Cadeira 36 – Apollo Taborda França

Patrono

Ricardo Pereira de Lemos (1871-1932)

Nasceu em Morretes, no dia 15 de maio de 1871. Após os primeiros estudos no Instituto Paranaense, ingressou na carreira burocrática, desempenhando com zelo suas funções de servidor estadual. Suas colaborações encontramse espalhadas em jornais e revistas curitibanas da época, como Cenáculo, O Sapo, Azul, Diário da Tarde, Cartão Postal, Stellario, A Notícia, O Olho da Rua, Comércio do Paraná, Senhorita, O Dia, Prata de Casa e O Itiberê. Poeta de feição essencialmente humorista, foi um dos fundadores do Centro de Letras do Paraná. Era de natureza tímida, fugia dos aplausos. Versejava com correção, acobertado por vários pseudônimos, como Garrone, F. A. Brício e Alberto Cadaveira. Perdem-se em revistas e almanaques seus delicados contos. Foi também compositor e decifrador de charadas, logogrifos e enigmas. Sua grande paixão era a filatelia. Costumava colecionar com carinho pelo menos uma crônica ou uma poesia de cada confrade. Deixaria publicado apenas um livro com 41 peças humorísticas, Ventarolas, de 1898, por sinal o primeiro livro de versos jocosos dados à publicidade no Paraná. Estávamos em abril e Sá Pinho (Leocádio Correia), na revista O Sapo, espalhara a notícia de que Ricardo andava a distribuir exemplares de sua obra em pleno inverno. João de Tapitanga, ao divisar na vitrina da Livraria Econômica o volume em questão, improvisou uma ferina quadra Alexandrina. Zé Ferino, pseudônimo com que se escondia o poeta Alfredo Coelho, foi em defesa de Ricardo de Lemos, saindo-se com esta quadra:

Não é só no estio que os leques
para abanar nos convém,
pois há “ventos” mal cheirosos
que sopram com o frio também.

Casado com Rosinha Taques, faleceu em Curitiba em 11 de outubro de 1932, deixando três filhos, dentre eles o conhecido cantor lírico, baixo-profundo, Túlio de Lemos. Dedicava excessivo amor ao vocábulo traduzido no seu soneto Língua Portuguesa, cujo terceto final vale transcrição:

Amo-te, ora modesta, ora em tuas galas,
e quanto te ouço atento, em vários tons,
esqueço as aves porque és tu que falas! (WB)

Fundador

Heitor Stockler de França (1888-1975)

Nascido em Palmeira, em 5 de novembro de 1888. Para sua cidade natal concebeu um dos poemas mais expressivos da poética regional. Mas foi em Curitiba que cumpriu a luminosa trajetória no campo sindical e na criação artística. Com o advento do sindicalismo, pelos idos de 1944, sua atuação dinâmica e esclarecida aglutinou lideranças no Sindicato das Indústrias Gráficas, tornando homogênea a unidade classista. Não surpreendeu que estivesse entre os fundadores da Federação das Indústrias, ocupando-lhe a presidência durante 14 anos consecutivos.

Não descurou da literatura durante o período em que exerceu essas funções administrativas. Seus dotes literários revelaram-se na adolescência, pois aos 15 anos de idade já via publicados seus versos, recebidos com aplausos e elogios. Produzia todos os gêneros, sonetos, trovas, cançonetas, acrósticos, ora em forma acadêmica ora em versos livres, modernos, obedientes tão-somente aos impulsos do coração. Conservou nos versos a ternura do jovem estudante que, em Curitiba, completou os estudos no Ginásio Paranaense e, posteriormente, na Faculdade de Direito da Universidade do Paraná. Participou ativamente do meio cultural curitibano, da fundação da APL, foi membro de diversas entidades sociais, profissionais e literárias. Pertenceu ao Centro de Letras do Paraná, ao Instituto Histórico e Geográfico e a outros congêneres, com atuante desempenho. Praticou sempre o jornalismo, escrevendo para programas de rádio, jornais e revistas matérias da sua especialidade. Durante anos assinou, no Diário da Tarde, a coluna Motivos da Cidade, crônicas sobre assuntos do dia-a-dia. De sua autoria também várias letras para hinos, musicados por Bento Mossurunga. De sua bibliografia importante podemos destacar, na área de poesia, Corolas Rubras (1911); Curitiba e o Sol (1928); Oração do Natal (1931); Poemas de Natal (1973); Cantos da Integração Nacional (1974) e Alma e Coração do Paraná (1983). Também incursionou na arte teatral com Sara (comédia, 1916); Cena Infantil (comédia, 1925); Prece do Natal (comédia); Coração; Dezenove de Dezembro (1922) e A Musa e o Poeta (1946).

Pai do acadêmico Apollo Taborda França, que o sucederia na Cadeira n° 36. Faleceu em Curitiba no dia 11 de janeiro de 1975. O palmeirense ilustre jamais se cansava de evocar sua cidadezinha natal: pequena e linda, entre os dois rios da minha infância, mas que apesar da distância, penso em ti. (TV)

1º Ocupante

Apollo Taborda França (1926)

Nasceu em Curitiba no dia 11 de novembro de 1926, filho do poeta e cronista Heitor Stockler de França, também acadêmico, e de Brasília Taborda Ribas de França. Após os estudos básicos no Instituto Santa Maria, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná, pela qual se diplomou em 1952. Formou-se também em Ciências Econômicas e Jornalismo. Apollo foi o jornalista responsável pela publicação Academus, da APL.

Durante quase duas décadas, ininterruptamente, desempenhou as funções, como advogado, de chefe da Consultoria e Procuradoria Jurídica do SESI e de professor e coordenador do Curso de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Participa regularmente de seminários, mesas-redondas, simpósios e congressos, não só no Brasil como no exterior. Na área da imprensa, foi redator do matutino O Estado do Paraná por mais de vinte anos e fundador do jornal litorâneo Tribuna de Guaratuba. Pertence a diversas instituições culturais, como Centro de Letras do Paraná, Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, Círculo de Estudos Bandeirantes e, como trovador emérito, à União Brasileira de Trovadores, da qual ocupou a presidência em diversas gestões. Seu nome está presente em inúmeras antologias poéticas, regionais e nacionais, e seus livros confirmam uma sólida posição no cenário intelectual.

Sua bibliografia é quase toda voltada para a poesia: Poesia, em colaboração, 1967; Sinfonia da Rua Quinze, poesias, 1976; A Lua Escorregou Pela Parede, poesias, 1976; Festa de Amor, poesias, 1982; O Nosso Alfabeto, trovas, 1982; Praças de Curitiba, trovas, 1983; Constelação dos Bairros de Curitiba, trovas, 1983; Os Nossos Pés de Todos os Dias, ensaio, 1984; 100 Trovas da Amizade, trovas, 1985; O Nosso Mundo Colorido, ensaio e versos, 1986; Trovas Maravilhosas, 1986; Sete Poetas, poesias, em colaboração, 1986; Cantos do Litoral Paranaense, poesias, 1987; Guaratuba—A Praia do Paraná, coletânea, 1988; 10 Grandes Temas da Literatura, poesias, coletânea, 1989. Apollo é figura constante em todos os movimentos ligados à difícil arte trovadoresca. Tomou posse de sua cadeira na APL em 26 de setembro de 1977, saudado pelo acadêmico Leopoldo Scherner. (WB)