CLEMENTE JULIATTO E AS ‘CARTAS AOS ESTUDANTES’

O ir. Clemente Ivo Juliatto é titular da cadeira 17 da Academia Paranaense de Letras desde setembro de 2.00l, mas como educador e administrador universitário é que tem revelado sua vocação mais autêntica. Além de sua formação matemática e pedagógica nas Universidades de Ponta Grossa e Pontifícia do Rio Grande do Sul, tem títulos de formação internacional, como os de Mestre em Artes e Educação e Doutor em Educação pela Colúmbia University e Pós-Doutorado em Administração Universitária pela Harvard University, ambas norte-americanas.

Deixou a reitoria da Universidade Católica o Paraná (PUC) em 2013, após quatro mandatos sucessivos, durante cuja administração criou 3 novos campos universitários: Londrina, Toledo e Maringá, somando então 5 deles, com cobertura em todo Estado e multiplicando a oferta de novos cursos.

Hoje, a cálculos atrasados, a PUC conta com 68 cursos de graduação, 20 de doutorados e 200 de especializações, somando 1.300 professores e 30 mil alunos. Foi a 6ª PUC do Brasil, só acrescentada de uma outra, a 7ª, mais recentemente, em Goiás. Tem 120.000 alunos, estimativa que corresponde de 2 a 3% da população brasileira com curso superior.

Juliato, por sua vez e à conta de seus serviços à educação, recebeu em 2.000 o título de Cidadão Honorário de Curitiba e de professor Honoris Causa da Universidade de Boyacá (Colômbia), Aix-en-Provence (França), e passou a ser membro do Conselho Iberoamericano pela Educação (Panamá).

Afora todas essas participações, Clemente Juliato tem dado ainda outras tantas contribuições ao ensino através de livros e inúmeros artigos de qualidade, publicados em revistas de cultura e educação, além da imprensa diária. Exemplo disso foi sua tese de doutorado na Universidade de Columbia: “On Implementing Computing at a Brasilian University: An Administrative Study”; “O horizonte da Educação”, sobre a sabedoria e o sentido da vida: “Parceiros Educadores”, em que trata dos diferentes segmentos da educação acadêmica; “A Universidade em Busca da Excelência”, um estudo sobre a qualidade da educação e a formação de homens notáveis pelo saber e pelo preparo diante dos desafios da vida.  Além de outros tantos títulos, como “Um Jeito Próprio de Educar’; “As Flores do Câmpus”. Contam-se ainda os artigos, que são inumeráveis, acolhidos em revistas e na imprensa nacional e estrangeira.

Por último recebemos recentemente, por gentileza do autor, “Carta aos Estudantes e aos que procuram cultivar-se”. Uma publicação em brochura, de 272 págs. editada pela própria PUCPRESS. O modelo é o das cartas. Uma prática que tem registro histórico à conta de tantas outras epístolas famosas, que foram além do papel de missivas de comunicação e aproximação humana, para se converterem em veia crítica ou de ação política, como tantas mais que vão reproduzidas em 150 “Cartas Extraordinárias”, reunidas por Shaun Usher. Sem contar daquelas que já conhecemos, como as Cartas Chilenas, as Cartas Persas de Montesquieu ou a “Carta do Comércio…”, de Diderot.

Estas de agora, porém, preservam o modelo tradicional das missivas de comunicação pessoal e humana, como as que fazem os professores a seus alunos.

São 30 cartas devotadas ao estudo e ao modelo da vida virtuosa. Como se preparar melhor para os embaraços da vida e tirar maior proveito do estudo. São cartas acompanhadas de 28 parábolas, que, mediante um fabulário simples ilustram os temas dos textos. A linguagem procura ser bem simples, conduzida num tom quase coloquial. O predicador se propôs descer ao nível comum, para alargar o caminho e passar a lição a seus discípulos. São conselhos para cultivar o estudo como hábito e um plano permanente de vida honrada e virtuosa.

Diante da estranheza que mostravam seus discípulos do hábito de Cristo fazer pregações acompanhadas de parábolas, embora seu ensino se mostrasse tão claro, Cristo justificou que, diante da fé, de que os discípulos eram providos, possuíam maior compreensão dos seus mistérios que os outros, o que justificava o uso de histórias singelas, tiradas às rés comuns, para facilitar a compreensão dos que ainda não eram dotados da graça divina.

Por fim, outra admiração que o pequeno livro desperta é a de que as cartas não se servem de citações bíblicas ou da lição dos santos da Igreja, como se costuma prever da prédica dos religiosos. As alusões que faz (a bem de ver) são lições filosóficas, educativas ou do pensamento comum e secular, embora com proeminência e sua devoção à verdade e às virtudes cristãs.

É leitura amena, recomendada não só aos estudantes, mas também ao proveito dos estudiosos de mais idade, como nós.

Acadêmico Rui Cavallin Pinto