O projeto 290/13 do deputado Paranhos

Tive notícia do oferecimento do projeto n. 290/213, do deputado Leonardo Paranhos, da Assembleia Legislava do Estado, no sentido de fazer incluir, nos questionários de letras e literatura, dos vestibulares de acesso às instituições superiores de ensino do estado, uma indagação (pelo menos uma) sobre autores e obras dos membros da Academia Paranaense de Letras. Não tenho restrições ao projeto; pelo contrário, gostaria de ver multiplicado o efeito que pudesse produzir ou despertar em geral. E me explico: nossa Academia é de 1936, com 40 cadeiras todas elas preenchidas: uma aguardando posse. Sua fundação é homenagem que se presta à iniciativa de Ulysses Vieira. Ela reproduz o modelo da Academia Brasileira, que surgiu em 1897. Por sua vez, e, em geral, entre as que conhecem, todas elas se  moldaram na primeira que foi fundada: a Academia Francesa, criada pelo cardeal Richelieu em 1635, para vigiar e conter os arroubos dos seus intelectuais.  Também ela surgiu pobre, como  a nossa, com tamboretes para a nobreza e  prelados, enquanto os cortesões ficavam de pé.  Só depois Luis XIV doou 40 cadeiras, cujo assento ganhou consagração mundial. A nossa não tem teto, mas aguarda promessa do governo de dotá-la de sede própria e condigna. O processo está em trâmites. Infelizmente, porém, as Academias já não gozam do prestígio cultural e social de antigamente. Perderam sua representatividade e são acusadas de constituírem clube fechado, corporativo e frequentemente estéril. Há autores que dispensam suas láureas e creem que podem impor seu  mérito  sozinhos.  Flaubert, Stendhal, Baudelaire, e, mais recentemente, Proust e Gide, nunca pertenceram a nenhuma Academia. Assim, no Brasil, Constâncio Alves se recusou a figurar entre os seus fundadores. Sérgio Buarque de Holanda não aceitou o convite, como sucedeu com Alphonsus Guimarães e Oswaldo Aranha. Lobato só teve um único voto e não voltou mais. Igualmente tem ocorrido no Paraná, desfalcando nossa representatividade cultural. Foi o que aconteceu com Vicente de Carvalho. Convidado para a Academia Paulista, recusou: queria  merecer a Brasileira. Como o convite tardava, acabou aceitando o da casa; até que um dia alcançou o que  queria. Há casos mais graves ainda, como recentemente  com o médico Pedro Kasssab  eleito para a Academia, sem nunca ter escrito um livro. O mesmo se deu com Lauro Müller, que à ultima hora fez editar seus discursos, para cumprir a obrigação estatutária do livro. Porém, apesar dessas notas críticas, além do que é pior, o contragosto de hoje pelo livro, além da mundialização da informação e da cultura, a sociedade tem, em parte, conservado seu culto tradicional às academias, vistas como centro de convívio e vida cultural de uma sociedade, bastião de suas tradições e exemplo da linguagem culta. Na verdade o Paraná precisa reagir em favor dos seus valores nativos e das instituições que lhe são próprias. Precisa reinventar-se, como fazem os outros, para conquistar o destaque  que merece no concurso nacional.  Veja-se que dos 277 nomes de patronos e membros da Academia Brasileira de Letras só tivemos dois deles: Emílio de Menezes e Rocha Pombo, ambos eleitos in articulo mortis, e não tiveram posse solene.  Morreram antes. Durante os 124 anos de vida republicana do  Supremo Tribunal Federal o Paraná só teve um único representante: Ubaldino do Amaral Fontana, filho da Lapa, ainda do tempo da Província de São Paulo. Mas Ubaldino só exerceu a suprema judicatura durante 1 ano e 5 meses. Aposentou-se e foi para administração nacional. Chegou a árbitro na Corte de Haia. Apesar de nossa riqueza e nosso numeroso contingente populacional, nunca merecemos   destaque na vida política nacional, nem relevo na arte literária. O sábio Metry Bacila demonstrou que no início do século XX chegamos a alcançar posição de destaque na atividade das letras, frente ao país; índice cultural que mais recentemente decaiu para o 18º lugar; um dos 5 últimos da Federação. Certamente precisamos reagir e promover nosso patrimônio cultural que é rico e até se sobrepõe a muitos outros. Foi esse paranismo que animou a obra e a pregação de Romário Martins. Depois dele não se ouviu mais falar nisso. Vamos voltar abrir caminhos. Qualquer deles, pois são tantos.  Prestígio e liderança não são sós dons do Além;  são mais produto de força e persistência. Você acredita nisso? Então vamos…

Rui Cavallin Pinto

Luís Guilherme Bergamini Mendes, administrador do site da APL, é Engenheiro de Computação formado pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Mantém o site da APL desde 2001.

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