HOMOLOGIAS SIMBÓLICAS

Em nossa mente podemos verificar facilmente a distinção entre representações sensíveis e representações mentais, estas girando apenas em torno de seu autofuncionamento. Verifica-se também que a capacidade humana de apresentar suas representações mentais se dá de maneira abrangente e variada, caracterizando bem as formas pelas quais ela se coloca acima da materialidade, formando conceitos em nível abstrato.

Sob este aspecto, há que se considerar a distinção entre sinais, sintomas, signos e símbolos. Os sinais antecipam os acontecimentos, como no caso de nuvens que preludiam as chuvas. Já os signos são sinais abstratos, como os números ou os sinais de trânsito. Os sintomas, por sua vez, indicam sinais antecipados de ocorrências previsíveis, como as dores.

Já os símbolos possuem características peculiares, como signos carregados de conotações sentimentais. Assim,  nos emocionamos com nossas bandeiras, nossos slogans, nossas imagens religiosas, nossos ícones, totens e tabus representativos. É necessário ressaltar que tais manifestações mentais não são produto de fantasia, por se constituírem como laços de interligação entre a realidade e nossa mente, entre o real e o imaginário, este concebido de forma transcendental.

Além disso, em biologia, é comum a distinção entre analogias e homologias, a primeira dizendo respeito às semelhanças biológicas que não possuem a mesma origem genética, sendo apenas resultados de uma adaptação.  Assim, são  análogas as semelhança entre as asas dos insetos, as asas das aves e as dos morcegos. Já a homologia diz respeito à aglutinação de diferentes órgãos, mas que possuem a mesma conformação genética, como ocorre quando dizemos aparelho digestivo, nos referindo à boca, faringe ou ao estômago.

Porém, há ainda as analogias e as homologias culturais, dentro das quais nosso espírito demonstra especiais habilidades. Assim, as analogias nos capacitam a estabelecer semelhanças entre coisas aparentemente diferentes, constituindo convenções linguísticas, como ocorre na palavra ‘cisne’, que pode se referir tanto ao animal como a uma constelação; ‘animal racional’, para definir o ser humano; ou a relação entre número e quantidade, etc.

Como ilações conceituais, as homologias culturais, produtos puramente simbólicos de nosso espírito, unem aspectos diferentes em sua essência, mas que nosso espírito as relacionam, vendo nelas estereótipos que lhes são afins. As homologias, dessa forma, são processos hermenêuticos simbólicos que atribuem relações afins entre aspectos aparentemente diferenciados, mas que podem ser identificados através dos simbolismos pressentidos. Dessa forma, torna-se possível, a partir de nossa criatividade mental, perceber fenômenos relacionais entre coisas aparentemente distintas, mas que nelas se encontram atribuídas similitudes funcionais.

Eis alguns exemplos:

-os comportamentos/clichês comuns nas diversas classes sociais:  pobres, médios ou ricos

-as ideias revestidas de interesses constituindo as ideologias

-a atribuição de autoconsciência ao Universo

-o número UM quando referido à Fonte Criadora

-os três universos: cósmico, quântico e virtual quando homólogos à manifestação de uma Trindade: o cosmos, como reino do Pai; o microcosmo quântico, peculiar ao reino do Filho e o mundo virtual da cultura, semelhante à ação do Espírito Santo.

-o sacrifício de Cristo como redenção da humanidade

-a política como inerente às práticas antiéticas

-a  retidão como intrínseca à virtude moral, etc.

Acadêmico Antonio Celso Mendes