ricardo Pasquini

Patrono

Nilo Cairo da Silva (1874-1928)

Nasceu em Paranaguá, em 12 de novembro de 1874. Cursou as primeiras letras no Rio Grande do Sul e, em Porto Alegre, matriculou-se na Escola Militar. Praça aos 17 anos de idade, logo se transferiu para a Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio. Diplomado com o Curso de Armas e Engenharia Militar, saiu Segundo-Tenente, servindo, durante a revolução, ao lado de Floriano Peixoto, na guarnição dos navios da chamada, pitorescamente, “esquadra de papelão”. Servia no 6° de Artilharia, sediado em Curitiba, quando Daltro Filho (que chegaria ao generalato e ao comando da 5a Região Militar), todo enquadrado, apresentou-se a ele, oficial-de-dia. Nilo o recebeu às gargalhadas, ridicularizando-lhe a compostura impecável de militar e confessou-lhe com uma ponta de amargura: Este magro galão corresponde a 14 anos de serviço.

Capitão em 1911, engenheiro militar, bacharel em Ciências Físicas e Matemáticas, com o curso de Estado-Maior, farmacêutico, médico homeopata, sabia ser pouco apreciado pelos indolentes, porque costumava trabalhar exaustivamente, exigindo aos companheiros e subordinados idêntica potencialidade. A Universidade do Paraná, fundada em 1912, deve-lhe imenso reconhecimento. O gênio vulcânico de Nilo não conhecia dificuldades. Catedrático de Fisiologia, de Patologia Geral e de Anatomia Patológica, lecionava outras cadeiras quando solicitado, com a mesma erudição. Considerado benemérito da Universidade em 1916, pediu no ano seguinte um ano de licença, a seguir prorrogado. Não se sabe, realmente, a razão de seu afastamento. Prendia-se, diziam, a questões de ordem sentimental, problemas de cunho íntimo. Mudou-se para São Paulo, resolvendo cursar Agronomia.

Dono de risadas homéricas, de piadas mordazes, às vezes irritadiço, caminhava célere, afobado, cumprimentando bruscamente amigos e conhecidos, acenando-lhes com as mãos. Impulsivo e franco, arregimentou inimigos e indiferentes. Mostrava-se irônico e impiedoso contra os que se antepunham a seus projetos. Enciclopédico, cérebro privilegiado, casado por três vezes, faleceu no Rio de Janeiro em 6 de junho de 1928, após uma cirurgia de úlcera gástrica. (WB)

Fundador

José Pereira de Macedo (1883-1965)

Nasceu em Campo Largo, em 13 de setembro de 1883, passando a maior parte de sua infância entre a sua cidade natal, Porto de Cima e Palmeira, até sua família fixar-se definitivamente em Curitiba. Durante a juventude dedicou-se a atividades comerciais. Casou com sua prima Sílvia, falecida antes de completar um ano de casamento. Mais tarde, ingressou no curso de Medicina da Universidade do Paraná. Recebeu o diploma em dezembro de 1919, integrando com mais 12 alunos a primeira turma de médicos formados pela nossa universidade. Entre seus colegas de faculdade estava Maria Falce, com quem iria casar.

Exerceu as funções de preparador de Anatomia Descritiva, assistente de Clínica da Universidade junto à Santa Casa, lente substituto no curso de Farmácia e professor substituto de Toxicologia. Tomou posse, em dezembro de 1920, como professor Catedrático de Anatomia Descritiva, permanecendo na cadeira por 33 anos. Em 1953, ao completar 70 anos, despediu-se da profissão com o seu famoso O Canto de Cisne. Figura simpática e agradável, de estatura mediana, magro, corpo ligeiramente encurvado para frente, rosto alongado, cabelos escassos, olhos pequenos, móveis e meigos, gestos suaves, voz mansa e acolhedora, era assim que o via um de seus alunos, Ayrton Ricardo dos Santos.

