Cadeira 9 – Ário Taborda Dergint de Rawicz

Patrono

Manoel Euphrasio Correia (1839-1888)

Tio do senador e conselheiro Correia Neto e do Barão do Serro Azul, nasceu em Paranaguá em 16 de agosto de 1839. Após realizar os três primeiros anos do curso de Direito na Faculdade de Recife, recebeu o seu grau de bacharel na de São Paulo. Nomeado chefe de Polícia de Santa Catarina em 1871, chegou a advogar por muitos anos no foro de Curitiba, a quem representou na Câmara Provincial e Geral em várias legislaturas. Tem o seu nome ligado muito de perto à história da imprensa do estado, como fundador da Gazeta Paranaense, órgão do Partido Conservador e do qual era chefe.

Deixou trabalhos como Discursos Proferidos na Última Sessão da 15a Legislatura da Assembléia Provincial do Paraná (Curitiba, 1879); Casamento Civil, série de artigos publicados na Gazeta Paranaense (Curitiba, 1884); Justificação da Administração Conservadora, coletânea de artigos estampados ainda na Gazeta Paranaense, (Rio, 1882 e 1884); Discurso Pronunciado em 1875 na Câmara dos Deputados, Sobre a Questão de Limites entre Paraná e Santa Catarina (Curitiba, 1921); Questão de Limites entre os Estados do Paraná e Santa Catarina, coletânea com trabalhos de outros autores (Curitiba, 1891).

Faleceu em Recife, em 4 de fevereiro de 1888, exercendo as funções de presidente da Província de Pernambuco. Leôncio Correia, que lembraria de Euphrasio Correia para patrono de sua cadeira na Academia, dedicar-lhe-ia belo soneto cujos tercetos merecem ser recordados:

“Clarim vibrante conclamando os povos para a conquista do ideal sublime no qual se fixam anelos sempre novos, sua voz, que chegou aos horizontes mais distantes, perdeu-se — inulto crime! — nas gargantas aspérrimas dos montes…” (WB)

Fundador

Leôncio Correia (1865-1950)

Nasceu em Paranaguá no dia 1o de setembro de 1865. Foi um elo entre o passado e o presente: conviveu com a velha guarda — Emílio de Menezes, Olavo Bilac, Paula Ney, Machado de Assis, Coelho Neto — e com a nova, pois sua participação em movimentos posteriores ao lado dos contemporâneos foi intensa. Era considerado poeta pela crítica, mas foi um expressivo cronista. Legou à posteridade fontes importantíssimas de memória. O livro Meu Paraná é um retrato notável de locais e situações. Abolicionista e republicano, começou a atuar em Paranaguá.

Envolveu-se na Revolução Federalista ao lado dos legalistas, coincidindo a época com o mandato de deputado estadual que exercia. Esteve na Lapa, antes do cerco. Sempre ligado ao Paraná, especialmente a Curitiba e a Paranaguá, morou durante 50 anos no Rio de Janeiro, onde exerceu funções de alta projeção: diretor do Ginásio Nacional (Colégio de D. Pedro II), diretor da Instrução Pública do Rio de Janeiro e diretor da Imprensa Nacional e do Diário Oficial. Além da Academia Paranaense de Letras, pertenceu à Academia Carioca de Letras. Sua estréia na literatura deu-se com Flores Agrestes. Depois, vieram Perfis; Volatas; Boêmia do Meu Tempo; Panóplias; Evocações; Vultos e Fatos do Império e da República; A Verdade Histórica Sobre o 15 de Novembro; Parlendas de Palestras; O Barão do Serro Azul, entre outros. Este último, calcado em Para a História, de Rocha Pombo, serviu de base para Os Fuzilamentos de 1894 no Paraná, de David Carneiro, e mostra, em detalhes, os acontecimentos que envolveram o Estado durante o confronto entre pica-paus e maragatos.

Sua é a frase esculpida na própria herma, na Praça Osório: O meu desejo sempre foi diariamente ouvir o nome do Paraná falado, criticado, caluniado, elogiado, combatido, difundido, motejado, engrandecido, malsinado, mas nunca esquecido. Faleceu no Rio de Janeiro em 19 de junho de 1950. Seus restos mortais, anos depois, foram trasladados para Paranaguá e hoje repousam ao lado do Museu Histórico da cidade, no prédio que serviu ao antigo Colégio dos Jesuítas. É um dos fundadores da Academia. (VHJ)

1º Ocupante

Vasco José Taborda Ribas (1909-1997)

Nasceu em Curitiba no dia 18 de setembro de 1909. Formado em Direito, foi professor do Colégio Estadual do Paraná.Funcionário aposentado do Tribunal de Contas do Estado, caracterizou-se pelo potencial de realização que possuía, liderando e estimulando as mais diversas entidades socioculturais. Foi mentor, organizador e autor de incontáveis iniciativas e fez-se credor da cultura paranaense, pois, certo tempo, quando organismos tradicionais da terra viam-se enxovalhados por mal postadas e aventurescas doutrinas novas, quase sempre passageiras e circunstanciais, e muitas vindas de fora, ereta e forte foi a onipresença de Vasco José Taborda na defesa dos valores regionais, da memória histórica e das instituições paranaenses e paranistas. Devem-lhe muito, o Centro de Letras do Paraná, a Academia de Letras José de Alencar, a União Brasileira de Trovadores e a Soberana e Cavalheiresca Ordem do Sapo. Membro do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense. Foi presidente da Academia Paranaense de Letras por vinte anos, de 1970 a 1990.

