Cadeira 4 – Eduardo Rocha Virmond

Patrono

Dr. José Cândido Muricy (1827-1879)

Nascido na cidade de Salvador (BA), em 31 de dezembro de 1827, era filho de Joaquim Inácio da Silva Pereira e Joana Francisca Pereira. Estudou Medicina na Bahia, formando-se em 1852. Submeteu-se a concurso para médico militar. Aprovado, chegou a Curitiba no dia 8 de novembro de 1853, vésperas da instalação da nova Província. Vacinador Profissional nomeado por Zacharias, seu renome ganhou espaços, aumentando sua clientela, especialmente a que não tinha preocupação de pagamento.

Em 1857 teve atuação desvelada durante uma epidemia de varíola em São José dos Pinhais. Dirigiu-se em seguida a Paranaguá para debelar a mesma ocorrência. Viu morrerem em seus braços companheiros médicos que lutavam contra a moléstia. Negou-se a receber indenização do governo a título de risco de vida. Tendo cumprido excelente curso universitário nas áreas de botânica e farmacologia, desenvolveu seus conhecimentos nestes dois ramos. Em 1858 engajou-se numa expedição militar a Mato Grosso, em operação preventiva, dados os indícios de invasão por forças paraguaias. Antes de partir, noivou com Iria Narcisa, filha do Major Vicente Ferreira da Luz. Retornou ao Paraná em 1859 para, então, casar-se. Seu conceito estava definitivamente consolidado como cirurgião do corpo médico do Exército. Deputado provincial eleito em 1863, teve seu mandato renovado no biênio seguinte. Integrou a delegação brasileira à Exposição de Córdoba (produtos provinciais), merecendo elogios pelos resultados obtidos. Em 1866 foi elevado à Provedoria da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba. Projetou a construção do novo hospital fora do perímetro urbano. Por esse motivo foi muito criticado na ocasião. Hoje aquele novo hospital é a velha e conhecida Santa Casa, situada bem no centro da cidade.

Tornou-se oficial da Ordem da Rosa e Cavaleiro da Ordem de Cristo. Publicou uma obra rara, Notícia sobre a Província do Paraná. Em 1872, o Imperador Guilherme I conferiulhe a Ordem da Coroa da Alemanha. Dado o seu desprendimento profissional, foi considerado “O primeiro cidadão de Curitiba”. Em 1877, o presidente da Província Jesuíno Marcondes deu-lhe o nome ilustre a uma das colônias implantadas no primeiro planalto. Foi uma notável figura de seu tempo, das que deixam marcas luminosas. Faleceu em Curitiba no dia 20 de março de 1879. (TV)

Fundador

José Cândido da Silva Muricy (1863-1943)

Filho do Dr. Muricy, nasceu em Curitiba no dia 30 de julho de 1863. Fez os estudos primários nos seminários de São Paulo e do Rio de Janeiro, onde cursou o antigo Colégio Vitório e o ginásio do Mosteiro de São Bento. Ingressou na Escola Militar em 1883, tendo participado no final do curso dos pródromos da Proclamação da República, sob a inspiração de Benjamin Constant.

Na manhã de 15 de novembro formou na célebre companhia de guerra composta somente de oficiais. Em 1892 realizou o primeiro levantamento topográfico dos Saltos do Iguaçu. Durante o período da revolução de 1893-94, tomou parte ativa e relevante ao lado das tropas legalistas, notadamente no combate de Tijucas onde, notabilizando-se como artilheiro, mereceu respeitosas referências do general inimigo Gumercindo Saraiva. Em 1895 foi eleito deputado ao Congresso Legislativo do Paraná, no qual atuou durante cinco legislaturas, até 1905, quando renunciou ao mandato. Treze anos depois, em 1918, foi reformado compulsoriamente, contando 36 anos de serviços prestados à Pátria. Mesmo assim, em 1928, o presidente do Estado Affonso Camargo nomeou-o comandante da Força Pública, cargo que exerceu até a Revolução de 30. Fez parte de várias bancas examinadoras de concursos para cátedras do Ginásio Paranaense. Foi presidente do Jockey Clube do Paraná, fundador do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense e presidente do Centro Paranaense, este no Rio de Janeiro. Colaborou assiduamente sobre assuntos atinentes à pecuária, equitação, artilharia, bem como a respeito de pontos controversos da História Nacional nas revistas Acadêmica e do Clube Curitibano, e nos jornais A República, Diário da Tarde, Comércio do Paraná e Jornal do Comércio, este do Rio de Janeiro. Publicou, em edição da Impressora Paranaense, em 1896, o trabalho Foz do Iguaçu. Dias após a sua morte, circulou o seu livro Parada Morta, com prefácio de Tasso da Silveira. Ainda de sua autoria: A Revolução de Noventa e Três; A Proclamação da República e Viagem ao País dos Jesuítas.

