História do Paraná – Aula 14

A ocupação do sudoeste do Paraná

Motivação inicial: O Paraná quase perdeu o sudoeste para os argentinos.

Pelo Tratado de Santo Ildefonso (1777), as fronteiras brasileiras na região sul foram fixadas no rio Uruguai, rio Paraná e trecho do rio Iguaçu. Não obstante, a existência de vasta área indefinida entre os rios Peperi-Guaçu e Santo Antonio, afluentes respectivamente dos rios Uruguai e Iguaçu, conduziu o governo argentino a interpretar, de forma própria, como tendo soberania sobre a região, o que fez surgir a chamada Questão de Palmas (1888).

O abritramento

Um acordo bilateral entre o Brasil e a Argentina escolheu o presidente norte-americano Grover S. Cleveland como árbitro, que acabou por considerar o Brasil como único detentor da área em disputa, com base no uti possidetis, ou princípio da ocupação efetiva da área, pela presença de população, que desde 1839, vinha expandindo sua presença na área. A solução encontrada foi também facilitada pelos mapas do Tratado de Madrid (1750), apresentados pelo Barão do Rio Branco, que reconheciam os rios disputados mais próximos do Brasil do que da Argentina.

A ocupação econômica

Contando com a cooperação indígena, os fazendeiros da região, a partir de 1839, iniciaram o desbravamento, com a construção de novos caminhos, os do sul denominados Caminhos das Missões, uma importante variante para a estrada tradicional dos tropeiros, de Viamão a Sorocaba. A ligação de Palmas a Curitiba passava por União da Vitória, Palmeira e Ponta Grossa.

Contando com o transporte via navegação pelo rio Uruguai, pôde a erva-mate ser cultivada e exportada em larga escala para o sul do continente. No início do século XX, com a intensificação da produção da erva-mate, aumentou também o contrabando da mesma para a Argentina, via região de Barracão. Junto com o mate, os tropeiros levavam café, açúcar, ferramentas, aguardente. No retorno, traziam farinha de trigo, sabão, roupas de lã, querosene, etc.

Origem de Pato Branco

Com o fim do conflito do Contestado, em 1916, o Paraná perdeu para Santa Catarina, toda a extensão do oeste, hoje catarinense. Como muitos colonos paranaenses não desejavam permanecer naqueles rincões, criaram, em 1918, a Colônia Bom Retiro, no local da fazenda do mesmo nome, e que mais tarde veio a se chamar Pato Branco.

Contudo, entre 1918 e 1920, o Paraná teve que transferir grande parte de suas terras do sudoeste para a multinacional norte americanaBrasil Railway Co, como forma de pagamento e indenização pela construção das ferrovias São Paulo-Rio Grande, bem como do trecho Guarapuava-Ponta Grossa.

O sistema de aquisição das terras

No início do século XX, as grandes fazendas da região foram sendo subdivididas por seus herdeiros, que por sua vez, transferiam a posse aos novos adquirentes mediante um simples recibo de papel.  Tal sistema colocou os posseiros em condição de precariedade, sendo muitos deles alijados do terreno, ou por preço vil, ou à força mesmo.

O desenvolvimento da suino-cultura

Desenvolvida pelos produtores locais, sem terem condições de transporte, a criação de suínos era vendida em sistema de safras, que então eram transferidas pelos safristas, a pé, aos locais de comercialização. Em seguida, já na segunda década do século XX, com a construção da estrada de ferro São Paulo-Rio Grande, a situação se modificou e favoreceu bastante a produção, o comércio  e o transporte de porcos,  entremeando-se com a produção da erva-mate.

Material escrito por Antônio Celso Mendes, da cadeira 34, baseado no livro de Ruy Christovam Wachowicz

Luís Guilherme Bergamini Mendes, administrador do site da APL, é Engenheiro de Computação formado pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Mantém o site da APL desde 2001.

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