Cadeira 40 – Antônio Carlos Carneiro Neto

Patrono

Cícero Marcondes França (1884-1908)

Nasceu no dia 10 de março de 1884, em Palmas, sudoeste do Paraná. Viveu tão somente vinte e quatro anos. No Colégio Paranaense foi aluno retraído, desconfiado. Pouco falava, costumava apenas observar. E no jornalzinho estudantil do colégio, O Estudo, impresso em papel cetim, distribuído aos sábados pela manhã à estudantada, começaram a aparecer seus primeiros versos.

Mudou-se para a Bahia, com o intuito de preparar-se para a Faculdade de Medicina. Teve, então, oportunidade de conviver com o grupo simbolista Nova Cruzada. Retornou a Curitiba e, em fins de 1901, partiu para São Paulo com a finalidade de tentar, dessa vez, a Faculdade de Direito. Morou, inicialmente, numa pensão da Rua José Bonifácio, num quarto abafado e mal cheiroso, já que no térreo do prédio funcionava uma casa importadora de azeite, querosene e bacalhau. Apesar disso, nada o abalou. Por curiosidade, tinha uma maneira de só escrever com as pernas estiradas numa cadeira que, cuidadosamente, punha a certa distância daquela em que sentava. Fumava muito e bebia café o dia todo. Tinha pruridos infantis em certos momentos, rindo muito, pondo em rebuliço toda a hospedagem, o que já indicava algum transtorno. Ora alegre, comunicativo, ora insociável, trancava-se horas esquecidas em seus aposentos. Da pensão acima mudou-se para uma outra na Rua do Quartel, aí formando uma república com direito até a um piano colocado na sala da frente. De São Paulo foi para o Rio, freqüentando a Imprensa Nacional e passeando, na Rua do Ouvidor, com Emílio de Menezes. Hospedara-se numa república baiana, no Largo do Rocio. Não conhecia nem respeitava horários nem imposições. Mas, artista de grande sensibilidade e dono de um grande coração, justamente nessa pensão se agravaria a tuberculose, que o prostrou.

Quando voltou a Curitiba não passava de uma ruína. E na residência de seu amigo e companheiro Raul Faria, daria o título de Necrotério d’Alma ao seu único livro. Muito doente, desejando encontrar-se com seus pais residentes em Porto União, ao chegar em Ponta Grossa hospedou-se no Hotel Palermo, na Praça da Matriz. Faleceu, então, na madrugada de 10 de julho de 1908. (WB)

Fundador

Generoso Borges de Macedo (1875-1945)

Nascido em Guarapuava, em 23 de julho de 1875. Após os estudos primários realizados em sua cidade natal, desejou, com dezessete anos de idade, matricular-se no Liceu de Artes e Ofícios, no Rio de Janeiro. Não conseguiu a matrícula e, frustrado, retornou ao Sul para iniciar-se no comércio da cidade de Paranaguá. Explodira a revolução federalista e ele, de certa forma comprometido, retirou-se do palco da guerra. Apagadas as mágoas partidárias, iniciou-se no jornalismo curitibano, sem contudo deixar as lides mercantis. Leitor voraz de todos os gêneros literários, poesia, romance e crítica, fossem nacionais ou estrangeiros, adquiriu sólida cultura humanística.

Elegeu, na poesia, Emílio de Menezes para mentor, admirador que era de seus versos alexandrinos, o que o levaria a escrever um livro de poemas, Estrelas Cadentes, nunca dado à publicidade, mas cujos versos encontram-se nas páginas de O Sapo e da revista Azul. Retornou ao Rio de Janeiro quando foi nomeado despachante da Alfândega. Ficou nessa cidade pouco tempo, já que laços afetivos o atraíam ao Paraná, especialmente a cidade de Antonina, na qual, aos 25 anos de idade, casou-se com Otávia, aquela que ele evocava em versos como a dama dos seus castelos de ouro.