Amante do experimental, incursionou por todos os gêneros literários, sendo basicamente o introdutor do prático sistema de divulgação literária conhecido por Volantes geralmente versos recém-elaborados e impressos em ambos os lados de uma folha, de modo a, após dobrada duas vezes, permitir fácil manuseio, favorecendo sua distribuição em reuniões sociais. Leonardo Henke costumava adotá-lo, enfeixando tais escritos, mais tarde, em livro. São quase incontáveis suas publicações. Entre livros, opúsculos e volantes encontram-se Saturnópolis, 1940; Um Episódio da Ocupação de Curitiba Pelas Forças Federalistas, 1944; S. P. Sapé, 1953; Rocha Pombo, 1953; Euclides da Cunha; Rodrigo Júnior; Victor Ferreira do Amaral e Leôncio Correia: Estudos, todos de 1960; O Fisquim, 1963; e Varredores da Madrugada, A Estrela e Eu, Antologia Ilustrada do Folclore Brasileiro, Antologia dos Trovadores do Paraná, Muçarai, Trufas. Participou, com outros intelectuais paranaenses, da História do Paraná, obra publicada em quatro volumes pela editora Grafipar.

Depois de diversos mandatos consecutivos, passou, em 1990, a presidência da Academia Paranaense de Letras a Felício Raitani Neto. Faleceu em 23 de março de 1997. Tomou posse na Academia em 31 de março de 1967, saudado pelo Acadêmico Heitor Stockler. (VHJ)

2º Ocupante

Ário Taborda Dergint de Rawicz (1931)

Nascido em Curitiba em 31 de agosto de 1931, é filho de Ottono Miroslau Dario Dergint de Rawicz e Jocelina Taborda Dergint de Rawicz. Após os estudos na Escola de Aplicação e no Colégio Estadual do Paraná, formou-se em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e, mais tarde, em Ciências Econômicas, pela mesma instituição. Realizou cursos de extensão universitária e de pós-graduação na área econômica no CEPAL – Comissão Econômica para a América Latina (órgão da ONU), em Santiago do Chile. Participou, junto ao governo colombiano, como expert da ONU em transportes.

Foi professor de Introdução à Economia e de Teoria Econômica na UFPR, onde ocupou os cargos de Chefe do Departamento de Economia; Coordenador do Curso de Economia; membro do Conselho Universitário e Pró-Reitor de Administração. Também foi Coordenador da PLADEP (Plano de Desenvolvimento Econômico do Paraná); Diretor Financeiro da TELEPAR (Telecomunicações do Paraná); Técnico e Secretário-Assistente do CODESUL (Conselho de Desenvolvimento do Extremo Sul); Consultor Econômico da Federação do Comércio do Paraná; e membro do Conselho Municipal de Contribuintes, do qual foi presidente.

Participou de inúmeros seminários e bancas examinadoras. Conferencista, possui vários trabalhos publicados referentes à sua especialidade, destacando-se: Projeto Econômico da Estrada de Ferro Central do Paraná (1959); O Tratado de Montevidéu e o Problema de Desenvolvimento Econômico (1960); Renda e População – Setor Primário da Economia Paranaense (1963); Paraná – Formação de Capital – Sociedade Anônima e de Economia Mista (1965) e Relação entre o Crescimento da População e o Número de Oportunidades de Matrícula nas Escolas Primárias do Estado, premiado com o 1.o lugar em concurso pela Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas da USP. Tem ainda dezenas de trabalhos e estudos inéditos.

É membro do Centro de Letras do Paraná, no qual exerceu diversas funções, inclusive a de presidente (1975/1976); do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná; da Academia José de Alencar; e do Conselho Regional de Economia (CORECOM), a partir de 2008. É conselheiro da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba; da Sociedade Socorro dos Necessitados e do Clube Curitibano (2010). É associado do Instituto de Engenharia do Paraná e dos “Amigos do MON (Museu Oscar Niemeyer)”. É Consultor Cultural da UFPR.

É considerado e respeitado como colecionador de antiguidades e de obras de arte. Publicou artigos referentes à vida e obra de Theodoro De Bona e de Arthur Nisio. Participa de exposições de arte, com o empréstimo de obras. Foi eleito para a Academia Paranaense de Letras em 28 de abril de 1998, tendo tomado posse em 5 de novembro de 2000, saudado por Wilson Bóia (WB/AF).