Cadeira 37 – Clotilde de Lourdes Branco Germiniani

Patrono

Ismael Alves Pereira Martins (1876-1926)

Nasceu em Campo Largo, dia 27 de julho de 1876, filho de Francisco Alves Pereira Martins e Maria Aspicuelta Garret Martins. Dedicou-se ao magistério e ao jornalismo. Colaborou assiduamente no jornal A República, não somente em temas políticos, mas também com publicações de poesias. Tornou-se poeta espiritualista. Freqüentou o Instituto Neopitagórico e sofreu a influência do mestre Dario Vellozo.

Em 1924 participou da coluna Prestes, vivendo as agruras daquele célebre episódio de guerrilha, sob o comando de Luiz Carlos Prestes. E, por isso, esteve exilado. Falava fluentemente o francês. Candidatou-se, em concurso, à cadeira correspondente na Escola Normal, em Curitiba. Obteve o primeiro lugar. Era desses idealistas que não temem as conseqüências de seus atos. A política foi-lhe, porém, desfavorável. Pretendia corrigir o mundo como todos os adolescentes, mas pagou preço alto por seus gestos de desprendimento e ousadia. Mesmo classificado em primeiro lugar para lecionar francês, não foi nomeado: motivos essencialmente políticos. A vaga foi ocupada em seguida pelo Cônego João Evangelista Braga. Seu temperamento de verdadeiro revolucionário levou-o a muitas aventuras, em cujos movimentos rebeldes teve como companheiros Francisco Teixeira de Carvalho, Benjamim Batista Lins de Albuquerque, Antônio Jorge Machado Lima, Plínio Tourinho e Couto Pereira, entre outros.

Foi, todavia, um intelectual, um poeta na melhor acepção do vocábulo. Publicou: Tartufos (polêmica, 1900); A mocidade de Hoje (prosa, 1903); Luz da Ásia (estudo filosófico de Émile Vedel, tradução, 1919) e Ciclos (versos, edição póstuma, 1931). Sua colaboração em periódicos e revistas paranaenses foi importante, sobressaindo-se no Diário da Tarde, Almanaque do Paraná, Brasil Cívico, Victrix, O Cenáculo, Jerusalém, O Olho da Rua e Folha Rósea, adotando, por vezes, o pseudônimo de Raphael de Castro. Faleceu em Curitiba no dia 7 de dezembro de 1926 e o Centro de Letras do Paraná, na sessão de 31 de janeiro do ano seguinte, prestou comovida homenagem à sua memória, na palavra de Sebastião Paraná. (VHJ)

Fundador

Vicente Montepoliciano Nascimento Júnior (1880-1958)

Nasceu em Guaratuba, dia 24 de janeiro de 1880, tendo freqüentado as escolas primárias de sua genitora, Maria Júlia, e a de seu professor Alfredo Alves da Silva. Dedicouse, desde a adolescência, ao jornalismo, fundando o jornal O Município, de Antonina, onde passou a residir após trabalhar no posto telegráfico de Guaratuba. Sua atuação na imprensa foi reconhecida, pois se tornou sucessivamente secretário da municipalidade e prefeito municipal de Antonina. Defendeu com veementes artigos a instalação da primeira colônia nipônica na região de Cacaatu, resultante da Missão Yonosuke Yanoda, contra órgãos de imprensa que combatiam essa colonização, julgando-a incompatível com a sociedade brasileira. Os jornais de Tóquio reproduziram esses artigos, que alcançaram expressiva repercussão internacional.

Colaborou em vários jornais de circulação estadual, entre eles o Diário do Comércio, de Paranaguá. Suas crônicas foram disputadas pelas revistas O Itiberê e Marinha, de Paranaguá, ambas de grande conceito editorial. Durante a interventoria de Manoel Ribas, viu-se nomeado Consultor Jurídico do Estado, pois formado em Direito pela Universidade do Paraná, adquiriu renome profissional, prestígio e respeito.

