Cadeira 8 – Rafael Valdomiro Greca de Macedo

Patrono

Francisco Antônio Monteiro Tourinho (1837-1885)

Nasceu Francisco Antônio Monteiro Tourinho em Niterói (RJ), dia 8 de agosto de 1837. Era filho do coronel de mesmo nome e de Maria Carolina Monteiro Tourinho. Entre diversas opções, na hora certa, preferiu o Exército e, em 1860, recebeu a patente de alferes e engenheiro militar. Em seguida, foi nomeado ajudante-de-ordens do presidente da Província de São Paulo.

Mais tarde, fez parte da Comissão da rodovia Dona Francisca, em Santa Catarina. Foi promovido a tenente em 1861, e no ano seguinte, a capitão. Exerceu o cargo de inspetor de Colônias Militares no Paraná e Santa Catarina. Participou também de comissões encarregadas em obras de engenharia e do serviço militar. Exemplos dessa operosidade podem ser vistos na ponte sobre o Rio dos Papagaios, na antiga Estrada para Mato Grosso, e na da Graciosa, além de incontáveis outras que atestam seu alto conceito profissional. Cultor das letras, deixou muitas publicações. São notáveis as colaborações no jornal O Antonina (1873), Revista Paranaense (1881), O Dezenove de Dezembro (1907), Jornal dos Poetas. Consta da sua vasta bibliografia Bosquejo Histórico da Estrada da Graciosa. Voltou ao Rio de Janeiro para atender a compromissos militares. No ano seguinte, todavia, retornaria ao Paraná, outra vez, terra que ele tanto amou e serviu. Antonina muito lhe deve. Não fora sua intervenção para o traçado da Estrada da Graciosa, certamente aquela cidade ficaria à margem do desenvolvimento. Os estudos e começo de execução do prolongamento dessa importante via foram confiados aos engenheiros militares Antônio Rebouças Filho e ao próprio Monteiro Tourinho, em 1869. A construção teve início em 15 de abril de 1871, no governo Pádua Fleury. A partir de junho de 1882, Monteiro Tourinho assumiu a direção geral dos trabalhos, já na administração do presidente Lamenha Lins, acelerando os serviços. Coube-lhe, em seguida, inspecionar as colônias militares de Chopim, Chapecó e Jataí. Foi autor do primeiro mapa da Província. Dessas missões, deixou relatos interessantes publicados no livro Toiro Passante — Tempo de Província, de autoria de seu neto, acadêmico Luiz Carlos Pereira Tourinho. Faleceu em Antonina no dia 22 de maio de 1885. (TV)

Fundador

Jayme Ballão (1869-1930)

Nasceu em Curitiba em 10 de fevereiro de 1869. Aos 14 anos de idade, matriculou-se no curso de preparatórios do Instituto Paranaense para, em 1886, ser aprovado para o magistério primário. Foi nomeado, então, professor da freguesia de São João do Triunfo. Ainda muito jovem, publicou a revista Vida Literária, dirigiu a Gazeta Paranaense e foi nomeado praticante dos Correios, cargo que ocupou até 1892. Jornalista combativo, esteve preso durante a Revolução Federalista.

Em 1903, fundou o Diário do Comércio e, no ano seguinte, mudou-se para o Rio de Janeiro. Fez parte da Comissão de Propaganda da Expansão Econômica do Brasil na Europa. No começo da 1a Guerra Mundial, retornou ao Paraná, enviuvando pela segunda vez. Foi eleito camarista por dois quatriênios seguidos, entre 1912 e 1920. Não aceitou o convite que lhe fez o Ministério da Agricultura para realizar a propaganda da erva-mate na Europa por ter adquirido o jornal Diário da Tarde. Eleito para o Congresso Legislativo do Paraná, foi seu primeiro-secretário. Ligado ao campo industrial, fundou e manteve uma fábrica de ladrilhos em Curitiba, bem como a primeira moagem de café em Ponta Grossa. Ali também dirigiu o semanário Gazeta dos Campos.

