Cadeira 38 – Maria José Justino

Patrono

Reinaldino Antônio Scharffenberg de Quadros (1878-1929)

Nascido em São José dos Pinhais, no dia 21 de janeiro de 1878. Foi até há bem pouco tempo um dos poetas brasileiros mais discutidos, não pela beleza dos seus versos, mas por ter servido de tema à polêmica em torno do poema Os 18 do Forte, sua obra mais conhecida. Houve quem lhe contestasse a autoria, finalmente esclarecida em seu favor pelos depoimentos de figuras insuspeitas do porte de Manuel Bandeira e Olegário Mariano. A confusão em torno dessa paternidade derivou do fato de ter sido o poema publicado, sem assinatura, no Correio da Manhã, do Rio, em 1922. Afora esse poema épico, que retrata de forma dramática a epopéia do Forte de Copacabana, merecem especial relevo os sonetos e outros poemas que compôs, reveladores de um talento criativo incomum, conforme a opinião de Colombo de Sousa e Felício Raitani Neto, em Letras Paranaenses, antologia publicada em 1970.

Embora tivesse lançado seu primeiro livro Canções Natais, com poemas líricos e românticos frutos de amor da adolescência, o sonho maior que o embalava apontava para a caserna, pois desejava seguir a carreira das armas. Conseguiu, com muito esforço da família, chegar à Escola Militar, no Rio de Janeiro. Desiludido, depois de experimentar rosas e espinhos, dela se desligou. Tinha alma de soldado, mas coração de poeta. Ele nasceu poeta por decreto do céu, repetindo o que disse de Victor Hugo o inimitável Renan, na apropriada citação de Durval Borges. Os livros foram sempre os seus melhores amigos, companheiros inseparáveis de todas as horas. Literatura, ciências, religião, filosofia e matemática, foram-lhe como fontes que quanto mais devoradas, mais sede despertavam. Em grande parte do seu trabalho transparece a pujança da sua erudição. Da catástrofe de Copacabana até o dia do seu falecimento, 18 de maio de 1929, medearam sete anos que rolaram ante seus olhos inquietos, sete anos de sofrimentos que lhe revitalizaram o espírito adentrado ao recolhimento das vigílias.

Faleceu em casa de sua irmã Leontina, no bairro carioca de Engenho de Dentro, irmã que lhe fora sombra para o seu cansaço, desvelo para as inquietudes, consolo para as amarguras, ânimo para seus desalentos e bálsamo para as suas dores. (TV)

Fundador

Durval Borges de Macedo (1895-1984)

Nasceu em Curitiba em 5 de maio de 1895 e, sem passar pelos bancos acadêmicos, chegou a ser conceituado guarda-livros. Por seu esforço pessoal, acumulou expressiva cultura geral, colaborando em quase todos os jornais e revistas paranaenses, aparecendo suas produções literárias com mais assiduidade no Diário da Tarde, em O Dia, no Jornal do Paraná, no Mensageiro do Natal, no Correio dos Ferroviários, na Marinha, no Jornal dos Poetas e na Revista da Academia Paranaense de Letras.

Modesto, despido de qualquer vaidade, dono de vasta cabeleira embranquiçada, de gestos e atitudes cavalheirescos, de admirável simplicidade, deixou uma obra de real valor no campo da poesia, do romance, da crônica, da biografia e do conto, permanecendo inédita, infelizmente esquecida nas páginas de nossos periódicos, uma farta produção intelectual que merecia ser divulgada. Pertencente aos quadros do Centro de Letras do Paraná, nele recepcionado em sessão de 25 de fevereiro de 1949, eis sua bibliografia: A Luz do Céu (contos fabulados em prosa e verso); Miscelâneas (prosa e verso); Cofre de Ébano (poesias, 1953); Carta de Um Moribundo (prosa); Sifilus (em dois tomos, versos e prosa, 1940); Igreja de Lúcifer (reminiscências); A Dama de Três Cruzes (contos); Musa Intima (versos); Biografias (de Scharffenberg, de Luís de Matos, de Francisco Carvalho de Oliveira, de Newton Sampaio e de Icílio Saldanha); No Matadouro (versos, 1950); Poesias (obras completas, 1973); os romances Paraíso dos Outros; A Rosa do Banhado e Marga; o teatro com Bossa Nova; Terra Sem Dono; Justiça; Camélia Branca e Castigo. Lançou, em parceria com Rodrigo Júnior, em O Dia, artigos dominicais entre 17 de janeiro de 1954 e 18 de março de 1956, sob o título de O Humorismo no Paraná Através dos Tempos.