Dedicou-se especialmente ao estudo da história. Foi responsável também pela implantação de um Curso Comercial, em Curitiba, por meio do qual se habilitaram muitos técnicos do setor. Historiador espírita, jornalista e homem público, sua modéstia e bondade o enalteceram na memória de todos os que privaram do seu convívio. Faleceu em Curitiba, dia 4 de fevereiro de 1958. Em Sessão de 23 de fevereiro do mesmo ano, o Centro de Letras do Paraná prestou-lhe homenagem póstuma na pessoa de Maria Nicolas. (VHJ)

1º Ocupante

José Augusto Gumy (1889-1970)

Nasceu no dia 10 de agosto de 1889, em Curitiba, filho de João Teófilo Gumy e Clotilde Caillet Dellez Gumy. Estudou no colégio de Júlio Teodorico, destacando-se desde adolescente pelo talento precoce. Espírito sensível de poeta que Valfrido Piloto classificou de “messiânico”, mesmo assim pegou em armas na sua mocidade para combater no Contestado. Em 1930 voltou à condição de voluntário no Batalhão João Francisco.

Trabalhou durante muito tempo na Estrada de Ferro. Depois, em Santa Catarina, exerceu as funções de inspetor de ensino. Sua paixão, além da poesia, foi o jornalismo, tendo contribuído em ambas as vertentes da vocação com indiscutível competência intelectual. Deixou publicadas mais de seis mil crônicas em vários periódicos curitibanos. Em 1948 lançou uma obra autobiográfica, Pedaços de Coração. Gostava muito do gênero de quadras populares de sete sílabas. No fundo, um socrático, cujos temas se viam repassados de espiritualidade. Deixou só três livros publicados, mas uma obra de grande dimensão humanística. Era casado com Maria dos Santos Lima Gumy e deixou duas filhas. Companheiro de Emiliano Pernetta, Serafim França e Emílio de Menezes, ele sempre foi um jornalista livre, que nunca se vendeu, nem maculou a sua profissão com interesses financeiros, conforme sentenciou outro jornalista de nomeada, Raul Rodrigues Gomes. Orador e conferencista, fazia constantemente palestras na Federação Espírita do Paraná.

Acima de tudo, foi um jornalista fascinado pela sua profissão, embora tenha nela consumido o pão mais amargo de sua vida espiritual. Profissional completo, quando circulava o jornal O Estado, entre 1936 e 1937, era ele o organizador, o redator, o colaborador, o comentarista político, o tradutor dos telegramas e o repórter, a fotografar os casos comuns de todas as horas. De espírito boêmio, às vezes perdulário, generoso e simples, tinha ele a candura dos apóstolos, a desperdiçante boêmia dos gênios e o displicente descuido dos rigorosamente fatalistas. Faleceu em Curitiba, dia 23 de outubro de 1970. Ingressou na APL em 1967, recepcionado pelo acadêmico Raul Rodrigues Gomes. (TV)

2º Ocupante

Dario Nogueira dos Santos (1899-1980)

Nasceu na cidade de Palmeira, dia 29 de agosto de 1899, filho de José Nogueira dos Santos e Maria da Luz Pinto dos Santos. Em 1916 recebeu o diploma de professor normalista em Curitiba. Durante 32 anos exerceu o magistério público no Estado. Em 1928 fez concurso para as seguintes disciplinas: Física, Biologia, Química, Higiene e História Natural. Aprovado com distinção, optou por Química, passando a lecionar no Colégio José Bonifácio, de Paranaguá. Casou-se em 1919 com a escritora e professora Pompília Lopes dos Santos. Tornou-se diretor do colégio e fez incursões em contabilidade.

Possuía considerável bagagem literária, algumas obras inéditas. Publicou: Noturnos, poesia, 1958; Trovinhas que o Vento Leva, 1967; Conferências, 1968; Biografias, 1969; e Quem foi?, 1972. Integrante do Instituto Neopitagórico, permaneceu como orador até o final de seus dias. Foi redator da revista Marinha do litoral paranaense. Ainda sem publicação, a História da Maçonaria Paranaense. Maçom convicto, foi dos baluartes da entidade, não apenas como orador inflamado, mas como intérprete dos postulados da Ordem. Defendeu as mais nobres causas em benefício da humanidade. Recebeu em 1978 o título de Cidadão Honorário de Curitiba.