Os dois primeiros representam depoimentos pessoais e valiosos e a narração objetiva dos grandes fatos da época. Viagem ao País dos Jesuítas constitui ampla e viva descrição do extremo Oeste Paranaense, fruto de uma verdadeira bandeira empreendida em 1896 às ruínas de Vila Rica, na antiga República Teocrática de Guairá. Faleceu no Rio de Janeiro em 17 de junho de 1943. É considerado fundador da APL. (TV)

1º Ocupante

José Cândido de Andrade Muricy (1895-1984)

Filho de José Cândido da Silva Muricy, nasceu em Curitiba no dia 4 de dezembro de 1895. Feitos os estudos básicos, transferiu-se, em 1916, para o Rio de Janeiro, matriculando-se na Faculdade de Direito, na qual colou grau.
De 1923 a 1925 recolheu-se em Aresa, Suíça alemã, onde escreveu seu famoso romance A Festa Inquieta, indicativa da sua filiação ao movimento literário modernista, então incipiente. Ao retornar, exerceu a cátedra de Canto Orfeônico na Escola Superior do Comércio. Logo se engajou como crítico musical do Jornal do Comércio. Conferencista renomado, realizou em 1932 ciclo de conferências em curso de extensão universitária de história da música e estética musical. Dirigiu o Teatro Municipal e foi membro do Conselho Federal de Cultura. Sempre vinculado espiritualmente a Curitiba, empreendeu a publicação de obras de intelectuais paranaenses, entre os quais Emiliano Perneta e Nestor Victor. Divulgou nos centros maiores as letras locais, dando ênfase aos contemporâneos, cujo apoio tornou-se fundamental. Prefaciou a conhecida antologia Letras Paranaenses, de autoria de Felício Raitani Neto e Colombo de Sousa, em 1970. Uma das suas últimas publicações nitidamente araucarianas foi O Símbolo à Sombra das Araucárias (1976), em que retrata aspectos do desenvolvimento da cultura tingüi. A bibliografia deste mestre da crítica é vasta, séria e grandiosa, revelando o seu múltiplo talento, cultura e idoneidade como escritor e crítico literário.

Em 1979, doou sua valiosa biblioteca para a Fundação Cultural de Curitiba. Além das obras já mencionadas, ainda publicou: Sonata Pagã (1913); Literatura Nacionalista (1922); Silveira Netto (1930); A Nova Literatura Brasileira (1936); Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro (1952); Música Brasileira Contemporânea (1952); Caminho de Música (1946 e 1953); A Festa Inquieta; Partida para a Europa. Faleceu no Rio de Janeiro, dia 9 de junho de 1984. (TV)

2º Ocupante

Eduardo Rocha Virmond (1929)

Filho de Eduardo Guimarães Virmond e Aracy Rocha Virmond, nasceu em Curitiba no dia 13 de janeiro de 1929. Após os estudos preliminares, em Ponta Grossa, Castro e no Rio de Janeiro, formou-se em ciências jurídicas pela Fa-
culdade de Direito da UFPR, em 1952. Ganhou notoriedade nos meios acadêmicos e intelectuais pela rebeldia de temperamento e abordagem de temas explosivos ou proibidos, ainda que relativos a teatro, artes plásticas, música e literatura, em sua coluna diária Letras e Artes, na Gazeta do Povo e, depois, no Diário do Paraná. Atribui o amadurecimento de suas idéias, formação profissional e intelectual ao convívio do Café Belas Artes, ponto obrigatório de reuniões até a década de 50.

Tornou-se profissional do Direito dos mais atuantes, notadamente durante os regimes políticos discricionários. Presidiu os três órgãos mais importantes da sua classe: o Instituto de Direito Tributário do Paraná, o Instituto dos Advogados do Paraná e a Ordem dos Advogados do Brasil, Seção do Paraná. À frente desta última promoveu a VII Conferência Nacional da OAB, juntamente com Raymundo Faoro, em 1978, Curitiba, com a presença dos mais distinguidos juristas do País, destacando-se Pontes de Miranda, Victor Nunes Leal, Miguel Seabra Fagundes e outros. Essa Conferência contribuiu com papel fundamental para a abertura política do país, inclusive para a revogação do AI 5.

Lecionou Direito Romano na Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Pertence à Associação Brasileira de Críticos de Arte, da qual é membro honorário, ao Instituto Brasileiro de Filosofia, por convite de Miguel Reale, e é membro honorário da Aliança Francesa e do British Council. Recebeu a distinção e o diploma de Advogado Emérito do Instituto dos Advogados do Paraná. Foi Secretário de Estado da Cultura e da Justiça e da Cidadania do Paraná, ambos na década de 90. Em comemoração aos 30 anos da realização da VII Conferência Nacional dos Advogados, a APL publicou seu memorável discurso na abertura daquele evento, perante três mil juristas, sob o título O Aperfeiçoamento do Arbítrio. Também a seccional paranaense da Ordem dos Advogados saudou a data, em sua IV Conferência Estadual, ocasião em que proferiu o discurso Rumo ao Estado Policial, publicado pela própria OAB/PR. Dele, a APL publicou também os discursos de posse na Cadeira no 4 e na presidência Ser ou não ser, e o ensaio Escrever – Como o Código Civil. Da Ordem dos Advogados recebeu a Medalha José Rodrigues Vieira Netto, em 2009, quando pronunciou o discurso Trem das Onze.

Foi eleito presidente da APL para o biênio 2011-2012, empossado em sessão solene no Instituto dos Advogados do Paraná em 16 de dezembro de 2010. Tomou posse na Academia em 22 de setembro de 1994, recebido pela acadêmica Helena Kolody. (TV)