Sócio fundador do Centro de Letras, advogado formado pela Faculdade de Direito do Rio em 1922, colaborador de quase todos os jornais e revistas paranaenses, deixou a seguinte bibliografia: Ceci, poemeto, 1896; Coisas do Progresso, peça teatral, 1901; Propaganda da Erva-Mate no Paraná, 1908; Sidéria, ópera (com Augusto Stresser), 1912 e 1953; Riquezas Naturais, Matérias-Primas e Quedas D’Agua, memórias, 1919; A Foz do Iguaçu e as Cataratas do Iguaçu e do Paraná, 1921; As Cartas Falsas, 1922; Conferência Cívica, 1925; Elogio de Monteiro Tourinho, 1928; O Ceguinho, novela, 1929. Ao falecer, em 1° de agosto de 1930, exercia o cargo de oficial do Registro de Títulos de Curitiba. É considerado fundador da APL. (WB)

1º Ocupante

Ildefonso Serro Azul (1888-1949)

Ildefonso Pereira Correia, mais conhecido por Ildefonso Serro Azul, nasceu em Curitiba no dia 9 de julho de 1888. Era filho do Barão do Serro Azul. Poeta, humorista, boêmio, contista, romancista e autor teatral, sócio-fundador do Centro de Letras do Paraná, tornou-se um colaborador assíduo da maioria dos jornais e revistas paranaenses. Sua figura física, inconfundível, inspiraria um soneto que assim começava: Baixo e ventrudo, gordo, redondinho, que esquisita figura ele oferece… Não é perfídia minha: um leitãozinho, Rechonchudo e luzente, ele parece.

Sua bibliografia não é pequena e dela podemos destacar: Lilazes; O Eco Daquela Voz…; Saudade; Paisagens de Minha Terra, poesias; a novela Liberdade, os romances Viva o Tango!; Fazendo a América; e A Mania da Época, este publicado em capítulos pelo Diário da Tarde, em janeiro de 1927. Já bem marcante a sua contribuição para o teatro: O Pau da Gaita, com Ciro Silva; Mais Uma…; O Coração Adivinha, com Bento Mossurunga; Na Terra da Prontidão, com Ciro Silva; É Do Que Há!, com Nho Lisandro; O Tifo, com Léo Kessler; O Diabo Atrás da Porta, com Ciro Silva; Um Genro Milionário; e Rumo ao Catete, ainda com Ciro Silva; e as inéditas, Tarde Piaste!, A Mocidade Tudo Vence, Depois da Epidemia, Casamento Original, No Dia dos Reis Magos, e Um Rapto Político, com Rodrigo Júnior, baseado no rapto do Dr. João Cândido, fantasiado de mulher, pelo Tenente Carlos Eiras.

Proprietário do Teatro Mignon, com Adalberto Nácar, redator do jornal humorístico O Anzol, com Alceu Chichorro, Ciro e Correia Júnior, foi responsável por várias seções de feição satírica como Arame farpado e A semana cômica, na Gazeta do Povo; A Semana rimada, no Comércio do Paraná; Escapamento Livre, em O Dia; Glosas, no Diário da Tarde e Pólvora miúda, em A Tribuna. Utilizando-se das armas do humorismo, ora assinando-se Barãozinho, ora Jeca Rabecão, tentava enganar-se a si próprio, vencendo os momentos trágicos de sua existência, as perdas trágicas do pai, do filho Luís Fernando, de suas irmãs, de sua mãe, do sogro e da sogra, Argentina, sempre consolado pela presença de sua esposa Constancinha. Foi nomeado fiscal do ensino secundário para o estado de São Paulo, onde morreu em 30 de junho de 1949. (WB)

2º Ocupante

Jayme Ballão Júnior (1891-1968)

Filho do acadêmico Jayme Ballão, nascido em Curitiba, em 09 de fevereiro de 1891, fez seus estudos primários na própria cidade natal. Com apenas 11 anos de idade fundou um dos primeiros jornais infantis do Paraná, O Estudo, que ele sozinho redigia, compunha, paginava, revisava, expedia e distribuía. Com a mudança da família para o Rio, em 1904, passou a cursar o Ginásio Nacional e, após, os colégios Alfredo Gomes e Silva Ramos. Desfrutou sua juventude nos Estados Unidos e na Europa, freqüentando, em Paris, o Curso Rolin da Sorbonne, mantendo contato com os expoentes da cultura e do pensamento do Velho Mundo. De volta ao Brasil, trabalhou em São Paulo, no jornal O Estado de São Paulo. Lá mesmo diplomou-se bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito, após brilhante curso. Felício Raitani Neto, em seu sempre consultado livro Letras Paranaenses, que o conhecera de perto, fez essa curiosa revelação: ele costumava sair ao lusco-fusco, na boca da noite, metido num comprido casaco ou capa preta, chapéu de aba larga na cabeça. Andava colado às paredes como se quisesse vará-las, recolher-se para fugir ao convívio humano, na sua invencível timidez.