Estudioso de assuntos transcendentes, sentiu atração desde a adolescência para o tradicional sistema filosófico, de milenar existência, que é a maçonaria, com seu cerimonial simbólico, seus mistérios, sua hierarquia e finalidades espirituais e filantrópicas. Durante cinqüenta anos manteve-se como sustentáculo do Templo de Hiran, em Curitiba e Paranaguá, recebendo merecidamente o título de Venerável Perpétuo, Grande Benemérito e Grande Inspetor da Ordem Maçónica. Recebeu grande influência do mestre Dario Vellozo na prática esotérica. Adotou o nome simbólico de Apollonio de Tyana II. Tanto nas trovas, como nos alexandrinos, versejou com espontaneidade, deixando páginas de repassado lirismo. Afeiçoado aos estudos da História, figurou entre os membros fundadores do Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá. Faleceu em Curitiba, dia 26 de outubro de 1980. Na solenidade de posse na APL, em 26 de novembro de 1974, foi saudado pelo acadêmico Oscar Martins Gomes. (TV)

3º Ocupante

Pompília Lopes dos Santos (1900-1993)

Nascida em Curitiba, em 7 de agosto de 1900. Fez o curso fundamental nos Colégios da Divina Providência e Santos Dumont, concluindo-o na Escola Tiradentes, da qual era diretora a ilustre professora Júlia Wanderley. Na Escola Normal, onde se formou em 1918, já se destacava por seus recursos oratórios e intelectuais. Casou-se com o professor Dario Nogueira dos Santos e em Paranaguá começou a publicar as primeiras crônicas e biografias nos jornais. Embora se considerasse prosadora, produziu muitas poesias conhecidas. Lecionou francês no Colégio Estadual José Bonifácio daquela cidade litorânea. Mais tarde, voltou a Curitiba, tendo se aposentado no magistério. Tornou-se pioneira em muitas frentes de iniciativas culturais, notadamente na fundação de entidades do ramo. Foi a primeira presidente da Academia Paranaense Feminina de Letras, do Clube Soroptimista Internacional de Curitiba, Sala do Poeta, além de outras ligadas à literatura. Também foi a primeira mulher a ingressar na Academia Paranaense de Letras, quebrando velhos tabus.

Pertenceu ao PEN Clube do Brasil, Centro Paranaense Feminino de Cultura, Instituto Neopitagórico, Ala Feminina da Casa Juvenal Galeno, Ceará, representante do Paraná na Exposição Interamericana Feminina de Belas-Artes, no Rio de Janeiro. Desde menina já manifestava inclinação pela literatura, por influência de notáveis mestres de sua geração.

Além de artigos e crônicas esparsos pela imprensa, publicou: Literatura Infantil (estudo) e os quatro romances que constituem a parte nuclear da sua obra Afinidade (1949), A Fila Triste (1951), Origens (1961) e Caminhada da Universidade a Itaipu (1975), além do Sesquicentenário da Poesia Paranaense (1985). Concluiu outro livro, este de memórias em que fez um retrospecto da sua trajetória vivencial, ainda inédito. Seu livro Origens ganhou o primeiro prêmio em concurso promovido pelo Centro de Letras do Paraná. Escritora atuante, conferencista, cronista, crítica de arte, estudiosa dos problemas pedagógicos, contista e novelista, mesmo com a idade avançada, refletiu nos seus escritos admirável lucidez. Faleceu em 6 de maio de 1993, em Curitiba. Ingressou na APL em 12 de setembro de 1991, saudada pelo acadêmico Túlio Vargas. (TV)

4º Ocupante

Hellê Vellozo Fernandes (1925-2008)

Curitibana, descendente de uma família de tradições intelectuais, neta de Dario Vellozo e filha do professor e escritor Porthos Vellozo, certamente não poderia fugir aos reclamos dessa herança de figuras tão singulares de nossa história. Aluna do Ginásio Paranaense e do Instituto de Educação, jornalista pela Universidade Federal do Paraná, professora, a sua vida voltou-se toda ao magistério, quer na extinta Escola Comercial de Monte Alegre (Município de Telêmaco Borba), lecionando no curso secundário, quer como orientadora e assistente social de 33 escolas florestais primárias das Indústrias Klabin, com sede nessa mesma cidade.

