História do Paraná – Aula 3

Motivação inicial: A importância do mar no início a colonização.

Povoamento do Litoral

Tendo o rei de Portugal, em 1534, dividido o território brasileiro em capitanias hereditárias, as regiões sudeste e sul do Brasil foram aquinhoadas com 4 capitanias, sendo duas setentrionais, abrangendo hoje o estado do Rio de Janeiro e parte de São Paulo; as outras duas, mais ao sul, abrangia o território português até o fim da linha de Tordesilhas (Laguna).

Tais capitanias foram doadas aos irmãos Martin Afonso de Souza (a do sudeste) e a Pero Lopes de Souza, a do sul, que posteriormente receberam os nomes respectivos de São Vicente e Santo Amaro e cuja delimitação era bastante confusa. As vilas de Santos e Paranaguá pertenciam, portanto, ao domínio de Pero Lopes, que delas nunca se interessou. A vila de Nª Sra da Luz dos Pinhais (Curitiba), pertencia ao domínio espanhol.

A fundação de Paranaguá

O primeiro proprietário de terras na região foi Diogo de Unhate, que em 1614 requereu e obteve uma sesmaria, localizada entre os rios Ararapira e Superagui. A região, não obstante, desde 1554, já era frequentada por indivíduos interessados em escravizar ou negociar com os índios. A penetração portuguesa em Paranaguá foi retardada pelos conflitos entre o espanhol Rui MOsquera e a Capitania de São Vicente., que derrotado teve que se homiziar em Santa Catarina.

Foi só com a notícia da existência de ouro nos ribeirinhos da região é que as pessoas começaram a se fixar no litoral, no início do século XVII, dentre estes o espanhol Peneda que aliando-se ao jovem Gabriel de Lara, fundaram um povoado na ilha de Cotinga, protegendo-se assim do ataque dos índios carijós.Transferiram-se posteriormente para a margem esquerda do rio Taquaré, e em 6 de janeiro de 1646 levantaram o pelourinho e fizeram eleições para a Câmara Municipal, tendo sido Gabriel de Lara nomeado capitão fundador e colonizador, pelo Governador do Rio de Janeiro.

Lutas pela posse de terras

A posse da Capitania de São Vicente, com suas 80 léguas ao sul, foi, com a extinção dos herdeiros de Pero Lopes, reivindicada pelo Conde de Monsanto, que em 1624 obteve o reconhecimento como dono da Capitania, o que forçou a Condessa de Vimieiro a criar uma nova capitania, sob o nome de Nossa Senhora da Conçeição de Itanhaém, com jurisdição até 100 léguas ao litoral sul.

Mais tarde, Dom Luís Carneiro, Conde da ilha do Príncipe, tendo se casado com uma Vimieiro, tornou-se dono da Capitania de Itanhaém e nomeou Diogo Vaz Escobar para tomar posse da vila de Paranaguá, aliando-se a Gabriel de Lara. Diogo Vaz Escobar foi um bom administrador de Paranaguá, demarcou divisas, nomeou um pároco, construiu uma cadeia.

Em 1656, o Conde Monsanto, agora com o título de Marquês de Cascais, temeroso da expansão da Capitania de Itanhaém, criou em 1656 a Capitania de Nª Sra.do Rosário de Paranaguá, tendo como governador Gabriel de Lara. Não obstante, o Conde da ilha do Príncipe continuou a fazer pressão sobre o domínio da região de Cananéia, Iguape e Paranaguá, enviando Simão Dias de Moura para tomar posse em nome do Conde, ordenando a ocupação da baia de Guaratuba e criou a freguesia de Nossa Senhora da Luz e Bom Jesus do Perdão de Pinhais (Curitiba).

Em 1659, o último episódio marcante da história de Paranaguá refere-se à tentativa de recrutamento de índios carijós para lutar na invasão da Bahia pelos holandeses, que foi bravamente oposta por Gabriel de Lara. Isto fez aumentar o prestígio de Gabriel de Lara, que foi assim confirmado pelo governador do Rio de Janeiro, Salvador Correa de Sá e Benevides como legítimo representante do marquês de Cascais, contra as pretensões do Conde da Ilha do Príncipe.

A capitania de Paranaguá resistiu até 1709, quando foi comprada pela coroa portuguesa, passando então a fazer parte da Capitania de São Paulo  Em 1723, com a chegada do Ouvidor Pardinho, foi criada a Ouvidoria de Paranaguá, com jurisdição até o Rio da Prata.

Antonina

Foi colonizada a partir de meados do século XVII, com a doação de três sesmarias, resoectivamente a Antônio de Leão, Pedro de Uzeda e Manuel Duarte.; porém, a povoação só teve início em 1714, com a construção de uma capela sob a proteção de Nª Sra. Do Pilar da Graciosa, cuja devoção permanece até os dias de hoje. O nome Antonina foi uma homenagem ao filho primogênito D.Antonio (1795/1802), do então príncipe regente D> João e D. Carlota Joaquina.

Morretes

A história começa no início do século XVIII, com a determinação do ouvidor Pardinho, que se reservasse uma área à beira do rio Cubatão, para que ali se formasse uma povoação. Porém, só em 1769, com o erguimento de uma capela em homenagem a Nª Sra do Porto e Menino Deus dos Três Morretes, que o povoado teve um efetivo desenvolvimento. Morretes desmembrou-se de Antonina em 1841.

Temas para debate

  • A vocação estratégica do porto de Paranaguá
  • O abandono sistemático das praias do Paraná
  • Como tem sido a preservação histórica da região

Material escrito por Antônio Celso Mendes, da cadeira 34, baseado no livro de Ruy Christovam Wachowicz

Luís Guilherme Bergamini Mendes, administrador do site da APL, é Engenheiro de Computação formado pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Mantém o site da APL desde 2001.

Publicado em História do Paraná