MANIFESTAÇÕES DA ACADEMIA PARANAENSE DE LETRAS CONTRA AS OCUPAÇÕES DAS ESCOLAS DO PARANÁ

A manifestação unânime dos acadêmicos foi no sentido da reprovação do engajamento político de grupos estudantis na forma de ocupação indiscriminada de escolas, prejudicando dessa forma o normal funcionamento das aulas, causando prejuízo à sua própria formação. Merece destaque, contudo, a declaração proferida pelo acadêmico Renê Dotti, nos seguintes termos:

A INVASÃO E A PARALISAÇÃO DAS ESCOLAS PÚBLICAS COMO MEIOS DE OPRESSÃO À LIBERDADE DE ENSINO

A Academia Paranaense de Letras, associação civil de caráter cultural, sem fins lucrativos, fundada em 26 de setembro de 1936, tendo por finalidade o cultivo, a preservação, a valorização e a divulgação do vernáculo, em seus gêneros científico, histórico, literário e artístico, participando de iniciativas para o desenvolvimento cultural do Paraná e do Brasil, vem, publicamente, deplorar o abuso manifesto nas atividades de ocupação das escolas de nosso Estado. E também lamentar a ocorrência de prejuízos evidentes para o imenso número de professores e alunos que estão sendo impedidos de praticar as funções elementares de ensinar e aprender como aspectos fundamentais para o desenvolvimento da cidadania que é um dos fundamentos da República.

Induzidos por facções políticas e ideológicas de origem externa os estudantes são mantidos à frente das chamadas ocupações de prédios públicos, eufemismo que não esconde a realidade das invasões e seus graves danos materiais e morais. Tal movimento revela o fenômeno da anomia das convicções quando pretende se opor, pela força física, ao maior esclarecimento de assuntos fundamentais para o país.

Um grande número de jovens desinformados protestam contra a Medida Provisória nº 746 que institui uma reforma no ensino médio do país. E, ainda mais: opõe-se à Proposta de Emenda Constitucional nº 241, que limita os gastos públicos, como providência legislativa essencial para recuperar a fase de estabilidade econômica. Com efeito, a PEC – já aprovada pela Câmara dos Deputados em primeira discussão – estabelece que a partir de 2017 as despesas primárias da União fiquem limitadas ao que foi gasto no ano anterior corrigido pela inflação. Trata-se de iniciativa muito bem avaliada pela equipe econômica do governo federal, apoiada por órgãos, entidades e especialistas e de notável repercussão para a vida econômica e financeira nacional.

Em outra face do quadro de inquietação dos moços a revista Veja, de 28 de setembro, publica a reportagem de capa ““Reviravolta na Escola”, afirmando que o governo lança uma medida provisória para sepultar “o modelo falido do ensino médio e põe no lugar um sistema mais flexível e mais atraente para os estudantes”. (Edição nº 2497).

A opinião generalizada de autoridades e especialistas da área revela que o ensino médio brasileiro, público e particular, é engessado, ineficiente e desconectado do século XXI. Além disso, é profundamente ineficaz. Na lúcida e vigorosa crítica do economista Claudio de Moura Castro, articulista de Veja, o modelo nacional “é um dos piores do planeta”.

Uma das grandes vantagens da inadiável mudança favorece o ensino técnico. Atualmente, quem escolhe essa modalidade precisa finalizar os três anos do ciclo médio. Ao contrário, a Medida Provisória nº 746, permite que o ensino técnico poderá substituir disciplinas do médio naquela metade de tempo reservada à livre escolha do estudante. A proposta irá, racionalmente, orientar o aluno no mercado de trabalho, com características específicas que podem variar segundo as tendências pessoais e as possibilidades de emprego.

Em texto denominado “A reforma do ensino primárioRuy Barbosa (1849-1923) um dos mais notáveis homens públicos da história de nosso país, disse muito bem: “Uma reforma radical do ensino público é a primeira de todas as necessidades da pátria, amesquinhada pelo desprezo da cultura científica e pela insigne deseducação do povo”.

Lamentavelmente, porém, a esdrúxula ocupação das escolas está ameaçando até mesmo a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). De acordo com balanço recente do Ministério da Educação, 182 locais de prova no país estão ocupados por estudantes em protesto contra a PEC 241/2016 e a MP 746.

Em Curitiba, o tradicional Colégio Estadual do Paraná, construído em 1950 ao lado de outras relevantes obras do Governo do professor Bento Munhoz da Rocha Neto (1905-1973), foi alvo de um grosseiro e alienado ataque: em lugar da bandeira do Brasil, os jovens guiados pela ideologia de partidos políticos fascistas hastearam uma bandeira do regime comunista.

O episódio, pela pobreza intelectual e condicionamento ideológico, sugere a leitura da obra, “O fim do homem soviético: Um tempo de desencanto”, da escritora e jornalista, Svetlana Aleksievicth (1948 -), Prêmio Nobel de Literatura, 2015, que em determinada passagem nos diz: “Encontrei nas ruas jovens com a foice e o martelo e o retrato de Lenine nas camisetas. Saberão eles o que é o comunismo? ”

 

Mereceram destaque, igualmente, as manifestações de apoio ao texto acima, dos acadêmicos Eduardo Rocha Virmond e Nilson Monteiro, que enfatizaram a importância da APL em estar presente em momento tão crucial de nossa cultura.

Curitiba, 31 de Outubro de 2016

Chloris Casagrande Justen, Presidente da APL

OBSERVAÇÃO:

Manifestaram-se contrários  ao texto e/ou à posição da Academia Paranaense de Letras, os acadêmicos Paulo Venturelli,  Flávio Arns e Maria José Justino.

 

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