Mas Pereira de Macedo não foi tão somente o médico conceituado e caridoso, pois sua ação múltipla abrangeu os campos social, cultural e político. Atuou como presidente da Associação Médica do Paraná, presidente do Diretório Estadual do Partido Libertador, fundador e diretor da Sociedade de Socorro aos Necessitados, fundador e diretor do Rotary Club, membro do Centro de Letras do Paraná, do Instituto Histórico e do Instituto Neopitagórico, neste, acobertado pelo pseudônimo de Herophilo. Das suas obras destacam-se O Médico nas Escolas, A Psicologia Genética na Educação, Liberdade e Democracia, Mãe, Primeira Mestra e O Sensacionalismo na Imprensa. Faleceu aos 82 anos de idade, em Curitiba, no dia 1° de setembro de 1965. (WB)

1º Ocupante

Mário Braga de Abreu (1906-1981)

De tradição lapiana, nasceu em Curitiba no dia 25 de abril de 1906. Filho de Manoel Martins de Abreu e Maria Joana Braga de Abreu. O próprio biografado conta sobre si: O curso primário eu fiz no Ginásio Diocesano, naquela época chamado Seminário. Aprendi português com um professor muito conhecido, Arthur Loyola. Aos 12 anos fui para o Rio de Janeiro, para estudar no Colégio Militar, onde fiquei até o fim do curso, em 1923. O curso superior foi concluído em 1929 na Escola Nacional de Medicina, na Praia Vermelha, Rio de Janeiro. Minha tese de doutoramento foi Ruptura Espontânea da Vesícula Biliar em Peritônio Livre. Não tive, ao formar-me, grandes preocupações financeiras, porque o objetivo era criar condições futuras para um trabalho eficiente e proveitoso. Mas, desde o início, estive na Santa Casa de Misericórdia, o único onde havia possibilidade de assistir aos indigentes. Estávamos, eu e meus colegas, preparando nossa vida futura. Depois de dez anos de trabalho é que considero ter sido dado início à minha vida profissional. Antes disso foi só aperfeiçoamento. Estive um ano na Alemanha, onde, além de aperfeiçoar técnicas, pude trazer melhorias de instalações ao ambiente médico de Curitiba.

Tornou-se professor em 1937, ocupando a primeira cátedra cirúrgica da Universidade do Paraná. Foi fundador da Escola de Enfermagem Madre Léonie e da Faculdade de Ciências Médicas. Médico humanitário, por quase meio século fez-se parte integrante da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, somente deixando de lá comparecer quando sofreu o derrame cerebral que, menos de dois anos depois, o levaria à morte, ocorrida em 8 de julho de 1981. Dom Jerônimo Mazzarotto, seu companheiro de fundação da Universidade Católica, hoje Pontifícia, encomendou o corpo. Sua morte foi chorada por uma multidão de curitibanos. O féretro, saído de sua residência na Rua Vicente Machado, fez com que as casas comerciais cerrassem suas portas, numa última homenagem. Recebeu incontáveis medalhas e honrarias. Publicou inúmeros livros, todos na área da medicina, seu único apostolado. Extraordinária figura humana. Em 2006, quando do seu centenário de nascimento, foi alvo de incontáveis manifestações, merecendo, inclusive, dois livros sobre sua vida. Foi eleito para a APL em 1965. (VHJ)

2º Ocupante

Moysés Goldstein Paciornik (1914-2008)

Filho de Nathan e Rosa Paciornik, nasceu em Curitiba, dia 4 de outubro de 1914, em cuja cidade fez os cursos escolares até a Faculdade de Medicina. Especialista em ginecologia e obstetrícia, docente dessa clínica e professor da Escola de Higiene e Saúde do Estado. Participou da fundação do Centro Paranaense de Pesquisas Médicas, instituição que se dedica à pesquisa do câncer ginecológico. Do contato com os índios, desenvolveu uma série de estudos importantes, notadamente o parto de cócoras, objeto de conferências suas no Brasil e no exterior, e também livros e outras publicações do gênero. Adquiriu notoriedade internacional. O livro Aprenda a Nascer Com os índios, editado em português, já ganhou traduções em vários idiomas.

