Presente histórico

O artigo a seguir, escrito pelo Dr. Belmiro Valverde Jobim Castor, professor do doutorado em Administração da PUCPR,  foi publicado na Gazeta do Povo no dia 4/11/12.

O próximo dia 19 de dezembro tem um significado especial: no mesmo dia em que estaremos comemorando o 159.º aniversário da instalação da Província do Paraná, celebraremos também o centenário da nossa querida Universidade Federal. O governador Beto Richa e o reitor Zaki Akel têm a oportunidade de oferecer a ela um presente histórico, especialíssimo, duradouro, incomparável: basta que ponham fim à interminável discussão que se arrasta nos meandros do governo estadual e da universidade sobre a criação do Museu Geológico e Paleontológico do Parque de Vila Velha, concebido pelo professor João José Bigarella.

Bigarella é um geólogo e paleontólogo conhecido e respeitado em todo o mundo, e talvez seja o único professor da nossa UFPR a ter lecionado e trabalhado em quatro continentes. Com quase 90 anos, ainda demonstra enorme energia e fez da criação de um museu no Parque de Vila Velha uma verdadeira obsessão. Depois de visitar e conhecer mais de 400 museus no mundo todo, idealizou-o como um instrumento de aprendizagem a respeito da evolução na natureza e do ser humano ao longo de milhões de anos. Com os parcos auxílios que a fundação que leva seu nome recebeu, providenciou a elaboração de todos os projetos museológicos e executivos. Agora, humildemente, vê o futuro museu percorrer a Via Dolorosa das discussões intermináveis, engolfado em dificuldades insuspeitadas e incompreensíveis.

Em primeiro lugar, a Fundação Bigarella, que foi autorizada a captar quase R$ 4 milhões pela Lei Rouanet para investir nele sem qualquer retorno que não seja a simples criação desse espaço público, não pode fazê-lo porque não tem qualquer documento que legitime sua participação em um projeto dentro de uma área pública e, mais ainda, em uma área de conservação permanente. Um prédio construído pelo governo estadual para abrigar o museu está pronto, mas técnicos do estado divergem a respeito da adequação do prédio para esse fim e alguns cogitam até demoli-lo por causa de defeitos de construção, embora estes estejam longe de ser insanáveis.

Aí vem o problema da gestão do futuro espaço. Quem melhor que uma universidade pública de peso para gerir o novo museu, um instrumento versátil de aprendizagem coletiva e de expansão de nosso conhecimento histórico? Pois é: a UFPR foi consultada, mas também se enreda em dificuldades internas não bem explicadas e, assim, o assunto não progride.

Independentemente de todas as eventuais dificuldades burocráticas, a criação do Museu Geológico e Palenteológico de Vila Velha é uma contribuição gigantesca para reafirmar a importância acadêmica e social da universidade no ano de seu centenário. E a participação do governo do estado em sua concretização será um presente histórico da sociedade paranaense à sua universidade.

Projetos duradouros são cada vez mais raros e o museu é um deles. E, se o governador e o reitor resolverem colocar o peso de suas canetas para transformá-los em realidade, poderemos comemorar condignamente o 19 de dezembro. Só depende deles, de mais ninguém.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/conteudo.phtml?id=1314874&tit=Presente-historico

Luís Guilherme Bergamini Mendes, administrador do site da APL, é Engenheiro de Computação formado pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Mantém o site da APL desde 2001.

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