Moço simples, modesto, retraído, escondia vasta erudição e aprimorada cultura humanística. Membro fundador do Centro de Letras, premiado pela Academia Brasileira de Letras, sua extensa bibliografia inclui: Eterno Sonho, novela, 1918; Sagrada Solitude, prosa, 1921; Orando ao Crepúsculo, teatro, 1921; Últimas Páginas, 1922; O Amor Morre, teatro, 1922; O Pensamento Poético de Gonçalves Dias, conferência, 1923; Seara Morta, novela, 1925; Impressões sobre Guarapuava, memórias, 1926; Romance de Meu Pai, 1933; Impressões Literárias, 1938; O Livro do Expedicionário, 1944; Mensagem da Infância, 1957; Roteiro da Montanha, 1960. Deixou, inéditas, cerca de seis obras. Faleceu em Curitiba, em 10 de janeiro de 1968. A Academia Paranaense de Letras o homenageou postumamente, em Sessão Solene de 25 de fevereiro, com discurso de seu íntimo amigo e confidente, o também acadêmico José Augusto Gumy. (WB)

3º Ocupante

Elias Karam (1902-1975)

Nasceu em Curitiba no dia 26 de agosto de 1902. Filho de Manoel e Maria Karam. Depois de intensa atividade comercial, estudou Direito, formando-se em 1935 pela Universidade do Paraná. Foi polivalente: advogado, professor, jornalista e escritor. Igualmente político, eleito por quatro legislaturas para a Câmara Municipal de Curitiba. Presidente da Câmara, assumiu interinamente o cargo de prefeito municipal nas gestões de Ney Braga e Ivo Arzua. No governo de Bento Munhoz da Rocha Netto, exerceu o cargo de diretor da Imprensa Oficial do Estado. Líder da sua geração, tanto na vida acadêmica quanto na política, envolveu-se em grandes movimentos nacionais, como nas revoluções de 1924, 1930 e 1932, nesta última na condição de soldado constitucional. Dessa experiência, escreveu Um Paranaense nas Trincheiras da Lei.

Orador fluente, não houve cruzada social, religiosa ou política em que seu verbo torrencial não se fizesse ouvir. Tribuno dos mais eloqüentes, conquistava as multidões pela força verbal e o carisma próprio da sua personalidade atraente. Foi nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado e nessa atividade aposentou-se. Destacou-se ainda nas lides culturais. Pertenceu aos quadros do Centro de Letras, Círculo de Estudos Bandeirantes, Instituto Histórico e Geográfico do Paraná e Academia Mariana de Letras.

Além das obras já referidas, constam da sua bibliografia: Duas Orações, discursos; Primado do Espírito, discursos religiosos; Os Sírios Libaneses e o Movimento Nacional da Aviação; Cômoros de Areia, crônicas; e Antístites de Curitiba, vencedor do Concurso Literário do Centro de Letras de 1967, categoria ensaio histórico. Faleceu em Curitiba no dia 3 de junho de 1975. (TV)

4º Ocupante

Luiz Carlos Pereira Tourinho (1913-1998)

Nasceu em Curitiba no dia 19 de dezembro de 1913, filho do emitente militar e professor Plínio Tourinho e de Esther Pereira Tourinho. Realizou o curso fundamental, respectivamente, no Grupo Escolar anexo à Escola Normal e Ginásio Paranaense. Assentou praça na Escola Militar do Realengo, em 1930. Foi declarado aspirante a Oficial de Engenharia em 1934. Ingressou na Faculdade de Engenharia do Paraná, concluindo o curso em 1938.