Em Curitiba, exerceu também as funções de camarista e o mandato de deputado estadual. Jornalista, poeta, cronista, são encontráveis seus trabalhos em jornais e revistas paranaenses. Tentou o teatro e participou, com outros parceiros, da autoria da revista Colcha de Retalhos, com música de Luís Bastos, encenada pela primeira vez no Teatro Guaíra, em 22 de julho de 1906. Publicou Semana Santa (propaganda da Liga Anticlerical Paranaense, 1902); Flâmulas, versos; Discursos e Conferências; e Terra das Maravilhas, impressões e estudos do oeste paranaense. Sócio-fundador do Centro de Letras do Paraná, membro da antiga Academia de Letras do Paraná, diplomou-se, já maduro, em Direito, pela Universidade do Paraná, em cuja turma desfrutou da amizade de companheiros como Joseph Plácido e Silva e Samuel César. Foi escolhido orador da turma de direito. Curioso que, além de estudante, participara da fundação da Universidade do Paraná, pois foi um dos professores do Curso de Comércio. Mais tarde, passou a advogar em São Paulo, onde faleceu, em 4 de março de 1945. (WB)

1º Ocupante

Ângelo Guarinello (1876-1962)

Nasceu em Pindamonhangaba (SP), em 19 de setembro de 1876. Concluídos os preparatórios, matriculou-se e formou-se na Faculdade de Direito de São Paulo. Veio para Curitiba e nesta cidade iniciou-se profissionalmente, ao lado de vigorosa atividade literária. Contista, poeta e fabulista, foi eleito componente do Centro de Letras do Paraná em agosto de 1921. A partir dessa data, até os meados da década de quarenta, desenvolveu intensa atuação centrista, quer apresentando seus trabalhos literários, quer fazendo parte das diversas diretorias, ora como orador, no biênio 1928-1930, como secretário, de 1930 a 1934, e como tesoureiro, de 1934 a 1938. Era assíduo freqüentador e colaborador participante do referido Centro, valendo ressaltar a sua decisão quando, nas funções de tesoureiro, contrariando interesses de seus companheiros, diante da insensibilidade de muitos sócios em liquidar seus débitos, defendeu a posição pela eliminação de sócios recalcitrantes ao pagamento das mensalidades e das jóias. Foi uma posição radical que deu muito no que falar. Casou-se em Curitiba com Eleonora Gaissler, que lhe deu dois filhos, dois conceituados médicos, Rafael e Paulo Emílio.

De temperamento reservado, mentalidade à época nada conservadora, dono de privilegiada memória, apreciador de bons espetáculos teatrais e música erudita, falava correntemente o francês e o italiano. Sua biblioteca era de apurado gosto e fino requinte: alinhavam-se ali volumosos livros de direito luxuosamente encadernados, além de raras obras literárias. No seu velório, em 27 de agosto de 1962, realizado em sua própria residência, na Avenida Vicente Machado 147, foi-lhe negada a bênção pela religião católica por constar o seu nome no index, que, instituído pelo Tratado de Latrão, relacionava obras literárias consideras hereges, ou com momentos de heresia em seu conteúdo. Esse index foi abolido pelo Concílio Vaticano II. Mas, na mesma oportunidade, num magnífico exemplo de fé cristã e de amor ao próximo, as freiras do Leprosário São Roque, de Piraquara, presentes ao ato fúnebre, ajoelharam-se e rezaram o terço em memória e pela alma do saudoso acadêmico. Sua bibliografia mostra O Tenente Evaristo, romance histórico, de 1906; A Salada da Vida, contos, 1930; Razões de Defesa em Favor de Valentin B. Sobrinho, 1936; Ressurreição, contos, 1938, e Emoliente da Lei, versos, além de trabalhos de caráter profissional. É considerado fundador da APL. (WB)

2º Ocupante

Alvir Riesemberg (1907-1975)