Avesso à publicidade, tímido, sofrendo traições e ingratidões, já quase ao atingir os seus 60 anos começou sua via-crucis, uma doença crônica que o atormentaria pouco e pouco, até o seu falecimento, nonagenário, em Curitiba, no ano de 1984. (WB)

1º Ocupante

Mário Marcondes de Albuquerque (1915-1998)

Nasceu em Curitiba, em 27 de dezembro de 1915, filho de Moysés Marcondes de Albuquerque e Julieta Negrão Albuquerque. Concluídos os estudos fundamentais na capital, formou-se, a seguir, pela Faculdade de Engenharia da Universidade Federal do Paraná. Ocupou vários cargos na antiga Rede de Viação Paraná-Santa Catarina, destacando-se na área de construções. Engenheiro residente na Linha Itararé-Uruguai, Linha São Francisco-Paranapanema, exerceu depois funções na chefia de departamentos e assessorias. Membro do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, por duas vezes, e fundador da Associação dos Engenheiros da Rede.

Aposentou-se em 1967 de sua atividade pública, passando a dirigir em sua fazenda em Campos Novos, Santa Catarina, uma empresa agropecuária, onde iniciou criação de cavalo puro-sangue inglês como introdutor desse pedigree na região oeste catarinense. Sua outra paixão foi a literatura. Escreveu com fecundidade abordando aspectos da história paranaense, além de outros temas filosóficos e técnicos que indicam o seu ecletismo cultural. Membro do Centro de Letras, Instituto Histórico e Geográfico e de outras instituições do país, seu ingresso nos quadros desta Academia foi o estuário natural de uma carreira literária e historiográfica marcada pela vocação, competência e seriedade.

Da sua vasta bibliografia, destacamos: Socialismo e Democracia Capitalista, Pelos Caminhos do Sul, O Homem entre a Ciência e a Religião, História da Energia Elétrica no Brasil, Pelos Caminhos do Norte, História e Alternativas da Produção, A Modernização Rural no Brasil e no Paraná, Reforma Agrária, Curitiba Que o Meu Tempo Guardou e Contestado. Herdeiro de uma estirpe aristocrática, soube exaltá-la pelos próprios méritos. Faleceu em Curitiba no dia 7 de março de 1998. Ingressou na APL em 10 de setembro de 1997, recepcionado pelo acadêmico Luiz Carlos Monteiro Tourinho. (TV)

2º Ocupante

Carlos Roberto Antunes dos Santos (1945-2013)

Filho de Ruy Castro dos Santos e de Ernestina Antunes dos Santos, nasceu em Porto Alegre (RS) em 23 de janeiro de 1945. Sua formação básica deu-se no Instituto de Educação e no Colégio Estadual do Paraná, em Curitiba. Graduado e licenciado em História em 1966, pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UFP. É professor titular em História do Brasil, do Departamento de História da UFPR. Mestre em História do Brasil pela UFPR em 1974. Doutor em História pela Universidade de Paris X Nanterre, França, em 1976. Pós-Doutor em História da América Latina pela Universidade de Paris III, França, em 1986. Presidente da Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná, APUFPR (1981-1983). Chefe do Departamento de História da UFPR (1989-1990). Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação (1990-1993). Presidente Nacional do Fórum de Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação (1993). Diretor do Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes da UFPR (1994-1998). Vice-Presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores em História Econômica e das Empresas (ABPHE gestão 1997-1999). Presidente da ABPHE (gestão 2001/2002). Fundador e primeiro Presidente da Associação Paranaense de História. Autor de 72 publicações científicas, em revistas especializadas no Brasil e no Exterior. Assessor ad hoc do CNPq, da CAPES e da FINEP. Pesquisador 1 A do CNPq (1982/1996). Bolsista de Produtividade Acadêmica da CAPES (1998/2002). Foi Reitor da UFPR (1998/2002) e Presidente da ANDIFES (2000/2001). Cidadão Honorário de Curitiba. Recebeu o 16° Prêmio Paranaense de Ciência e Tecnologia, na área de Humanidades. Secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, SESU/ MEC (jan.2003, fev.2004). Membro do Conselho Nacional de Educação (fev.2003, fev.2004). Organizador da Comissão Nacional que instituiu o SINAES (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior).