Tornou-se docente livre da Cadeira de Estatística, Matemática, Economia Política e Finanças da mesma escola superior. Mais tarde, passou a catedrático interino e professor titular das referidas disciplinas, acrescentadas às de Engenharia de Transportes e Economia de Engenharia. Foi diretor da Faculdade em 1971. Ocupou o cargo de diretor do Departamento de Estradas de Rodagem do Governo Munhoz da Rocha Netto, responsável, portanto, pelo moderno Plano Rodoviário executado. Elegeu-se deputado federal para a legislatura em 1955/59. Entre outras funções que desempenhou a seguir, destacou-se como diretor técnico da Copel e interventor federal no Instituto Brasileiro da Reforma Agrária. A partir daí, dedicou-se à presidência do Instituto de Engenharia do Paraná e do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, em cujo exercício revelou dinamismo e operosidade, implantando inovações e melhorias consideráveis. Das iniciativas marcantes, no campo editorial, vale ressaltar a Estante Paranista, com publicações periódicas do panorama histórico-cultural do Estado, sob os auspícios do Instituto Histórico, em cuja direção reelegeu-se sucessivas vezes. General do Exército brasileiro, professor, escritor, historiógrafo, político e administrador, constituiu figura de alta expressão nos meios culturais do Paraná. Bibliografia: Recordações de um Cosmógrafo de Cabeza de Vaca; O Tecnocrata e Outros; Cinqüentenário da Revolução de Trinta no Paraná; Toiro Passante: Tempo de Capitania(I), Tempo de Capitania (II), Tempo de República Velha (III), Tempo de República Getuliana (IV) e Tempo de República Democrática (V) 1a. Parte: Respingos e Crônicas. Escreveu ainda diversos trabalhos sobre Transportes, Economia, Estatística, Probabilidades e Geografia. Foi sócio-correspondente dos institutos históricos e geográficos de Minas Gerais, Santa Catarina, Sorocaba, Ponta Grossa, do Instituto Militar de História e Geografia e membro da Academia Nacional de Engenharia.

Faleceu em Curitiba no dia 31 de maio de 1998. Por ocasião de sua posse na APL, em 1977, foi recepcionado pelo acadêmico Osvaldo Pilotto. (TV)

5º Ocupante

Rafael Valdomiro Greca de Macedo (1956)

Nasceu em Curitiba, em 17 de março de 1956, filho de Eurico Dacheux de Macedo e Terezinha Greca de Macedo. Fez o curso de Humanidades em escolas curitibanas e graduou-se em engenharia civil, com especialização em urbanismo e em Economia, pela Universidade Federal do Paraná. Na área política, exerceu os cargos de vereador, deputado estadual (três vezes), prefeito de Curitiba e de Ministro de Estado do Esporte e Turismo. Em 1998, elegeu-se deputado federal com a maior votação já obtida na história do Paraná. Foi também Secretário de Planejamento e Coordenação Geral, Secretário de Governo, Chefe da Casa Civil e Secretário de Comunicação do governo do Paraná, em períodos distintos. Exerceu ainda o cargo de presidente da Cohapar – Companhia de Habitação do Estado do Paraná.

Ocupou o cargo de diretor da Casa Romário Martins e da Casa da Memória, órgãos da Fundação Cultural de Curitiba. Criou e desenvolveu o projeto Farol do Saber, as Ruas da Cidadania, as Vilas de Ofícios, as Lições Curitibanas e a Farmácia Curitibana, além de outros mecanismos de interesse público. No campo literário, publicou Caminho para o Paraná do Próximo Milênio e Poemas ao Rio Iguaçu, além de contribuir e participar de outras incontáveis publicações históricas. É autor, ainda, do livro Da Favela ao Bairro Novo – Ecologia Humana, que mostra a trajetória histórica entre a primeira favela do Brasil, formada há 113 anos e os bairros novos que tem surgido em nossas cidades, com urbanização, saneamento, energia elétrica, pavimentação, coleta de lixo, equipamentos sociais e regularização fundiária de antigas ocupações. Participou, como conferencista, de vários encontros internacionais, em universidades americanas, inglesas, japonesas, espanholas, italianas ou em seminários sobre Planejamento Urbano, Meio Ambiente, Tecnologia e Assentamentos Humanos, além de outros temas. Foi conferencista do Convênio Internacional sobre Urbanismo Social, em Nápoles, Itália.

É cidadão honorário de Himeje, Japão; recebeu a Ordem do Pinheiro do governo do Estado do Paraná, a Comenda Isabel, La Católica, concedida pelo Rei Juan Carlos I, da Espanha; Ordem de Mayo, do governo da República Argentina; da Ordem de Rio Branco, concedido pelo Conselho da Ordem, em Brasília; Prêmio Volvo de Segurança no Trânsito; Medalha Coronel Sarmento, da Polícia Militar do Paraná; e Prêmio Integração Latino-Americana, concedido pelo governo do Paraguai, entre outras homenagens e comendas recebidas. É engenheiro concursado do IPPUC – Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Curitiba e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná. Tomou posse na Academia em 23 de outubro de 2001, saudado pelo acadêmico Clemente Ivo Juliatto. (TV)