OS ÁTOMOS, PARECE QUE SÃO VIRTUAIS

Contrariamente ao idealismo popular, que apregoa a virtude dos nobres ideais, o idealismo filosófico defende o primado das ideias na conformação da realidade, como propôs PLATÃO desde o século IV a.C. ou mesmo DESCARTES, já no início da era moderna (cogito, ergo sum!). Posteriormente, o sacerdote irlandês Jorge BERKELEY (1685-1753) nos deixou a expressão célebre ser é perceber ou ser percebido, ou seja, o primado é da consciência  sobre tudo que aparece.

PLATÃO, como se verifica pela história, foi o primeiro a defender o  primado das ideias (formas) na constituição de nossa sensibilidade, como um sol a iluminar nossa inteligência, alcançando assim a essência das coisas. RAFAEL,  pretendendo significar o que isso queria dizer, em sua pintura na Capela Sistina “A Escola de Atenas”, colocou Platão com seu dedo voltado para cima, contrariamente a Aristóteles, que foi colocado com o seu voltado para baixo, assinalando assim o aspecto transcendente  que o idealismo nos sugere.

Ora, é um dado aparentemente evidente, que tudo o que conhecemos, depende, em última análise, de nossa conformação mental, sem a qual não teria sido possível estruturar nosso saber, toda a nossa ciência. Este é um princípio antrópico que parece fundamentar toda a estrutura do Universo, que tem caminhado, por milênios, no esforço de concretizar  cada vez mais, o primado do Espírito sobre as contingências da matéria, ela mesma a serviço dessa espiritualidade (sic).

Não obstante, as coisas existem mesmo que eu não as perceba? Sim e não, pois elas se tornam reais para mim, apenas depois que eu as tenha percebido. Tal problema se tornou crucial agora, com as pesquisas no campo da mecânica quântica, constituindo um enigma de complexa solução. Acontece que os cientistas, em suas pesquisas em torno dos átomos, verificaram que eles se comportam como que dependentes de nossas hipóteses, atuando sempre de acordo com o que foi proposto investigar (enigma do condicionamento).

O mundo quântico, que faz aparecer os átomos ora como ondas ou partículas, seriam  reações normais do microcosmo em função das experiências colocadas, o que faz a mecânica quântica ficar subordinada às iniciativas dos instrumentos elencados, tornando o fenômeno completamente dependente da maneira de pesquisá-los. O mesmo ocorre com o princípio da incerteza, de HEISENBERG e DIRAC, segundo os quais não é possível determinar simultaneamente a posição e a velocidade de um átomo, sendo possível apenas a verificação  de um dos aspectos. Não obstante, isso não seria um efeito da alternância do átomo ora como partícula (posição) ou ora como onda (velocidade), aparentemente excludentes?

Dessa forma, são imensas as limitações que os cientistas verificam, quando se trata de investigar teoricamente o microcosmo, principalmente quando colocado em suas relações com o macrocosmo, como no caso do estudo do espaço ou da gravidade (quântica), mesmo tendo obtido resultados espetaculares em seus resultados eletrônicos, como sejam a radioatividade, os computadores, a internet, os celulares, as micro-ondas, as ressonâncias magnéticas, que têm alterado profundamente a vida atual das pessoas.

O acolhimento de nossa consciência como ínsita nas investigações, não obstante, tem encontrado sérias resistências dos cientistas ortodoxos, que relutam em aceitar a possível prioridade da consciência na formulação das teorias concernentes, uma aberração subjetiva na pretensa  objetividade da ciência.

Acadêmico Antonio Celso Mendes

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