Autor da obra História da Alimentação no Paraná, publicada em 1996, e de Vida Material, Vida Econômica, publicado pela SEED/PR. Organizador do dossiê intitulado História da Alimentação, e autor da apresentação, com artigo publicado na revista História: Questões & Debates, n° 42/2005. Participação nos Congressos Novas Tendências Culinárias, em Tours, França, e no Congresso Internacional de História, em Braga, Portugal, com apresentação de trabalho, em dezembro de 2005. Fez parte da Comissão de Implantação que definiu o projeto político-pedagógico da UNILA, Universidade Federal da Integração Latino-Americana, sediada em Foz do Iguaçu. A pedido do presidente Túlio Vargas, organizou para a APL cinco edições consecutivas da Semana de História, promovida anualmente pela entidade. Tomou posse da Cadeira 38 em 26 de março de 2002, saudado pelo acadêmico Metry Bacila. (VHJ) Faleceu no dia 10 de julho de 2013, em Curitiba.

3º Ocupante

Maria José JustinoMaria Jose Justino 2

Maria José Justino nasceu em Cachoeirinha do Una, no sertão de Pernambuco, em 20 de setembro de 1946,  filha de José Justino Sobrinho, comerciante (Pernambuco) e fazendeiro (Paraná), e Josefa de Almeida Justino.

Nos anos 1950, sua família migrou para Cornélio Procópio, no norte do Paraná, de onde Maria José veio estudar Filosofia na UFPR, em Curitiba. Na capital, também graduou-se em Pintura na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, hoje integrando a UNESPAR.

Possui mestrado em Filosofia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1983) e doutorado em Estética e Ciências das Artes pela Universidade de Paris VIII (1991). Desenvolveu em 2007-2008 estágio de pós-doutorado na EHESS-École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris). Integra o Grupo de Pesquisa “Teoria, Crítica e História da Arte”, pela EMBAP. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Artes Plásticas, atuando principalmente nos seguintes temas: história da arte contemporânea, história da arte brasileira, crítica de arte, história da arte paranaense, estética e arte e sociedade. Atualmente, é Diretora da Escola de Música e Belas Artes do Paraná e atua como curadora independente.

Entre suas obras, destacam-se  Guido Viaro / Um Visionário da Arte (Editora do Museu Oscar Niemeyer, 2007).  Frans Krajcberg, a Tragicidade da Natureza pelo olhar da arte (Travessa dos Editores, 2005); MusA Acervo do Museu de Arte da UFPR (PROEC, 2002), Organizadora; O Banquete Canibal Modernidade em Tarsila do Amaral (UFPR, 2002); 11 Anos de Cultura, Arte e Cidadania Festival de Inverno da UFPR (PROEC, 2001), Organizadora; Seja Marginal, seja Herói: Modernidade e Pós Modernidade em Hélio Oiticica (Editora UPFR, 1999);  50 anos do Salão Paranaense (SEEC-PR, 1995), Organizadora.

Em maio de 2013, lançou o livro Mulheres na Arte. Que Diferença Isso Faz? Por meio do estudo de artistas plásticas emblemáticas (como a mexicana Frida Kahlo e a brasileira Lygia Clark), a autora recoloca em discussão a pergunta sobre a diferença de gêneros na arte. O prefácio é do diretor da École des Hautes Études en Siences Sociales, Jacques Leenhardt, universidade francesa na qual Maria José concluiu seu pós-doutorado em ciências da arte.

Sua produção bibliográfica contém ainda dezenas de artigos em publicações científicas e em periódicos, além da participação em diversas obras coletivas.

Tomou posse na APL em solenidade no Museu Oscar Niemyer, na noite de 20 de maio de 2014.