Como jornalista, chefiou a delegação brasileira na II e III Reunião Mundial promovida pela Associação Mundial de Mulheres Jornalistas e Escritoras, respectivamente em Washington, no ano de 1971 e, dois anos depois, em Israel, além de representar ainda o país em outros eventos nas cidades latinas de Lima e do México. Membro de diversas instituições culturais, sócia do Centro de Letras do Paraná, do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná e do Centro Paranaense Feminino de Cultura, ocupou a cadeira número 37 da Academia Paranaense de Letras, como quarto ocupante, eleita em 9 de dezembro de 1996. Em conversas informais, confessava com certo orgulho a sua iniciação na nossa imprensa graças ao incentivo e apoio de Rodrigo Júnior, chegando a com ele colaborar, a quatro mãos, em algumas crônicas publicadas em O Dia, a partir de abril de 1954, na seção de apelo evocativo intitulada Aconteceu em Curitiba. Romancista premiada em diversos concursos literários promovidos pelo Centro de Letras, sua bagagem bibliográfica é significativa, com Camafeus, Incompreensão, Os Vergueiros, Pioneiros do Iguatemi, A Outra Razão, Nos Campos e nos Pinhais, Monte Alegre-Cidade Papel, onde a autora descreve os incêndios que, em 1963, devastaram principalmente a Fazenda Monte Alegre, ela testemunha viva da queimada dolorosa de nossos pinhais.

Por fim, vale a citação de um livro essencialmente didático, obra de consulta obrigatória e de valor inconteste para os que se interessam pelas figuras representativas de nossa cultura, a Antologia Didática de Escritores Paranaenses, de parceria com a professora América Sabóia, a englobar textos e informações capazes de permitir aos prelecionadores a organização de satisfatório esquema para o ensino da literatura chamada de prata de casa, na visão do humanista Valfrido Pilotto. Tomou posse em 8 de abril de 1997, saudada por Lauro Grein Filho. Faleceu em 27 de novembro de 2008. (WB)

5º Ocupante

Clotilde de Lourdes Branco Germiniani (1938)

Germiniani37

Clotilde de Lourdes Branco Germiniani nasceu em Itaqui (RS), em 15 de janeiro de 1938, filha de Manoel Lourenço Branco e Maria de Lourdes Branco. Radicada em Curitiba desde a infância. É casada com Hélio Germiniani e mãe de Francisco Manoel Branco Germiniani, ambos médicos. Cursou o primário na Escola de Aplicação da Escola Normal de Curitiba e no Grupo Escolar Professor Cleto, o ginasial no Instituto de Educação e o científico no Colégio Estadual do Paraná. É diplomada em Veterinária pela Escola Superior de Agricultura e Veterinária do Paraná (1959). É doutora em Bioquímica, livre-docente e catedrática de Fisiologia da UFPR. Foi a primeira mulher catedrática em um Curso de Medicina Veterinária no Brasil e a pessoa mais jovem a assumir uma cátedra no país (aos 28 anos). Na UFPR manteve atividades didáticas e de pesquisa, envolvendo alunos de graduação e de pós-graduação.

Fez cursos de língua e de literatura francesa e inglesa na Aliança Francesa e na Cultura Inglesa, sendo diplomada pelas Universidades de Nancy e de Cambridge. Fez estágios no Instituto de Microbiologia da UFRJ e na Fisiologia Veterinária da USP. Realizou seu Pós-Doutorado na França (1968/1969), desenvolvendo programa de estudos nas Faculdades de Medicina e de Ciências de Paris, no Hospital Pitié-Salpêtrière e nas Escolas Nacionais Veterinárias de Lyon, de Toulouse e de Alfort. Foi Professora convidada do British Council, com visitas científicas em Londres, Cambridge e Edimburgh (fevereiro/1969). Foi Coordenadora de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias da UFPR e presidente do Conselho de Curadores. Foi fundadora e diretora da Pró-Música de Curitiba. É membro do Conselho Diretor da Aliança Francesa de Curitiba, Centro de Letras do Paraná, Centro Paranaense Feminino de Cultura, Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, Academia de Cultura de Curitiba e fundadora da Sociedade Brasileira de História da Medicina.

É a única representante do Paraná na Academia Brasileira de Medicina Veterinária. Membro correspondente da Academia de Ciências, Letras e Artes de Lyon e da Academia Pernambucana de Medicina Veterinária, bem como, dos Institutos Históricos de São Paulo, Paraíba e Rio Grande do Norte. Publicou trabalhos em revistas científicas nacionais e estrangeiras. Entre outras homenagens, recebeu a Medalha Fernando Amaro, da Câmara Municipal de Curitiba. Foi eleita para a APL em 8 de outubro de 2009, com posse em 27 de outubro de 2010, saudada por René Dotti, no Clube Curitibano. Na mesma solenidade, os Correios lançaram selo comemorativo ao centenário de nascimento de seu pai, o também professor de Medicina Veterinária Manoel Lourenço Branco. (EB)