Ata de posse de Guido Viaro

Às 19,30 horas, do dia 4 de abril do ano de dois mil e treze, cumprindo o programa oficial, reuniram-se os membros da Academia Paranaense de Letras, no auditório do Centro de Capacitação da Secretaria Municipal de Educação, sito na Rua Dr. Faivre, 398, sob a presidência da confreira Chloris Casagrande Justem, para a cerimônia de posse do acadêmico Guido Viaro, na cadeira n. 14 deste sodalício, contando com a presença de familiares, amigos e admiradores. Dando início aos trabalhos foi composta a mesa e a presidente designou a acadêmica Adélia Woellner para proceder à chamada dos acadêmicos. A seguir a presidente agradeceu a presença de todos e os convidou a ouvir o Hino Nacional. Prosseguindo a presidente justificou a razão da solenidade, exaltando o papel cultural das Academias, iguais a nossa, fundada em 1936, sob o modelo da Academia Francesa de 1635, e da Academia Brasileira, fundada sete anos depois da República, com o compromisso de conservar e promover a cultura e a literatura nacionais, através dos valores mais representativos da nossa cultura, na sua múltipla diversidade. Dando seguimento, os colegas Ernani Straube, René Dotti e Paulo Vítola foram designados para introduzir no plenário o recipiendário Guido Viaro, o que fizeram, sob forte manifestação de aplauso. Assim, posto diante da mesa diretora, eu, secretário, fui incumbido de ler o termo de posse, pelo qual foi conferido a Guido Viaro o título perpétuo de membro efetivo desta Academia, como ocupante da cadeira n. 14, com as prerrogativas inerentes a seus estatutos, que o novel acadêmico aceitou e prometeu cumprir, assinando o diploma respectivo, em conjunto com a presidente. Ato contínuo a presidente pediu à sra. Vânia Schussel Viaro que, como mãe, vestisse a pelerine em seu filho, o que fez, sob aplauso gerais e os cumprimentos da mesa. Seguindo o ritual, o novel acadêmico foi levado a se acomodar junto aos colegas. Após, lido o credo acadêmico, confirmado pelos acadêmicos, a palavra foi conferida ao acadêmico Ário Taborda Dergint, para a saudação. Ocupando a tribuna, o orador saudou os presentes e agradeceu a honra de ser distinguido para recepcionar o novo acadêmico, jovem ainda, o que traz à solenidade um sentido positivo de renovação. Fez relação e breve avaliação de sua obra, como autor de 11 romances, nos quais identificou “temas realmente profundos e consistente desenvolvimento literário”. Atribui ao ambiente familiar de sua criação, os elementos principais de sua formação artística e cultural, e ao professor Venturelli, hoje seu colega, o pendor por temas filosóficos e culturais, que iriam pautar seu futuro. Fez viagens pelo mundo e trouxe experiências inesquecíveis. Fez filmes, e teve um deles premiado pelo Festival de Cinema de Brasília.É poliglota e dirige o Museu Guido Viaro, além de outras tantas atividades que desempenha no plano artístico e literário, mereceu, por fim, as congratulações orador e votos de que encontre, efetivamente, na Academia estímulo para outras tantas produções próprias do seu espírito inquieto e criador. Por fim, confiada a palavra ao novel acadêmico, este, depois da saudação, construiu um quadro alegórico de um viajante que, nas primeiras décadas do século, chega sozinho e à noite, na estação ferroviária de Curitiba. Noite de inverno, em que a cidade se mostrava silenciosa e envolvida por uma grossa névoa. O cenário era de sombras e vultos fugidios, entre os quais ele distinguiu o de um homem sentado num sofá exibindo uma taça de licor vermelho. Tinha rugas ao redor da boca, mas a pele era toda lisa e ele consultava um relógio tirado do colete. O viajante seguiu andando. Pensou em viajar para outro destino, mas acabou alcançando a Praça Tiradentes, onde viu um relógio de sol e quatro homens se aproximaram dele e o trataram como velhos amigos. Logo se identificaram como o Marechal Bormann, Dídio da Costa, Júlio Moreira e Veiga Lopes, quatro célebres historiadores, todos seus antecessores, com quem o viajante percorreu as ruas da cidade, ouvindo as recomendações dos seus livros sobre a cidade e a história do Paraná. Assim, através desta alegoria o novo acadêmico disse prestar sua homenagem a todos os colegas que o antecederam. Por fim, em palavras finais, se identificou com a pessoa do viajante, que é também a imagem de todos nós, dos que vivem a aventura humana e guardam na retina as lembranças de sua presença no mundo. Homenageou seu avô Guido e revelou o segredo de amor que o reteve em Curitiba, para, em saudação final, homenagear todos aqueles que, hoje ou amanhã, pagando o preço da imortalidade, se proponham a deixar na superfície do mundo os riscos de suas poucas certezas e imensas dúvidas. Encerrando a sessão, a presidente agradeceu a presença de todos, e convidou-os para o coquetel que, em seguida, foi servido numa das dependências do local.

CHORIS CASAGRANDE JUSTEN – Presidente
RUI CAVALLIN PINTO – Secretário Geral

Luís Guilherme Bergamini Mendes, administrador do site da APL, é Engenheiro de Computação formado pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Mantém o site da APL desde 2001.

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