Ele soube conciliar as figuras do médico e do escritor. Contou histórias como ninguém, tanto em livros quanto em crônicas veiculadas na imprensa brasileira, comprovando seu talento extremamente versátil. Da coluna que escreveu aos domingos na Gazeta do Povo, resultaram os livros Brincando de Contar Histórias, Histórias das Terras, Erros Médicos, Aprenda a Nascer com os índios, Aprenda a Viver com os índios, Máfia de Branco, Conflitos Psicossociais em Consultório Médico, além de outros. Sobre este último citado, o saudoso presidente da Academia Paranaense de Letras, Vasco José Taborda, escreveu: Todos os aspectos dos trabalhos hospitalares de obstetrícia são dignos da maior divulgação, pois a experiência dos médicos garante a seriedade dos argumentos transmitidos. Seus erros e acertos têm, sempre, desculpas, pois há imensas causas que neles influem. Estas histórias calam fundo, pois revelam a paisagem trágica de uma sociedade em decadência. Mas foi com seus livros e métodos adotados em relação aos índios que ele alcançou maior repercussão, dado o assunto polêmico e as idéias revolucionárias, nesse sentido, que pregava. Tanto quanto médico, cientista ou escritor, nessa extraordinária polivalência Moysés Paciornik marcou pela competência e dignidade.

Foi constantemente requisitado para conferências que atraíram estudiosos do mundo inteiro. Foi diretor de hospital e de importante centro de pesquisas científicas. Ao ingressar na APL, em 1993, foi saudado pelo acadêmico Ernani Simas Alves. Faleceu em 26 de dezembro de 2008. (TV)

3º Ocupante

Ricardo Pasquini (1938)

Ricardo Pasquini, filho de Pedro Pasquini e Therezita Pasquini, é natural de Curitiba, nascido em 26 de maio de 1938. Casado com Francylena Camargo Pasquini, possui três filhos e quatro netos. Fez o Curso Primário na Escola de Aplicação Alba Plaisant, hoje Instituto de Educação do Paraná, e cursou o ginasial e o científico no Colégio Estadual do Paraná, todos em Curitiba. Em 1957, ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Paraná, diplomando-se em dezembro de 1962. Fez Pós-Graduação como Fellow in Hematology pela Universidade de Utah, EUA, de junho de 1969 a dezembro de 1972.

Admitido na Faculdade de Medicina da UFPR em 1965, como Auxiliar de Ensino da Disciplina de Hematologia, obteve o grau 9,9 no concurso para a livre docência do Departamento de Clínica Médica, área de concentração de Hematologia, em dezembro de 1974. Aprovado no concurso para Professor Titular de Hematologia e Oncologia em dezembro de 1991, exerceu a chefia do Departamento de Clínica Médica da UFPR de 1978 a 1982. Foi Chefe do Serviço de Hematologia e Oncologia do HC/UFPR de 1990 a 2008 e Chefe do Serviço de Transplante de Medula Óssea do HC/UFPR de 1979 a 2008. Publicou os livros Hematologia, Fundamentos e Prática, 2001, e Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas, 2009, além de ter escrito 22 capítulos de outros livros. Publicou 235 artigos em revistas especializadas, um terço deles em revistas científicas internacionais.

Recebeu infinidade de homenagens, prêmios e distinções. Como destaque, foi nomeado pelo Presidente da República no grau de Oficial da Ordem do Mérito Médico, em 1988. Em dezembro de 2008 recebeu o título de Professor Emérito da UFPR. Premiado em 2009 pela contribuição e envolvimento no tratamento dos pacientes de Anemia de Fanconi, pela Asociación Española de Anemia de Fanconi. Recebeu o “Distinguished Service Award” do Center for International Blood & Marrow Transplant Research, em Orlando, Florida, em 2010. Foi vencedor na categoria Medicina da 8a edição do Prêmio Fundação Conrado Wessel Ciência e Cultura, em 2010. Participou de cerca de 300 congressos nacionais e internacionais, proferindo conferências, palestras e apresentando trabalhos científicos. Orientou a elaboração de 30 teses de mestrado e doutorado e participou de 62 comissões julgadoras em nível de mestrado, doutorado, livre docência e professor titular. É sócio-fundador e foi o 1o Presidente da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea; membro da American Society of Hematology; também membro de conselhos editoriais de várias revistas médicas. Integrou os comitês consultivo e executivo do CIBMTR. Tomou posse na APL em solenidade na Associação Médica do Paraná, em 7 de Maio de 2010, saudado por Belmiro Castor. (EB)