Nasceu em Rio Negro, no dia 19 de maio de 1907, às margens do Iguaçu, vendo, como diria ele mais tarde, os pinheirais imensos e as curvas do rio, vapores subindo, pejados de erva-mate, o pai decifrando charadas do Almanaque Paranaense e a mãe a declamar Casimiro e Gonçalves Dias enquanto embalava, na rede, o sono de seus filhos. Com a revolução dos fanáticos do Contestado, em torno de 1920, a família se deslocou rio acima, até chegar a Curitiba. Estudou, então, no Colégio Becker e no Ginásio Paranaense. Fez o curso de Farmácia durante dois anos, entrando em seguida na Faculdade de Medicina da Universidade do Paraná, colando grau em 24 de outubro de 1931. Casou-se aos 27 anos de idade, em Paula Freitas, com a pontagrossense Julita, que lhe daria quatro filhos. Instalou-se em União da Vitória, onde passou o resto de sua vida. Exerceu o magistério no Colégio Túlio de França e na Faculdade de Filosofia do local. Paralelamente. Desenvolveu sua atividade profissional exercendo a função de diretorclínico do Hospital da Associação 26 de Outubro, onde, por mais de três decênios, atendeu à família ferroviária.

Escreveu para os periódicos locais como o Caiçara e O Comércio e publicou os festejados A Instalação Humana no Vale do Iguaçu, Nhá Marica, Minha Avó (um estudo de aculturação). Na série Estudos Paranaenses do Instituto Histórico e Geográfico, A Nau São Sebastião (um estudo sobre os primórdios da industrialização do pinho), Bruno da Costa Filgueira (o último bandeirante de Curitiba), Porto União da Vitória (aspectos históricos), As Enchentes do Rio Iguaçu, A Navegação a Vapor no Iguaçu, O Pioneiro Amazonas de Araújo Marcondes e A Fundação do Porto da União da Vitória, além de O Cão nas Bandeiras e nas Monções e O Professor Serapião do Nascimento. Foi deputado estadual pela UDN de 1947 a 1950.

Faleceu em União da Vitória no dia 14 de fevereiro de 1975, menos de cinco meses depois de sua posse na Academia Paranaense de Letras, ocorrida em 26 de setembro de 1974, saudado pelo acadêmico Osvaldo Pilotto. (WB)

3º Ocupante

Valério Hoerner Júnior (1943-2015)

Nasceu em Curitiba no dia 29 de junho de 1943. Filho de Valério Kormann Hoerner e Maria de Lourdes Correia Hoerner. Pela linhagem dos Correia, oriunda de sua mãe, é tetraneto de Manoel Antônio Pereira — último capitão-mor e primeiro prefeito de Paranaguá — e bisneto do célebre Dr. Leocádio José Correia — médico humanitário e político parnanguara — de quem teceu a ilustre biografia. Aluno marista nos ensinos primário e ginasial, do Colégio Estadual do Paraná no curso clássico, bacharelou-se em Direito em 1969, pela Universidade Federal do Paraná. Estudou também na Fundação Getúlio Vargas em suas unidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. Além de advogado, foi professor universitário ministrando as disciplinas de Direito Romano, História do Direito, Filosofia do Direito, Ética e Linguagem Forense. No jornalismo, iniciou-se como foca na Gazeta do Povo, em 1962, quando teve oportunidade de cobrir jornalisticamente o Fórum dos Reitores. Nesse evento realizado em Curitiba, produziu, com exclusividade para o jornal, marcante entrevista com o então ministro da Educação e Cultura Darcy Ribeiro. Por quase uma década assinou a coluna Histórias de Curitiba. Seu acervo jornalístico anda em torno de 700 artigos.

