História do Paraná – Aula 2

Motivação inicial: A importância da Igreja no início da colonização.

A ocupação do território paranaense (Séc XVI e XVII)

O Tratado de Tordesilhas destinava todo o território oeste do Paraná ao domínio espanhol, o que provocou a tentativa de ocupação daquela área utilizando o quadrilátero fluvial formado pelos rios Paranapanema, Paraná, Tibagi e Iguaçu.

As primeiras iniciativas de colonização vieram das autoridades paraguaias, que com isso pretendiam dominar os indígenas ali encontrados, principalmente da tribo tupi-guarani, cujo número era bastante elevado (200 mil, aproximadamente); igualmente, deter as penetrações portuguesas para o oeste, à procura de minérios; finalmente, conseguir um caminho até o mar, a leste, até Paranaguá.

Com tais propósitos, o governo do Paraguai enviou 80 homens em armas para constituir um povoado às margens do rio Paraná, que se chamou Vila de Ontiveros, não muito distante da foz do rio Ivaí, que passou a contar com um grande número de índios escravizados. Outras vilas foram criadas, ficando famosa a Vila Rica do Espírito Santo, às margens do rio Ivaí, que possuía grande quantidade de cristais de rocha. Era o ano de 1579, cujo nome regional era Província de Vera ou do Guairá.

Os conquistadores espanhóis eram chamados adelantados, e deveriam, por recomendação do governo, conquistar os índios com moderação, catequizá-los, e ensinar-lhes um ofício. O produto do trabalho indígena eram as encomiendas, que, pela ganância dos líderes locais, levou os indígenas à condição de escravos. O resultado foi a substituição dos adelantados por padres jesuítas, que fundaram as reduções.

Estas eram a sede do convívio e trabalho sistemático dos padres na companhia dos índios, abandonando uma prática inicial de peregrinação periódica aos adelantados espanhóis, de poucos efeitos catequéticos. Alí, o trabalho e a catequese eram os esforços permanentes dos padres para converter os índios ao cristianismo. Com o passar do tempo, houve o esvaziamento das povoações espanholas, que posteriormente acabaram por serem destruídas pelos bandeirantes paulistas.

As primeiras reduções jesuíticas  ocorreram à margem esquerda do rio Paranapanema e rio Pirapó, tendo sido chamas de Nossa Senhora de Loreto e Santo Inácio de Mini. O sucesso dessas reduções foi enorme, o que incentivou a criação de outras reduções às margens dos rios Ivaí, Tibagi e Iguaçu.

As reduções, dirigidas por missionários, não quebrou a hierarquia de organização das tribos, nas quais os espanhóis já haviam estabelecido as funções de capitão, alcaide, alferes, regedor , assumidos pelos índios. O resultado do trabalho era sempre coletivo, recebendo cada família a ração necessária à sua sobrevivência. Os impostos eram pagos à coroa espanhola, com os recursos obtidos pela venda periódica das colheitas. Assim, não havia circulação de moeda entre os índios.

Disposição arquitetônica das reduções

A construção principal na redução era a igreja, ao lado ou no fundo da qual ficava o cemitério. As casas eram construídas de forma a formarem quadras, com passarelas cobertas para proteção atmosférica.

Pela manhã, todos acorriam à igreja, para a missa e orações. Em seguida, as crianças iam para a escola e os adultos para suas tarefas de trabalho. À tarde ocorriam as celebrações vespertinas, e aos domingos e dias santos, considerados sagrados, eram motivo de festas especiais.

A ciumeira dos paulistas

O sucesso obtido pelas reduções gerou temores em São Paulo, que temia uma incursão dos espanhóis para leste. Igualmente, a muito desejavam conquistar indígenas como escravos, para trabalhar em suas fazendas do interior.

O fato de o Brasil encontrar-se sob domínio espanhol, de 1580 a 1640, não impediu que os portugueses procurassem impedir a expansão espanhola ao sul do rio Paranapanema, e, em 1628 fizeram Raposo Tavares partir para o sul, com 900 brancos e 3.000 índios. Atingindo as reduções a oeste e centro dos Campos Gerais, acabaram por destruir a tiros as reduções, com os padres jesuítas em fuga, bem como os índios cristianizados. Em 1629, Raposo Tavares retornou a São Paulo, com 20.000 índios escravizados. Posteriormente, em 1632, foi eleito Presidente da Câmara e, posteriormente, Ouvidor Geral da Capitania.

A destruição de Vila Rica

Com o sucesso dos mamelucos (bandeirantes paulistas), a região espanhola do Guairá entrou em declínio. Assim, em 1674, o bandeirante Francisco Pedroso Xavier para lá se dirigiu, com a finalidade de recolher os bens ainda existentes; argumentando que a região pertencia a Portugal, convenceu os espanhóis a cederem a posse da vila e, a partir de então, estes se retiraram para o Paraguai.

Das treze reduções já organizadas, os mamelucos destruíram onze, com exceto as de Loreto e Santo Inácio Mini. Seus missionários foram transladados para o sul do Brasil.

Como conclusão, constatamos que ocorreu o fracasso da ocupação espanhola em território paranaense; os Tratados de Madrid e Santo Ildefonso reconheceram o domínio português sobre o território; ocorreu posteriormente o abandono progressivo daquela extensa área.

Material escrito por Antônio Celso Mendes, da cadeira 34, baseado no livro de Ruy Christovam Wachowicz

Luís Guilherme Bergamini Mendes, administrador do site da APL, é Engenheiro de Computação formado pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Mantém o site da APL desde 2001.

Publicado em História do Paraná