Emoção imortal

O artigo a seguir foi publicado na revista FECOMÉRCIO PR, com texto escrito por Ernani Buchmann e fotos por Shigueo Murakami e Nilson Santana.

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Os acadêmicos começam a chegar, trazendo nos braços sua pelerine, o manto sem mangas que nas sessões solenes cobre os ombros de quem faz parte da academia Paranaense de Letras (APL). Alguns também trazem espetado na lapela o pin da APL. Agruparam-se junto às duas primeiras filas, reservadas a eles e seus familiares. Tratam de vestir o manto, trocam ideias. Os convidados consultam com os olhos os lugares disponíveis na plateia. Aumenta o burburinho, a procura por uma poltrona. Quando a última das autoridades esperadas desce do elevador no sétimo andar no edifício da Fecomércio, o mestre de cerimônias pede a todos que tomassem assento, para anunciar quem iria compor a mesa diretora dos trabalhos. Lá se sentam a presidente da Academia, Chloris Casagrande Justen; o ex-presidente, Eduardo Rocha Virmond; o vice-governador e secretário de Educação, Flávio Arns; o secretário de Indústria e Comércio e assuntos do Mercosul, Ricardo Barros; o secretário do trabalho, Emprego e Economia Solidária, Luiz cláudio Romanelli; o presidente da câmara Municipal, Paulo Salamuni; o reitor da Universidade Federal do Paraná, Zaki Akel Sobrinho; e o presidente do Sistema Ocepar e do conselho Deliberativo do Sebrae, João Paulo Koslovski. A presidente abre os trabalhos, pede a execução do Hino Nacional. Depois de ouvirmos que “um filho teu não foge à luta”, vamos à entronização. O ex-presidente Virmond apresenta as qualificações de Darci Piana, antes da designação dos acadêmicos Antônio Celso Mendes e Carlos Antunes para buscá-lo na antessala. A plateia o recebe em pé, sob aplausos. A presidente desce da mesa principal para que ambos assinem, na mesa da secretaria, o termo de Posse e o Diploma, que o designa, em caráter perpétuo, membro da Academia Paranaense de Letras. D. Maria José, a filha Patrícia e o genro Joaquin são chamados para que lhe imponham a pelerine. A esposa capricha no laço dourado. Darci Piana é convidado a sentar-se entre seus iguais. Agora ele é um dos nossos. Um dos imortais da academia, como se convencionou chamar, porque sua designação não se extingue com o falecimento. As academias de letras tem por modelo a academia Francesa. Suas 40 cadeiras reúnem a expressão máxima da atividade intelectual. A academia acolhe quem se destaca na literatura e na poesia, nas letras científicas, na História e na filosofia, na ciência política, na ciência do escrever cotidiano – que é o jornalismo, claro – e na preservação dos valores culturais do estado. Ou do país, no caso da Academia Brasileira.

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Sou chamado para o discurso de saudação ao novo acadêmico. A escolha de quem vai saudá-lo é ato de vontade do empossado. Agradeço a deferência, procuro traçar um perfil do amigo Darci Piana, a quem conheço desde 1985. Recrio a trilha que o levou de carazinho a Palmas, depois o trouxe do Sudoeste para Curitiba. Também escoro o texto em informações que o jornalista Aroldo Murá publicou no volume 4 da série Vozes do Paraná, com a biografia de Piana. E, ao terminar, entrego ao homenageado a versão lida do discurso, autografada conforme pedido dele. Chegamos ao grande momento. Darci vai ao púlpito, lê com voz embargada. Não resiste ao mencionar o filho Eduardo, “uma saudade que não passa”. Faz uma pausa, procura recompor-se. É aplaudido. Segue fazendo um panorama de sua vida, a separação do convívio com os pais a partir dos 12 anos, a “adoção” pela família Giotto (dois de seus irmãos adotivos, Wilson e Walmor, estão presentes), a chegada a Curitiba, os cargos que exerceu. Emociona-se ainda outra vez, ao citar a família.
Em seguida, passa à parte protocolar da fala, o elogio de rigor aos antecessores na cadeira, estabelecido pelo regimento da academia. Demora-se mais na citação a Leonilda Justus, a poetisa ponta-grossense a quem sucede. E encerra com o compromisso de honrar a cadeira que agora ocupa como os demais honraram. Sobem os aplausos. Ele recebe o beijo da mulher, da filha, o abraço do genro. Posa para a fotografia tradicional com seus confrades. Darci Piana está radiante. Agora ele ocupa a cadeira nº 29 da Academia Paranaense de Letras, que tem como patrono Leônidas Barros, fundador adolpho Werneck de Capistrano, e como ocupantes anteriores Alcindo Lima, Coelho Júnior, Ladislau Romanowski e Leonilda Justus. o presidente do Sistema Fecomércio Sesc Senac Paraná acaba de assumir a imortalidade.

Luís Guilherme Bergamini Mendes, administrador do site da APL, é Engenheiro de Computação formado pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Mantém o site da APL desde 2001.

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