Sua bibliografia consigna 37 títulos, entre os quais O morto vivo, 1978; A vida do Dr. Leocádio, 1979 e 2007; A mosca azul, 1981; Curitiba 1900, 1981; O folclórico Palácio, 1982; Noções de história da literatura brasileira, 1989; Ruas e histórias de Curitiba, 1990 e 2002; Rodrigo Júnior: poeta e prosador, 1990; Palácio Avenida, 1991 (c/ Aramis Millarch); Atlético: a paixão de um povo, Uma paixão eterna, 1994 e 2010 (com Heriberto Ivan Machado). Ao vincular-se à Pontifícia Universidade Católica do Paraná, respondeu por sua história institucional e foram então publicados A história da Universidade, Faces de uma vida, O pastor de Curitiba, O homem e o meio, Santa Casa, D. Manuel da Silveira D’Elboux, PRB-2, a pioneira do Paraná, Uma história em 15 anos e uma centena de biografias opusculares. De entremeio, O nó da língua, 2000, e Latim para principiantes, 2005. Ainda, Maragatos e Roma – Civilização e Direito, a primeira com prefácio de Manoel de Oliveira Franco Sobrinho e a segunda, de René Dotti.

Foi membro do Conselho Estadual de Cultura. Estimulado pelos acadêmicos Leonardo Henke e Valfrido Pilotto, foi eleito para a Academia Paranaense de Letras, na qual, entre diversas funções, ocupou a secretaria-geral e, por duas vezes, a vice-presidência. Tomou posse em 19 de novembro de 1981, saudado, em sessão solene, na Sociedade Garibaldi, pelo Acadêmico Túlio Vargas. (TV)

 

4º Ocupante

Antônio Carlos Carneiro Neto (1948)Antonio Carlos Carneiro Neto

Antonio Carlos Carneiro Neto nasceu em Wenceslau Braz, em sete de julho de 1948, filho de Armando, juiz de Direito, e Josephina Carneiro. É casado com Rejane Mara Deconto Carneiro, sem filhos. Seu pai chegou à presidência do Tribunal de Justiça do Paraná e hoje dá nome à Praça Desembargador Armando Carneiro, em Curitiba.

Cursou o ensino fundamental na Escola de Aplicação Visconde de Guarapuava, em Guarapuava; o ensino médio no Colégio Estadual Regente Feijó, de Ponta Grossa; o ensino secundário no Colégio Estadual do Paraná e o ensino superior na Faculdade de Direito de Curitiba. É jornalista profissional, atividade que exerce

desde 1964, quando estreou na Rádio Clube Pontagrossense, como repórter esportivo.

Seguiu com a carreira de repórter em Curitiba, trabalhando nas rádios Guairacá e Clube Paranaense. Passou em seguida a narrador esportivo, na própria Rádio Clube e em prefixos como Universo, Cultura, Independência, Globo, Cidade e CBN. Foi também comentarista esportivo nas rádios Banda B, CBN e 98 FM. Diretor geral das rádios Clube Paranaense (1977 a 1979), CBN (1997 a 1999) e Banda B (1997 a 1999). Em televisão, trabalhou na TV Iguaçu, TV Paraná, TV Bandeirantes, TV Record e CNT.

Como colunista, militou no Jornal da Manhã de Ponta Grossa, O Estado do Paraná e Tribuna do Paraná, Diário do Paraná, Correio de Noticias de Curitiba, Jornal do Estado e, a partir de 1984, na Gazeta do Povo. Foi presidente da Associação dos Cronistas Esportivos do Paraná e vice-presidente da Associação Brasileira de Cronistas Esportivos.

Ainda: assessor de imprensa da Secretaria de Estado dos Recursos Humanos do Paraná e assessor jurídico do Tribunal de Justiça do Paraná. Aprovado em concurso público, foi nomeado tabelião titular do 2º Tabelionato de Protesto de Títulos de Ponta Grossa em 24 de julho de 1985, função que ainda exerce. Desde 2006 é Cidadão Honorário de Curitiba por decreto da Câmara Municipal.

Publicou os livros Jogo Limpo (1989), Atletiba – A paixão das multidões (1994), Paraná Clube – O vôo certo (1996), Efabulativos do Futebol (2003), O Campeoníssimo – A trajetória de Evangelino Neves (2003) e Hélio Alves – O Feiticeiro do Futebol (2007).

Foi eleito para a Academia em 11 de maio de 2016, tomando posse no dia 25 de julho seguinte, no Sesc da Esquina, saudado por Ernani Buchmann.