AMERÍNDIOS E BRASILÍNDIOS

A teoria corrente é a de que, no que tange à origem, o homem americano é um só (e isso inclui o índio brasileiro). Não é originário do nosso continente, proveio da África, onde surgiu há 100 ou 200 mil anos atrás, e de onde saíram os primeiros grupos humano com destino a outras regiões e continentes, e, numa etapa final, alcançaram a América.

Duas teorias principais procuram explicar a presença humana entre nós: a teoria de Bering e a transoceânica.

Pela teoria de Bering, nossos primeiros humanos, eram povos caçadores da Sibéria oriental, que, durante a última glaciação (por volta de 50 ou 12 mil anos atrás?), deixaram seu território e migraram a pé para o extremo noroeste da América do Norte, que alcançaram  atravessando o estreito de Bering,  o istmo que liga os dois continentes numa distância de cerca de 100 quilômetros,  aproveitando a ocasião de maior resistência da massa de gelo polar do   período, que coincidia com  a elevação da temperatura da terra e o rebaixamento do nível dos mares. (150 metros).

Porém a migração pelo estreito de Bering não foi o único roteiro seguido pelo homo sapiens para alcançar as Américas, porque embora adotado como hipótese principal, não exclui a hipótese de que outros povos tenham percorrido diferentes caminhos para alcançar o continente americano, como supõe a teoria linguística e multicultural de Paulo Rivet. Para ele, além de Bering, tribos da malásia-polinésia e, posteriormente, aborígenes australianos, partindo de distintos lugares de origem, alcançaram diferentes destinos, no centro e Sul da América, navegando pelo Pacífico, fazendo escalas de ilha em ilha, na condução de toscas embarcações.

A tese de Rivet ainda inclui a corrente uraliana, que supõe que esses primeiros americanos seriam uralianos, grupos provindos dos montes Urais, através do oceano Ártico.

Alcançada a América, esses grupos nômades se dispersaram pelo continente em ondas sucessivas, tomando diferentes caminhos para o centro e o sul da América.

Estima-se que antes da chegada dos colonizadores, havia cerca de 4 ou 5 milhões de índios em terras brasileiras, número esse depois reduzido drasticamente pela febre e doenças trazidas pelos colonizadores, com grande prejuízo demográfico. A presença de cavernas e sambaquis atesta a remota antiguidade dessa população.

Quanto ao Paraná, estimasse que a população pré-cabraliana era densa e ultrapassava 400 mil indígenas. Foi primitivamente composta por três etnias de âmbito nacional: a dos Guarani, dos Kaingang e Xetá, com base em distintos troncos linguísticos.

A população guarani se distribuía por todo o litoral sul do Brasil, entre Cananéia e o Rio Grande do Sul e, no Paraná, ocupavam as florestas subtropicais do planalto, até o rio Paraná, a oeste. Na sua maior extensão alcançava ainda os territórios vizinhos do Paraguai, da Argentina e Uruguai.  Apesar dessa dispersão e da distância das aldeias a guarani têm revelado, porém, fortes traços de identidade comum, através da conservação da língua e de suas tradições culturais.

Hoje são pouco mais de 3200 deles que vivem aldeados em terras de reserva indígena. Mantinham roças de subsistência e a criação de animais domésticos. Produziam trabalhos de cerâmica decorada e recipientes de argila. Fabricavam cestas de fibra e fiavam algodão, tecendo redes. Introduziram o hábito do uso da erva-mate e o preparo da alimentação, com o consumo da mandioca, do milho e do pinhão, além do preparo de mingaus, canjicas e pamonhas.

A língua portuguesa se serviu de vocábulos aborígenes para a designação de frutas, vegetais e animais nativos.  Foram adotadas denominações de origem guarani na linguagem comum e na toponímia dos acidentes naturais da terra, como rios e ainda vilas, cidades e logradouros do estado, A própria denominação do Estado do Paraná, sua capital Curitiba e os rios principais, como o Paranapanema, Iguaçu ou o Tibagi.  Com a integração do índio nos séculos seguintes, ele se incorporou como mão de obra servil, principalmente nas atividades da pecuária.

Os kaingangue, da família da língua Jê, são, atualmente, um dos povos indígenas mais numerosos do país ocupando a região sudeste, entre a zona do Tietê (SP) e o rio Ijuí (RS). Na literatura da língua portuguesa o grupo era conhecido como xocleng. Atualmente o Paraná conta com cerca de 10 mil kaingang.

Viviam disseminados pelos campos de Palmas e Guarapuava, à margem dos rios e nas florestas de pinheiros, e se alimentavam da caça, pesca e da coleta de pinhões. Fabricavam armas de guerra e caça, faziam tecidos de fibra, cestos de taquara, enfeites, adornos e utensílios de cerâmica.

Na costa do Paraná viviam os carijós ou guaranis do litoral, como parte da grande família tupi-guarani que povoava o litoral norte e o sul do Brasil.

Por fim, apesar do intenso processo de transformação do paranaense e sua submissão a uma ampla fusão de diferentes etnias, a presença do silvícola deixou também fortes raízes na representação física da população e na composição da sociedade paranaense, em todos os seus níveis sociais.

Acadêmicos Rui Cavallin Pinto

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